Morre atropelada Pequi, loba-guará resgatada filhote e que havia sido reintroduzida no Cerrado

Morre atropelada Pequi, loba-guará resgatada ainda filhote e que havia sido reintroduzida no Cerrado

Que notícia mais triste. Acompanhávamos a história de Pequi no Conexão Planeta desde 2020. Ela e os quatro irmãos perderam a mãe e foram encontrados sozinhos, numa toca, localizada nos arredores da Fazenda Trijunção, em Goiás. Só foram resgatados porque a fêmea Caliandra, era monitorada através de um colar GPS pelos pesquisadores do Onçafari, que notaram a ausência de sinais de deslocamento.

Em abril deste ano, após três anos, Pequi ganhou enfim a liberdade e foi reintroduzida no Cerrado pela equipe da ONG Jaguaracambé, que estava cuidando dela e a preparando para a soltura, na Reserva Paraíso na Terra, em Brazlândia (DF).

Infelizmente, na última quinta-feira (14/12), a loba-guará foi atropelada ao tentar cruzar uma estrada, a BR-080, como informa a nota divulgada pela Jaguaracambé neste sábado.

“Pequi foi uma lobinha guerreira. Aprendeu, desde cedo, que para viver, precisava se esforçar. E foi o que ela fez. Era a menorzinha da ninhada e, à medida que o tempo passava, Pequi crescia e se fortalecia.

Durante os meses da reabilitação, Pequi mostrou que saberia viver no Cerrado novamente. Caçava, marcava o seu território, comia todos os frutos do bioma que oferecíamos (menos goiaba) e, ao final de 14 meses de reabilitação, saiu calmamente andando pela sua verdadeira casa, o Cerrado.

Pequi precisou enfrentar muitos desafios ao longo desses 8 meses, desde que foi solta. No entanto, ganhou quase 2 kg desde a soltura e, em todos os avistamentos, estava sempre muito bem. Há 3 meses andava pela região de Padre Bernardo (GO) entre duas fazendas. Descansava na sombra das matas, comia cajuzinho, lobeira, tomava água nos riachos e caçava ratinhos.

Nesta última semana, saiu do local e andou muito durante a noite. Ao atravessar a rodovia BR-080, já conhecida dela, foi atingida por um veículo por volta de meia-noite.

Não temos palavras para expressar a nossa dor. Perdemos a nossa Pequi. Tínhamos tantos planos e ela, com certeza, também. Sonhávamos com os filhotinhos dela e com a possibilidade de acompanhá-la ainda por algum tempo…

Neste momento de tanta dor para toda a equipe que cuidou dela, gostaríamos de agradecer a cada um de vocês por ter sonhado essa história conosco, ter acreditado e torcido por esta lobinha tão especial.

Pequi ficará para sempre em nossos corações“.

Leia também:
Fernanda Abra e a luta contra os atropelamentos da fauna silvestre
Quatro mulheres conservacionistas se unem para reduzir atropelamentos de fauna em Bonito/MS
Com audição ruim e movimentos lentos, tamanduá-bandeira é uma das principais vítimas de atropelamentos no Cerrado

Foto de abertura: Joel Rodrigues / Agência Brasília

Deixe uma resposta

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.