Mil cruzes são fincadas no gramado da Esplanada dos Ministérios para lembrar as vítimas da Covid-19 e protestar contra Bolsonaro

Se a velocidade com que o contágio por coronavírus se mantiver, certamente, em menos de dois dias, o Brasil chegará a 60 mil óbitos. De acordo com o consórcio de veículos de imprensaformado desde que o governo se negou a divulgar informações sobre a pandemia e que se baseia em informações das secretarias de saúde estaduais -, até as 13h deste domingo, 28/6, 57.174 pessoas morreram e 1.323.069 estão infectadas.

Para protestar contra essa triste realidade, que é fruto da irresponsabilidade com que Bolsonaro vem tratando a pandemia no país, e homenagear as vítimas, mil cruzes foram colocadas no gramado da Esplanada dos Ministérios, em frente ao Congresso Nacional, logo cedo.

A instalação foi realizada pelo coletivo Resistência e Ação com o apoio de voluntários de diversos movimentos sociais e partidos políticos. Apenas 30 pessoas fincaram as cruzes no gramado para evitar aglomerações.

A ação integrou o protesto #StopBolsonaroMundial, promovido por coletivos europeus e que logo recebeu a adesão de outros países – 25, no total, e 70 cidades -, que pedem o impeachment do presidente por meio de atos presenciais e virtuais. Rapidamente, a hashtag do movimento liderou as trending topics do Twitter.

Além das cruzes, também foram colocadas faixas com dizeres contra o presidente, seu governo e aliados, como Fora Bolsonaro, Bolsonaro, pare de negar e 50 mil mortes.

“Nosso objetivo é explicitar a dor das famílias enlutadas pelas perdas das vidas em decorrência da política genocida do Bolsonaro”, explicou Cleide Martins, uma das organizadoras da iniciativa, ao Estadão. “Não concordamos com a ausência de política de valorização da vida, com o descaso do governo”.

“Quando vi as duas caminhonetes carregadas com as mil cruzes, pensei: nossa, são mil vidas! Imagina o que são mais de 50 mil. Perdidas por uma coisa tão antiga que é o negacionismo, o desprezo pela Ciência, o desrespeito à vida”, completou a ativista.

Fotos: Mídia Ninja e Matheus Alves/Jornalistas Livres (última imagem)

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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