Milhões de animais podem morrer de fome e calor por causa da greve de caminhoneiros no país

Produtores de suínos e aves afirmam que já há falta de ração e que mais de meio milhão de pintinhos já teriam morrido, nos últimos dias, em granjas e nos caminhões bloqueados nas estradas, por falta de comida e excesso de calor

A World Animal Protection está fazendo um alerta sobre a ameaça que as paralisações nas rodovias de ao menos 20 estados brasileiros – devido à greve dos caminhoneiros -, traz para a sobrevivência de milhões de animais.

Segundo a organização, a situação afeta principalmente aves e suínos. Produtores afirmam que já há falta considerável de abastecimento de ração, colocando em risco a vida de 1 milhão de animais e, caso a greve não seja encerrada logo, o número de vítimas poderá ser ainda maior.

“Não há medidas para liberarem cargas de ração, não existe nenhuma mobilização nesse sentido”, alerta José  Rodolfo Ciocca, gerente de Agropecuária Sustentável da World Animal Protection.

De acordo com relatos de produtores divulgados nas redes sociais, mais de meio milhão de pintinhos já morreram, nos últimos dias, em granjas e nos caminhões bloqueados nas estradas, por falta de comida e excesso de calor.

Em comunicado à imprensa, a Cooperativa Central Aurora Alimentos afirmou, na terça-feira (22/05), que iria paralisar totalmente as atividades das suas indústrias de processamento de aves e suínos em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Outra empresa do setor, a BRF, também suspendeu o trabalho em quatro unidades e nove frigoríficos.

Com a interrupção do abate, o que acontece é um superlotação dos alojamentos de animais, reduzindo o espaço disponível e provocando sofrimento intenso e estresse entre eles.

“É necessário que autoridades e a cadeia produtiva elaborem, urgentemente, um plano de contingência nacional. Pensando não apenas em questões sanitárias, mas também, no bem-estar daqueles animais que não conseguem se livrar desta situação, pois estão sob nossa tutela”, ressalta Ciocca.

Foto: domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

3 comentários em “Milhões de animais podem morrer de fome e calor por causa da greve de caminhoneiros no país

  • 25 de maio de 2018 em 6:37 PM
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    Pleitear direitos roubando o direito à saúde, à paz, ao emprego e à vida dos outros chama-se crime e não se pode nem deve aplaudir criminosos por mais honestos, dignos e trabalhadores sejam.

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  • 28 de maio de 2018 em 10:11 AM
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    “Produtores de suíno e aves” não estão preocupados com os animais, e sim com o bolso deles… Esses animais iriam sofrer de qualquer forma, pois o destino é ir para a morte nos abatedouros ou viver uma vida aprisionados servindo aos humanos.. sabemos disso…
    Toda atitude tem conseqüências, e para mudar algo nesse país vimos que tem que ser assim forçando a barra… e muitos sofrem com isso infelizmente!

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    • 30 de maio de 2018 em 2:45 PM
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      Será mesmo, Andrielle, que “tem que ser assim forçando a barra” contrariamente ao princípio de não violência de Mahatma Gandhi que conseguiu relevantes conquistas políticas no seu país, justamente por não apoiar movimentos de violência, supremacia e sectarismo? Será mesmo, colega, que um cara chamado Jesus, crucificado e morto pela intransigência humana, talvez conseguisse melhores resultados se fizesse cair fogo do céu sobre seus inimigos, a quem chamava de irmãos? Será mesmo que continuarmos em guerra nos países do mundo nos fará alcançar a justiça para ambos os lados divergentes que pleiteiam vociferando serem justas a própria causa? Será mesmo que inocentes precisem pagar com a própria vida o reconhecimento de que esses ou aqueles estavam com a razão? Será mesmo, colega, que continuamos no acostamento da RAZÃO, teimosamente recusando o caminho da Sabedoria que nos faria de verdade, superiores e dignos de todos os aplausos? Será mesmo, que para mudar algo nesse país, amanhã ou depois, terá que ser na base da truculência, da pancada, da imposição, da violência porque não conseguimos ser melhores do que APENAS ISSO?!

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