Morre fêmea de leopardo-das-neves, que com seus sete filhotes, trouxe esperança para sobrevivência de espécie tão ameaçada

Morre fêmea de leopardo-das-neves, que com seus sete filhotes, trouxe esperança para sobrevivência de espécie tão ameaçada

O nome dela era Himani e ela tinha 17 anos. A fêmea de leopardo-das-neves (Panthera uncia) chegou ao Cape May County Zoo, no estado de New Jersey, nos Estados Unidos, quando tinha seis anos. Ela havia nascido em outro zoológico e sua transferência fazia parte de um programa de reprodução em cativeiro para a preservação dessa espécie de felino, ameaçada de extinção.

E Himani se tornou uma super-reprodutora. Ao longo dessa última década e meia no zoológico, ela teve sete filhotes. Mas infelizmente, na semana passada, a leopardo-das-neves não resistiu a um câncer e os veterinários decidiram pela eutanásia para acabar com seu sofrimento.

O zoológico americano divulgou a morte de Himani em suas redes sociais com o seguinte texto:

“O impacto de Himani sobre seus cuidadores, o Zoológico de Cape May County e o futuro de sua espécie não pode ser subestimado. Seu sucesso em criar filhotes fortes e saudáveis contribuiu com linhagens valiosas para a população do Plano de Sobrevivência das Espécies. Os filhotes nascidos em nosso zoológico apresentaram aos nossos visitantes a rara oportunidade de ver filhotes de uma das espécies de animais mais ameaçadas de extinção do planeta… O vínculo que tínhamos com ela era especial e ela nunca será esquecida por nossa equipe”.

Morre fêmea de leopardo-das-neves, que com seus sete filhotes, trouxe esperança para sobrevivência de espécie tão ameaçada

A fêmea, durante um dia de inverno, no zoológico americano

Nos últimos anos, os filhotes de Himani já tiveram novos filhotes. Em geral, a cada gestão a fêmea do leopardo-das-neves dá à luz a entre um e três filhotes.

Morre fêmea de leopardo-das-neves, que com seus sete filhotes, trouxe esperança para sobrevivência de espécie tão ameaçada

Foto antiga de dois filhotes de Himani

Originária das regiões central e sul da Ásia, no passado a espécie era observada em montanhas, em terrenos acidentados de penhascos, enseadas rochosas e ravinas de países como China, Butão, Nepal, Índia, Paquistão, Afeganistão, Rússia e Mongólia.

Infelizmente, esses felinos foram levados praticamente à extinção. Segundo a Lista Vermelha, da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), que avalia as condições de sobrevivência de milhares de espécies de animais e plantas no planeta, restam apenas entre 2.700 e 3.386 leopardos-da-neve na vida selvagem.

Em seu habitat natural, esse animal está bem preparado para enfrentar o frio. Os leopardos-da-neve possuem um pelo grossíssimo, com mais de 10 centímetros de comprimento, e que cobre tudo, exceto o nariz. Sua cauda tem todo o comprimento do corpo e lhe confere equilíbrio e agilidade. Com sua patas traseiras conseguem pular de um penhasco para outro.

Esses felinos têm hábitos “crepusculares”, o que significa que são mais ativos no início da manhã e à noite.

Morre fêmea de leopardo-das-neves, que com seus sete filhotes, trouxe esperança para sobrevivência de espécie tão ameaçada

Himani, no zoológico de New Jersey

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Fotos: reprodução Cape May County Zoo

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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