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Milhões de águas-vivas bala de canhão invadem litoral da Venezuela

Milhões de águas-vivas bala de canhão invadem litoral da Venezuela

“É como se tivessem flores no mar. Isso nunca aconteceu aqui antes”, contou Elvis Morillo à Agência France 24. Infelizmente, o que parecem flores na verdade são milhões de águas-vivas bala de canhão (Stomolophus meleagris). O pescador de 59 anos vive e trabalha em Chuao, ao norte da Venezuela.

Desde março, as águas da costa da região foram invadidas por essas águas-vivas, impactando a pesca e trazendo prejuízo e medo para os moradores locais.

A “medusa bola de cañón”, como é chamada em espanhol, é uma espécie encontrada em águas tropicais e subtropicais ao redor do mundo, incluindo o litoral da Venezuela, todavia, nunca foi observada antes nesta quantidade. Especialistas estão analisando o fenômeno e uma das possibilidades é que ele seja resultado do aumento da temperatura do oceano, consequência do aquecimento global (em 2022 algo parecido aconteceu na Grécia, leia mais aqui).

Além disso, a redução de predadores de águas-vivas, como tubarões e tartarugas marinhas, pode ter influenciado na sua proliferação.

Essa espécie de água-viva pode atingir tamanhos impressionantes. Seus braços bucais possuem substâncias que causam dor e vermelhidão. Alimenta-se de peixes, crustáceos e moluscos.

Foto: Ministerio del Poder Popular para el Ecosocialismo da Venezuela

Pescadores relatam que as redes voltam para os barcos cheias de medusas e com pouquíssimos peixes. Para piorar ainda mais a situação, há ainda uma invasão de corais de uma espécie invasora, que também prejudicam a pesca.

Água-viva é o termo popularmente utilizado para se referir às medusas, as quais são organismos que fazem parte do grupo dos cnidários planctônicos.

Estudos internacionais já comprovaram que “grandes proliferações de medusas ocorrem em alguns locais que foram altamente impactados por atividades humanas ao longo dos anos. Dentre os fatores que podem impactar a abundância destes organismos, destacam-se principalmente o aquecimento global, a sobrepesca e a eutrofização*”, diz a oceanógrafa Bruna Costa Oliveira, num artigo publicado no site da Bocaina Biologia da Conservação.

A especialista explica ainda que as altas temperaturas das águas dos oceanos podem aumentar a reprodução assexuada entre algumas espécies de águas-vivas.  

O impacto desse desequilíbrio ambiental não é sentido apenas nos ecossistemas onde esses seres habitam, e se reproduzem mais do que deveriam, mas também nas economias locais, quando turistas deixam de visitar regiões com medo de serem queimados por águas-vivas.

Informação divulgada pelas autoridades venezuelanas
Foto: Ministerio del Poder Popular para el Ecosocialismo da Venezuela

*A eutrofização é caracterizada pelo aumento de nutrientes em corpos d’água. Esse processo pode levar à redução do oxigênio e à redução da quantidade de luz que entra na água, impactando negativamente diversos organismos marinhos. Quando a eutrofização ocorre em determinado local, há uma grande quantidade de alimento disponível, o que acarreta no aumento da quantidade de animais, como as águas-vivas.

** Com informações dos sites da France 24 e do Ministerio del Poder Popular para el Ecosocialismo da Venezuela

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Foto de abertura: Ministerio del Poder Popular para el Ecosocialismo da Venezuela

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