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Milhares de alemães protestam contra expansão de uma das maiores usinas de carvão da Europa

Milhares de alemães protestam contra expansão de uma das maiores usinas de carvão da Europa

Lützerath é hoje apenas o nome do que no passado foi um vilarejo numa área rural a pouco mais de 6 horas de carro de Berlim. É também uma zona de combate entre milhares de manifestantes, representantes de organizações ambientais, polícia e a gigante da área energética RWE. Ativistas acampados lá há dois anos tentam impedir que o que resta da cidadezinha seja demolido para que uma das maiores minas de carvão a céu aberto da Europa seja expandida.

Nos últimos dias, a polícia começou a retirada dos manifestantes de Lützerath. Todavia, mais pessoas chegam ali, revoltadas com a permissão do governo da Alemanha para que a Usina de Garzweiler aumente sua extração de linhito, um dos tipos de carvão mineral mais poluentes que há no planeta. Estima-se que embaixo do solo onde outrora existia o vilarejo estejam 280 milhões de toneladas desse minério.

Os ativistas denunciam a hipocrisia do governo alemão e sobretudo, do Partido Verde, conivente com a ação. As autoridades alegam que a expansão da usina é necessária por causa da invasão de Putin à Ucrânia, responsável por provocar uma crise de abastecimento de energia na Europa e ter deixado a Alemanha sem o gás natural russo.

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Em 2020, a Alemanha anunciou que deixaria de usar o carvão, como fonte de energia, desativando suas usinas, gradualmente, até 2038, para que atingisse a meta de se tornar carbono neutra em 2045. Atualmente 30% da demanda energética do país vem da queima desse minério, considerado a maior fonte das emissões de dióxido de carbono (CO2), gás apontado como principal responsável pelo aquecimento global.

“O Ministro do Clima [Robert] Habeck anunciou em outubro de 2022 que Lützerath deveria ser dragada… São cerca de 600 km entre Berlim e Lützerath, mas pode-se pensar que os dois lugares são mundos separados: na capital, a importância de proteção climática, enquanto no Reno a área de mineração de linhito ainda segue políticas energéticas do século passado – como se ninguém nunca tivesse ouvido falar que o carvão é um dos responsáveis pelo aquecimento do clima. Como se os números de 2022 não tivessem apenas mostrado mais uma vez o quão pouco a geração de energia a carvão é compatível com a proteção do clima – a Alemanha mais uma vez falhou em cumprir suas metas climáticas devido ao retrocesso no carvão”, afirma o Greenpeace Alemanha.

Milhares de alemães protestam contra expansão de uma das maiores usinas de carvão da Europa

Batalhão de choque chega a Lützerath para fazer a retirada dos manifestantes
(Foto: Bernd Lauter/Greenpeace)

Segundo reportagem da Deutsche Welle (DW), “Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, cerca de 300 cidades na Alemanha foram demolidas para a mineração de linhito, levando ao reassentamento de mais de 120 mil pessoas”.

“Parece inacreditável que em 2023 ativistas climáticos na Alemanha precisem bloquear enormes escavadeiras que se preparam para devorar uma vila e o veio de carvão abaixo dela”, disse o escritor e jornalista Stuart Braun em artigo para a DW. “Esse movimento liderado por jovens agora está na linha de frente para tentar limitar o aumento da temperatura no planeta a 1,5oC – aquela mítica meta do Acordo Climático de Paris, que pode já estar fora de alcance”.

Milhares de alemães protestam contra expansão de uma das maiores usinas de carvão da Europa

Ativistas fincam o pé: Lützerath não pode ser demolida
(Foto: Bernd Lauter/Greenpeace)

O governo da Alemanha alega que a negociação com a RWE incluiu um acordo de que a empresa deverá desativar oito anos antes do previsto, em 2030, suas usinas na região de Renânia do Norte-Vestfália, onde Lützerath está localizada.

Entretanto, de acordo com um estudo realizado por duas instituições europeias, a Alemanha tem reservas suficientes de carvão para atender sua demanda interna, mesmo com o corte de gás natural causado pela guerra entre Rússia e Ucrânia.

“O linhito sob Lützerath não é necessário mesmo na atual situação de crise. A segurança do abastecimento exige investimentos em energias renováveis. Por 100% de sol e vento! O futuro é renovável”, protesta o Greenpeace.

Milhares de alemães protestam contra expansão de uma das maiores usinas de carvão da Europa

Todos os antigos moradores de Lützerath foram coagidos a vender suas terras para a RWE
(Foto: Bernd Lauter/Greenpeace)

*Com informações da Deutsche Welle, G1 e Greenpeace Alemanha

Leia também:
Incentivo ao uso de carvão mineral pelo governo federal é retrocesso brutal em tempos de crise climática
Europa promete parar de fazer termelétricas a carvão em 2020
A era do carvão chegou ao fim

Foto de abertura: Bernd Lauter/Greenpeace

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