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Morre Pocha, elefanta que foi trazida com a filha da Argentina para o Santuário de Elefantes Brasil

Morre Pocha, elefanta que foi trazida com a filha da Argentina para o Santuário de Elefantes Brasil

Que notícia mais devastadora. Muito triste mesmo. No sábado, 08/10, o Santuário de Elefantes Brasil usou suas redes sociais para anunciar que Pocha havia falecido. Contamos aqui no Conexão Planeta, em várias reportagens, a história dessa elefanta e sua filha, Guilhermina.

Mãe e filha, de 55 e 24 anos, respectivamente, eram duas elefantas asiáticas que viviam num “recinto” de um ecoparque em Mendoza, na Argentina: na verdade, um fosso, totalmente de concreto, sem vegetação alguma. Guille, como é carinhosamente chamada, nasceu ali e nunca tinha estado num ambiente ao ar livre.

Após muitas negociações, em maio, após cinco dias de viagem, as duas chegaram ao Santuário de Elefantes Brasil, no Mato Grosso. Ao longo dos últimos meses, elas demonstraram uma excelente adaptação ao novo lar, aprendendo a explorar a natureza, e apreciar a companhia de outras companheiras da mesma espécie, Maia, Rana, Lady, Mara e Bambi.

Mas infelizmente, nos últimos dias, os cuidadores perceberam uma leve modificação no comportamento de Pocha.

“Nós notamos que ela estava exigente com seu feno, embora ainda estivesse pastando e desfrutando de todas as frutas e legumes que lhe foram dados. Depois de uma dose de vitamina na noite passada, ela parecia mais resplandecente e, mesmo ainda cansada, seus olhos pareciam mais brilhantes. No entanto, quando voltamos para checá-la um tempo depois, descobrimos que ela havia falecido”, escreveu o santuário.

Ainda não se sabe a causa da morte de Pocha e uma necropsia será realizada para descobrir o que poderia ter provocado seu falecimento.

“Embora este seja um momento difícil, e possa ser difícil processar essa perda, sentimos gratidão a Pocha pelo amor e estabilidade que ela foi capaz de proporcionar a Guillermina por 24 anos. Uma vez que as duas estavam no santuário, ela pôde ver sua filha experimentar a verdadeira alegria e começar a construir relacionamentos com outros elefantes – algo que pode ter sido apenas um sonho para Pocha…

Também temos uma grande sensação de alívio em saber que ambas fizeram a viagem para o santuário antes do falecimento de Pocha, assim Guillermina não está processando sua dor sozinha, ela agora tem outros elefantes a quem recorrer. Talvez Pocha tivesse um senso que seu tempo aqui era curto e encorajou Guille a se aventurar, aproveitar a vida com as amigas, explorar a natureza e descobrir verdadeiramente como a vida de um elefante deve ser.

Em poucos meses, ela foi capaz de lembrar que o mundo era mais do que apenas um muro de concreto na frente dela. Na realidade, a vida poderia ser grande, bela e cheia de oportunidades e ela também foi capaz de dar essa grande vida a sua filha com amor e um sentimento de imenso orgulho”, acredita a equipe do santuário.

Morre Pocha, elefanta que foi trazida com a filha da Argentina para o Santuário de Elefantes Brasil

Pocha tinha cerca de 55 anos

A morte da elefanta foi sentida por todos os outros animais, especialmente, sua filha. Guillermina, que estava dividindo os recintos perto do galpão com a mãe, deu longos estrondos para alertar o grupo. Em uma longa e detalhada postagem, o santuário relatou o comportamento das integrantes da manada após o falecimento de Pocha.

“Uma vez que abrimos os portões para que as outras meninas pudessem entrar, Bambi, Mara e Rana estavam lá esperando para estar com Guille. Rana se aproximou de Pocha com Guillermina por alguns minutos e depois voltou com as demais. A seguir, Bambi se aproximou, mas ficou à distância, com os olhos um pouco arregalados e parecendo preocupada. Depois de Bambi voltar para as outras meninas, Mara veio e ficou com Guille e Pocha. Depois disso, uma por uma, as outras meninas voltaram, desta vez Bambi se aproximou de Pocha, cheirando-a e acariciando seu rosto.

Pouco depois da meia-noite, todas elas estavam em lados diferentes de Pocha, em silêncio e relaxadas, tendo um daqueles momentos de elefante que só eles entendem. Pouco antes das 4 da manhã, Maia também veio ficar com Guilhermina. Cada menina ficou por perto, algumas por mais tempo que outras, observando o corpo de Pocha com respeito. Os elefantes têm uma habilidade inata de se comunicar uns com os outros de maneira que nunca entenderemos, e é isso que parecia estar acontecendo entre este grupo de companheiras de manada.

Com todos os nossos anos trabalhando com elefantes, nunca vimos esse nível de apoio da manada dado a outro durante uma passagem. O apoio delas está se mostrando muito mais familiar por natureza do já presenciamos no Santuário no passado e, embora triste, também há algo incrivelmente bonito sobre o que está acontecendo. Como está começando a entender o que aconteceu com Pocha, Guillermina tem sido muito gentil com a mãe dela. Ela a toca, a cheira e a acaricia com sua tromba, parecendo sentir que sua mãe não está mais aqui. Enquanto Guille não se posicionou completamente sobre o corpo da mãe (o que os elefantes às vezes fazem), ela manobrou muito gentilmente suas patas sobre as patas dianteiras de Pocha e ficou lá por um tempo”.

Abaixo um dos últimos vídeos feitos de Pocha, durante um dia chuvoso:

O Santuário de Elefantes Brasil é o sexto do mundo e primeiro da América Latina. É fruto da parceria de duas organizações internacionais – a Global Sanctuary for Elephants (GSE), do Tenessee, nos Estados Unidos, e a ElephantVoices – ambas dirigidas por renomados especialistas.

A iniciativa se deve também à paixão por elefantes de uma brasileira, Junia Machado. Ela representa a ElephantVoices no Brasil e para tocar o projeto se uniu à Scott Blaiss – que tem mais de 20 anos de experiência no manejo de elefantes africanos e asiáticos em zoos, circos e em santuários, e é o fundador da GSE.

O santuário não é aberto ao público, pois não é um zoológico. Ele tem como única missão proteger, resgatar e prover um ambiente natural e seguro para elefantes em cativeiro.

Fotos: reprodução Facebook Santuário de Elefantes Brasil

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