Mostra Ecofalante de Cinema’ exibe 106 filmes de 35 países em cinemas e espaços culturais e em sessões online: tudo gratuito

Considerada o mais importante festival sul-americano dedicado à temática socioambiental, a cada ano, a Mostra Ecofalante de Cinema oferece um cardápio ainda mais variado e rico, em formato híbrido, ou seja, com seleção de filmes para sessões presenciais e online. Consulte a programação

Esta 11ª. edição reúne 106 filmes produzidos em 35 países, que serão exibidos em 30 salas de cinema e espaços culturais da capital paulista, de 27 de julho a 17 de agosto, e em sessões virtuais.

O festival ainda acontecerá, em versões menores, em duas cidades do interior paulista – Piracicaba (2 a 20 de agosto) e Lorena (16 a 26 de agosto) -, além de Belo Horizonte (10 a 31 de agosto) e  Porto Alegre (25 de agosto a 7 de setembro).

Abertura, homenagens e sessões especiais

Animal, a mais recente criação do diretor e escritor francês, Cyrill Dion, e ainda inédito no Brasil, abre o festival em sessão para convidados e faz parte do Panorama Internacional Contemporâneo, do qual falo mais adiante.

Exibido no Festival de Cannes, o filme mostra dois jovens ativistas que integram uma geração convencida de que seu futuro está em perigo. Para eles, com a emergência climática e uma possível sexta extinção em massa, o mundo pode ser inabitável em 50 anos. 

Animal, de Cyrill Dion

O festival celebra os 40 anos do longa Koyaanisqatsi, de Godfrey Reggio, clássico contemporâneo e marco do cinema socioambiental (foto abaixo).

Koyaanisqatsi, de Godfrey Reggio

Também homenageia o cineasta Jacques Perrin (ator de Cinema Paradiso),falecido em abril, com a exibição de quatro de seus sucessos: Microcosmos (como produtor) e As Estações, Oceanos e Migração Alada (como codiretor), este último indicado ao Oscar.

Estações
Microcosmos
Migração Alada

retrospectiva dedicada à cineasta Sarah Maldoror (falecida em 2020), a primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem na África, há 50 anos, exibe uma versão recém-restaurada de seu filme mais emblemático, Sambizanga, que conta sobre o movimento de libertação angolano. A obra venceu dois prêmios no Festival de Berlim. 

Sambizanga, de Sarah Maldoror

A programação ainda inclui outros títulos icônicos – Retrato de Uma Mulher Africana e Uma Sobremesa para Constance, entre eles -, que tratam de questões referentes à história e à cultura africanas ou de povos que mantêm fortes raízes com o continente. 

O mais recente longa do cineasta Vincent Carelli – Adeus, Capitão – ganhou sessão especial na mostra. Ele foi filmado ao longo de várias décadas e estreou em abril deste ano no Festival É Tudo Verdade (leia entrevista com Vincent).

Adeus Capitão, de Vicenti Carelli

Esse é o último filme da trilogia iniciada com Corumbiara, de 2009, e composta também por Martírio, de 2016 (leia mais sobre este filme nos links indicados no final deste post).

Competições

Competição Latino-Americana deste ano apresenta 35 títulos – 15 longas e 20 curtas-metragens – do Brasil, Chile, Argentina, Colômbia, México e Cuba. 

Os filmes que participam do Concurso Curta Ecofalante abordam temas que dialogam com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU e são de autoria de alunos de instituições de ensino brasileiras em São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Bahia, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.

Organizado a partir de temas, o Panorama Internacional Contemporâneo reúne 45 produções de 29 países. Veja alguns filmes:
ativismo: o brasileiro premiado Território e o australiano As Sementes de Vandana Shiva,
– biodiversidade: Guia dos Nossos Ancestrais, O Leopardo das Neves,
– economia: Ascensão (na foto abaixo),
– emergência climática: Primeiros habitantes: uma perspectiva indígena, Caminhando sobre as águas,
– povos & lugares: Mar Sem Lei. Mil Incêndios e
– trabalho (Quarto de Empregada, Cold Stack: um mundo à deriva.

Ascensão, de Jessica Kingdon

Debates, masterclass e entrevistas

Os temas do Panorama Internacional Contemporâneo (ativismo, biodiversidade, economia, emergência climática, povos&lugares e trabalho), assim como a obra da cineasta Sarah Maldoror serão debatidos por ativistas, especialistas e outros convidados especiais em encontros presenciais e online (consulte a programação).

Em 3 de agosto, a masterclass gratuita e virtual Cinema de Impacto: Filmes para Mudar o Mundo será ministrada pelo francês Jean-François Camilleri, produtor internacional de filmes como A Marcha dos Pinguins e Oceanos. Para participar é preciso fazer inscrição; o link será divulgado em breve nas redes sociais e no site da Ecofalante

Por último, uma série de entrevistas exclusivas com os realizadores e os protagonistas de filmes como Geração Z, Animal, Lavra, Rolê – Histórias dos Rolezinhos, A Mãe de Todas as Lutas, e A Praia do Fim do Mundo, entre outros, como também com Jacques Cluzaud, co-realizador dos filmes de Jacques Perrin, e Annouchka de Andrade, filha de Sarah Maldoror. 

Leia também:
–  Martírio: um filme que o Brasil precisa ver
– ‘Martírio’, premiado documentário de Vincent Carelli, estreia nos cinemas

– O cineasta e indigenista Vincent Carelli recebe o prêmio principal do ‘Prince Claus Awards’, da Holanda

Foto (destaque): fotograma do filme ‘Migração Alada’

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.