Mergulhadores encontram máscaras e luvas de proteção nas águas da Riviera Francesa

Todos os dias, mergulhadores da organização Opération Mer Propre (Operação Mar Limpo, em tradução livre) encontram resíduos de diversas origens na costa da França. Faz parte da rotina, infelizmente. Mas, em 24 de maio, eles e os especialistas de duas ONGs parceiras – Ungestepourlamer da Fondation de la Mer – se depararam com os primeiros vestígios da pandemia do coronavírus nas águas da baía do Golfo Juan-les-Pins, Riviera Francesa: máscaras cirúrgicas e luvas de látex.

E claro que elas não estavam sozinhas: fizeram companhia a garrafas plásticas, pneus, um cone de sinalização, uma mesa de plástico, um balde de gelo e até um antigo fone de cabine telefônica, entre outros resíduos. 

Na verdade, eles recolheram do fundo do mar mais um fruto da falta de educação e de consciência habituais dos seres humanos sobre seu impacto na natureza. Enquanto isso, voluntários que integraram a ação da associação nesse dia também encontraram luvas e máscaras “perdidas” na areia e nas pedras.

Os mergulhadores disseram que já esperavam que isso aconteceria um dia. Mas, levando em conta que o uso de máscaras é imprescindível, só aumenta e, provavelmente, continuará fazendo parte do cotidiano da humanidade no futuro, o fundador da organização, Laurent Lombard, fez uma declaração contundente em seu Facebook. “Sabendo que mais de dois bilhões de máscaras descartáveis foram compradas, em breve, haverá mais máscaras no mar do que águas vivas nas águas do Mediterrâneo!”.

E completou: “É sobre a responsabilidade de todos para evitar esse novo tipo de poluição, mas também dos nossos eleitos deputados e poderes públicos. Com efeito, há vários anos que alguns municípios tentam combater ações que destruem o nosso ambiente e a nossa saúde a longo prazo, mas talvez seja a hora de unirmos todas as boas iniciativas para resolver o mais rápido e firmemente este novo tipo de poluição. A crise sanitária nos permitiu ver o melhor e o pior de nós. Se não fizermos nada é o pior que vai prevalecer. E é uma questão de bom senso evitar que isso aconteça”.

Sim, uma máscara de proteção deve ser descartada com todo cuidado que um resíduo hospitalar exige. Não no lixo comum, sem cuidado algum. Muito menos na praia. É preciso lembrar, sempre, que não existe “jogar fora”. O planeta é um só e qualquer descarte irresponsável afeta a natureza e a todos os seres vivos.

Vale lembrar que, neste caso, a melhor opção para se proteger contra a COVID-19 são as máscaras duráveis, feitas de tecido, que se tornaram bastante populares no mundo, logo no início da pandemia, com a campanha tcheca Masks4All. No Brasil, com a indisponibilidade de máscaras cirúrgicas descartáveis e a recomendação da OMS, do Ministério da Saúde (quando Henrique Mandetta era ministro) e de médicos, foi facilmente adotada.

Mas será que já tem máscaras e luvas no fundo do mar das costas brasileiras? Se você souber, nos avisa pelos comentários?

Fotos: Opération Mer Prore

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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