Mistério sobre a morte de mais de 300 elefantes no Delta de Okavango, na África, começa a ser desvendado

No início de julho, falamos sobre a morte misteriosa de centenas de elefantes no famoso Delta do Okavango, em Botsuana, na África. Primeiro, suspeitou-se de caçadores, que poderiam ter envenenado a água disponível para extrair as presas dos animais, mas logo essa ideia foi descartada. Ninguém se aproximou deles e as presas continuaram intactas.

Atônitos com o cenário que encontraram ao sobrevoar a região, os pesquisadores alertaram para a morosidade com que o governo encaminhou o assunto, mas não havia mais nada a fazer do que aguardar os resultados dos exames. E eles começam a ser divulgados.

Em 31/7, sexta-feira passada, o Departamento de Vida Selvagem e Parques informou que os primeiros resultados dos testes realizados em diversos países indicam que os mais de 300 elefantes que, a partir de março, morreram na região – o governo fala em 281, mas os conservacionistas independentes alegam ser mais de 350 – sucumbiram a toxinas naturais.

Com estas primeiras informações, as autoridades já descartam a caça furtiva e, também, o antraz, mas o chefe do Departamento de Vida Selvagem e Parques, Cyril Taolo, disse à AFP que ainda não é possível chegar a uma conclusão sobre a causa dessa mortalidade.

“Com base em alguns dos resultados preliminares que recebemos, consideramos as toxinas que ocorrem naturalmente como a causa potencial”. E completou: “algumas bactérias podem produzir veneno de forma natural, principalmente em água estagnada”.

A primeira identificação de morte dos elefantes no Delta de Okavango foi feita pela organização Elephants Without Borders (EWB), que redigiu relatório confidencial, indicando que se tratava de 356 elefantes mortos. O relatório vazou para a imprensa no início de julho e a notícia se espalhou sem investigação.

A EWB declarou, na ocasião, que suspeitava que os elefantes estivessem morrendo há cerca de três meses e que as mortes não se restringiam a idade ou sexo dos animais.

Como contamos em julho, alguns elefantes ainda vagavam pela região, aparentando fraqueza, letargia e cansaço, além de sinais de desorientação e dificuldades para caminhar.

Para concluir a investigação, as autoridades ainda aguardam os resultados de testes que estao sendo conduzidos em laboratórios especializados na África do Sul, Zimbábue, EUA e Canadá.

Muito preocupante essa situação já que Botsuana abriga a maior população de elefantes do mundo, estimada em 130 mil indivíduos. Seja lá qual for o resultado dos últimos testes, não dá pra ignorar que a devastação e, por consequência, a falta de alimento e de fontes de água suficientes e limpas pode ter contribuído para a produção de tais bactérias e para a morte em massa desses animais. Mais uma vez, a ação do homem pode ser a grande causa dessa tragédia.

Fonte: AFP, Science Alert

Foto: National Park Rescue/Facebook (destaque) e Reprodução

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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