Morre de COVID Tom Moore: o inglês de 100 anos que inspirou e comoveu o mundo

Morre de COVID Tom Moore: o inglês de 100 anos que inspirou e comoveu o mundo

Que notícia triste. Uma daquelas que eu realmente não gostaria de estar escrevendo. Desde que contei a história do capitão inglês Tom Moore, em 2020, virei uma admiradora desse senhorzinho tão determinado e cativante. Simplesmente impossível não se emocionar com a atitude de um ser humano como ele, que ao final da vida, continou pensando no bem do próximo.

Mas hoje, através de uma nota, a família de Tom Moore anunciou sua morte. No domingo, a filha Hannah havia informado que ele tinha sido internado com dificuldade para respirar. O britânico tratava uma pneumonia e quando chegou ao hospital testou positivo para o coronavírus.

“É com grande tristeza que anunciamos a morte de nosso querido pai, Capitão Sir Tom Moore.

Estamos muito gratos por ter estado com ele nas últimas horas de sua vida; Hannah, Benjie e Georgia ao lado de sua cama e Lucy no FaceTime.

Passamos horas conversando com ele, relembrando nossa infância e nossa mãe maravilhosa. Compartilhamos risos e lágrimas.

O último ano da vida de nosso pai foi nada menos que notável. Ele rejuvenesceu e experimentou coisas que sempre sonhou.

Embora ele tivesse estado em tantos corações por um curto período de tempo, ele foi um pai e avô incrível e permanecerá vivo em nossos corações para sempre”.

“Capitão Tom”, como era conhecido carinhosamente, era um veterano de guerra. Formado em Engenharia Civil, trabalhou com treinamento de oficiais, em 1940. Depois dissoesteve na Índia e em Sumatra.

Em 2007, perdeu a esposa e nos últimos anos, morava em uma grande casa ao norte de Londres, com a filha, o genro e os netos.

Mas no dia 12 de abril do ano passado, segundo relato de uma das filhas, Lucy Teixeira, tudo mudou na vida de Tom Moore e de sua família. A pouco mais de um mês para a celebração de seu 100o aniversário, ele se propôs a cumprir um desafio: usando seu andador, dar dez voltas por dia, em seu quintal, até completar 100, exatamente em 31 de abril, quando comemoria seu centenário. E com isso, ele buscava sensibilizar as pessoas a doar dinheiro para os profissionais de saúde.

E ele conseguiu seu objetivo. E com um resultado extraordinário! No dia 10 de abril, sua meta inicial era arrecadar £1 mil, cerca de R$ 6,5 mil, o que aconteceu em apenas 24 horas.

Morre de COVID Tom Moore: o inglês de 100 anos que inspirou e comoveu o mundo

Com a ajuda de sua filha e genro, que criaram a página de doação na internet, Moore decidiu então aumentar a meta para £250 mil e dias depois, para £500 mil. Todavia, para a surpresa do aposentado, seu desafio fez com que 1,5 milhão de pessoas doassem £32 milhões, mais de R$ 220 milhões.

“Quando você pensa em para quem é tudo isso – todos aqueles bravos e super médicos e enfermeiros que temos – acho que eles merecem cada centavo e espero que consigamos mais”, disse Tom, que sabia da importância do NHS porque já tinha passado por um tratamento de câncer e de um quadril quebrado.

“De certa maneira, é como estivéssemos em meio a uma guerra atualmente. E os profissionais de saúde é que estão na linha de frente dessa batalha e nós, na retaguarda, precisamos apoiá-los, como pudermos, para que eles possam fazer seu trabalho de maneira ainda melhor”, completou na época.

Em julho, pela sua iniciativa, o capitão recebeu o título de cavaleiro da Rainha Elizabeth. Além de uma medalha, ele passou a ser chamado de “Sir” Tom Moore.

Morre de COVID Tom Moore: o inglês de 100 anos que inspirou e comoveu o mundo

Hoje o mundo se despede dele. Mas com certeza, ele deixa um legado lindo e inspirador em tempos tão difíceis para a humanidade. Descanse em paz, capitão Tom Moore!

Morre de COVID Tom Moore: o inglês de 100 anos que inspirou e comoveu o mundo

Fotos: divulgação/Palácio de Buckingham

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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