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Meteorologista batiza ondas de calor nos EUA com nomes de companhias de petróleo

Meteorologista batiza ondas de calor nos EUA com nomes de companhias de petróleo

Países do Hemisfério Norte estão enfrentando uma onda de calor extremo. É verão por lá, mas poucas vezes se observou temperaturas tão impressionantes. Na Itália, em várias cidades, os termômetros passaram dos 45oC. Na Grécia, bombeiros tentam combater o fogo. Do outro lado do Oceano Atlântico, o Canadá enfrenta o que já é considerado a pior temporada de incêndios florestais de sua história. E de costa a costa dos Estados Unidos, mais de 100 milhões de pessoas estão sob alerta. Em Phoenix, no Arizona, há três semanas seguidas os moradores acordam diariamente com temperaturas acima dos 43oC.

Especialistas em clima afirmam de que não há dúvida nenhuma que essas temperaturas completamente atípicas para os países do Hemisfério Norte são um efeito direto das mudanças climáticas, causadas pelas emissões de gases de efeito estufa na atmosfera terrestre.

E pra deixar bem claro quem são os principais responsáveis por essas emissões, um meteorologista americano começou a batizar as ondas de calor de seu país com nomes de companhias de petróleo. Guy Walton foi apresentador do tempo durante 30 anos no Weather Channel, em Atlanta, e agora possui um blog.

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Duas dessas ondas de calor ele já apelidou carinhosamente de Chevron e BP, gigantes multinacionais do setor petrolífero. E segundo o meteorologista, há uma lista com cerca de 20 delas que serão usadas nas próximas.

“Minha intenção é envergonhá-las e e identificar os culpados que estão exacerbando esses sistemas mortais”, diz ele.

Documentos já revelaram que desde a década de 70 empresas petrolíferas sabiam que a exploração dos combustíveis fósseis faria com que a temperatura no planeta aumentasse. Mas decidiram se manter quietas e continuar a obter lucros bilionários com seus negócios, enquanto a concentração de gases no planeta aumentava mais a cada dia.

“Trinta anos atrás, as nações do mundo concordaram em evitar a perigosa interferência humana no sistema climático. Mas o que são “mudanças climáticas perigosas”? Basta ligar a televisão, ler as manchetes do jornal matinal ou visualizar seus feeds de mídia social. Pois estamos assistindo em tempo real neste verão, mais profundamente do que nunca, na forma de inundações, ondas de calor e incêndios florestais sem precedentes. Agora sabemos como são as mudanças climáticas perigosas. Como já foi dito sobre a obscenidade, nós a conhecemos quando a vemos. Estamos vendo isso – e é obsceno”, alertam os especialistas em clima Michael Mann e Susan Joy Hassol em um artigo publicado no jornal The Guardian esta semana.

Na Europa, em vez de usar nomes de companhias de petróleo, a Sociedade Meteorológica Italiana decidiu batizar a atual onde de calor que assola moradores e turistas que visitam o continente de “Cérbero”, em homenagem ao monstro de três cabeças que aparece em Inferno, primeira parte da obra Divina Comédia, de Dante Alighieri.

Para a Organização Meteorológica Internacional (WMO, na sigla em inglês), as longas e intensas ondas de calor deste ano são alarmantes, mas não surpreendentes porque, infelizmente, as condições observadas estão de acordo com as projeções feitas pelos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.

“Os impactos nas pessoas, nas economias e no ambiente natural e construído são graves. Um novo estudo publicado na semana passada calculou que no verão passado apenas na Europa 60 mil pessoas adicionais morreram devido ao calor extremo. Especialistas e governos consideram esta uma estimativa conservadora”, diz a organização.

Segundo a entidade, atualmente ocorre um fenômeno simultâneo de ondas de calor, com temperaturas na América do Norte, partes da Ásia e no norte da África e no Mediterrâneo acima de 40°C por um número prolongado de dias. E esses tipos de eventos aumentaram sua ocorrência em seis vezes desde a década de 1980.

Há o temor que a chegada do El Niño piore ainda mais esse calor extremo e os impactos na saúde humana e nos meios de subsistência.

“Precisamos que o mundo amplie sua atenção além de apenas a ‘temperatura máxima’. Em muitos locais onde a máxima está chegando a 40°C ou mais, a temperatura ainda pode estar perto de 40°C à meia-noite. Nessas circunstâncias, a temperatura mínima é mais importante para a saúde e para a falha da infraestrutura crítica durante ondas de calor extremas”, ressalta John Nairn, consultor sênior de calor extremo da OWM, John Nairn. “O calor mais intenso e extremo é inevitável – é imperativo se preparar e se adaptar, pois cidades, casas e locais de trabalho não são construídos para suportar altas temperaturas prolongadas – e as pessoas vulneráveis não estão suficientemente conscientes da gravidade do risco que o calor representa para sua saúde e bem-estar”.

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Foto de abertura: Craig Manners on Unsplash

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