Mais de 50 mil pessoas assinam petição contra complexo eólico próximo a único refúgio da arara-azul-de-lear do país

Milhares de pessoas assinam petição contra complexo eólico próximo a único refúgio da arara-azul-de-lear do país

Há poucas semanas divulgamos aqui no Conexão Planeta uma denúncia feita pela Fundação Biodiversitas sobre a construção de um complexo eólico, em Canudos, na Bahia, próximo ao único habitat da arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) no Brasil. A espécie é considerada em perigo de extinção, de acordo com a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN). Pelo último censo, realizado em 2019, estima-se que sejam apenas 1.500 aves (leia reportagem completa aqui).

Além do temor de especialistas de que as 80 turbinas eólicas possam causar risco de colisão para as araras, há ainda um outro problema: a Voltalia, multinacional francesa responsável pelo empreendimento, não precisou apresentar um licenciamento ambiental completo para obter a permissão para a obra.

Uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) estabelece a exigência de Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima), além de audiências públicas, para plantas eólicas que estejam situadas em “em áreas de ocorrência de espécies ameaçadas de extinção e endemismo restrito”.

Apesar disso, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) aprovou o projeto somente com a apresentação do licenciamento simplificado. 

Questionados sobre a razão pela qual o licenciamento ambiental completo não foi requisitado para a Voltalia, tanto o Inema como o Cemave – centro nacional voltado para a conservação das aves silvestres ligado ao ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) – não responderam aos e-mails enviados para suas assessorias de imprensa.

Milhares de pessoas assinam petição contra complexo eólico próximo a único refúgio da arara-azul-de-lear do país

A arara-azul-de-lear tem o hábito de realizar longos voos diariamente, cerca de 60 a 80 km. No mapa acima, a localização do Complexo Eólico de Canudos está indicada com a seta vermelha, onde aparecem as linhas amarelas. A mancha clara apresenta a área de uso da espécie

Petição online contra a obra

Indignada com a situação, uma jovem ativista ambiental, de 18 anos, resolveu criar uma petição online pedindo a suspensão da construção do complexo eólico de Canudos. Náthaly Marcon é auxiliar de veterinária, apaixonada por araras-azuis, e decidiu tomar a iniciativa de chamar a atenção sobre a questão.

Na petição, que é endereçada ao presidente executivo da Voltalia, Sebastian Clerc, ao presidente da empresa no Brasil, Robert Klein, e ao governador da Bahia, Rui Costa, ela ressalta a importância da preservação da arara-azul-de-lear.

Em pouco menos de uma semana, a petição no site Change.org já tem mais de 55 mil assinaturas (e agora possui versões também em francês e inglês). Se você também é contra a obra e gostaria que as autoridades locais se pronunciassem a respeito, assine e compartilhe o link.

Milhares de pessoas assinam petição contra complexo eólico próximo a único refúgio da arara-azul-de-lear do país

A arara-azul-de-lear foi descrita pela primeira vez em 1856, mas seu habitat permaneceu desconhecido por mais de um século. Foi apenas em 1978 que pesquisadores descobriram sua localização, na região conhecida como Raso da Catarina, na Bahia

*Texto alterado em 15/07/21 para atualizar o número de assinatura na petição.

Leia também:
Censo revela aumento da população da arara-azul-de-lear na Bahia
Jardins da Arara de Lear: livro conta a história linda da descoberta desta espécie em risco de extinção

Fotos: arara-azul-de-lear (João Marcos Rosa/Fundação Biodiversitas)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta