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Micos-leões-dourados e araras-azuis-de-lear são apreendidos com traficantes em embarcação no Togo

Micos-leões-dourados e araras-azuis-de-lear são apreendidos com traficantes em embarcação no Togo

Cerca de seis meses após 29 araras-azuis-de-lear (Anodorhynchus leari) e sete micos-leões-dourados (Leontopithecus rosalia) serem apreendidos no Suriname, novamente um grupo com as duas espécies de animais, ambas endêmicas do Brasil e ameaçadas de extinção, foi encontrado por autoridades com traficantes, dessa vez, no Togo, na África.

No total eram 20 micos-leão-dourado e 12 araras-azuis-de-lear, apreendidos numa embarcação na costa do país africano. A traineira com bandeira do Brasil, onde os animais estavam, saiu do Suriname e apresentou uma pane. A guarda costeira foi acionada e aí ocorreu o flagrante.

Dentro do barco estavam quatro pessoas – um brasileiro, um uruguaio, um surinamês e um togolês – e há relatos de que um quinto traficante teria fugido. Todos os criminosos foram levados pela polícia para a capital, Lomé.

De acordo com notícia da agência RFI, os animais estavam dentro de gaiolas, em “condições deploráveis”. Três micos já estavam mortos e os demais muito debilitados e alguns, doentes.

Ainda segundo a reportagem, o embaixador do Brasil na República Togolesa, Nei Futuro Bitencourt, levou os micos e as araras para sua residência porque eles corriam risco de vida se continuam no local onde estavam.

“Tive de fazer pressão para retirá-los de dentro do barco, um veleiro, onde estavam sem ventilação, sob o sol com efeito estufa dentro da cabine, colados, mal alimentados, com barulho de motores e cheiro de combustível. Foram levados para um hangar aberto da alfândega do aeroporto, onde a situação melhorou, mas havia muito barulho, movimento de carros, caminhões e muitas pessoas, curiosos. O nível de stress era alto demais. Mas o mais grave é o risco de que sejam roubados, de que ‘desapareçam’, como já ocorreu em caso análogo”, disse.

O caso a que Bitencourt se refere é o ocorrido no Suriname, quando na noite anterior a serem repatriadas para o Brasil, as araras-azuis-de-lear foram roubadas do galpão onde aguardavam a chegada dos representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Natureza (ICMBio) e da Polícia Federal (PF).

Agora um analista ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e de Recurso Naturais (Ibama) já se encontra no Togo e a expectativa é que os animais voltem ao Brasil num avião da PF.

Acredita-se que Suriname e Guiana sejam as principais rotas de saída de animais traficados da América do Sul. Europa e Ásia são os principais destinos.

Micos-leões-dourados e araras-azuis-de-lear são apreendidos com traficantes em embarcação no Togo

As araras dentro das gaiolas, em péssimas condições
(Foto: divulgação Polícia Federal)

No começo desse mês, estrangeiras também foram presas com ovos de arara-azul-de-lear, que seriam contrabandeados para o exterior. As duas mulheres de nacionalidade ucraniana estavam na BR 116, em Governador Valadares, no interior de Minas Gerais. Dentro do carro que elas dirigiam foi encontrada uma estufa com seis ovos da espécie.

Ave belíssima com a plumagem toda em um tom de azul vibrante, a arara-azul-de-lear é um dos animais mais procurados pelos traficantes. Essa inclusive é uma das razões que ela quase foi levada à extinção. Em 2001, foram registrados pouco mais de 200 indivíduos na região ao norte da Bahia, o único habitat natural da espécie no mundo.

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Foto de abertura: divulgação Polícia Federal

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