Máscara de proteção caseira ajuda a evitar o contágio por coronavírus: se precisar sair de casa, não vá sem ela!

No início da quarentena no Brasil, teve gente que se apavorou e logo correu para as farmácias para comprar os estoques de máscaras cirúrgicas disponíveis. Deixaram quem precisa delas, todos os dias, sem. Por causa dessa atitude impensada e egoísta, o preço de um pacote com 50 máscaras descartáveis, que, geralmente, custa 15 reais, foi encontrada por até 500 reais.

E logo o Ministério da Saúde alertou que não era necessário usar máscaras, enfatizando o isolamento e a prática constante de lavar muito bem as mãos ou usar álcool em gel, quando não tiver água e sabão – como as medidas mais eficazes para evitar o contágio e a transmissão por coronavírus. Elas deveriam ser deixadas apenas para pessoas doentes e seus acompanhantes, além dos profissionais de saúde.

O receio de que faltasse esse item do equipamento de proteção nos hospitais do país pode ter pautado a decisão do governo, mas é óbvio que a máscara ajuda a proteger contra a COVID-19 e seria muito bem vinda neste momento. Isso foi verificado em diversos lugares da China, por exemplo, que as adotam diariamente devido ao excesso de poluição. E divulgado.

Mas, se é impossível atender todos os brasileiros com esse produto – imagina a quantidade de máscaras necessárias!!! – porque o Ministério da Saúde não se rendeu logo às benesses da máscara caseira, tão acessível e fácil de fazer? Foi o que o ministro Luiz Henrique Mandetta fez esta semana, em entrevista coletiva à imprensa: divulgou a liberação de seu uso e orientações especificas, que estão publicadas no site.

Devemos ficar atentos ao fato de, logo depois do pico do contágio – entre os meses de abril e maio -, quando a curva começar a diminuir (se tudo correr bem!), algumas pessoas terão que voltar ao trabalho ou vão querer sair porque não aguentamos mais o confinamento, portanto, mais pessoas estarão circulando pelas ruas. Melhor que o façam protegidas, mais acostumadas a lidar com máscaras de proteção.

Antes da fala do ministro, defendi o uso de máscaras caseiras no Facebook e fui bombardeada por uma pessoa que se dizia ser da área de saúde. Além de dizer que não há estudos científicos que garantam sua eficácia – sim, há! – fez uma comparação radical: “liberar a máscara caseira é um erro porque seria o mesmo que usar um patuá“, ou seja, tranquilizaria quem a usasse, tanto que a pessoas poderia se sentir segura e ir pra rua com mais frequência. Como se ela fosse um passaporte para a liberdade. Aconteceu o mesmo com a cantora e compositora brasileiro Blue Bell, quando ela falou de máscara caseira em seu Instagram (conto essa história no final do post).

Ah, é possível que alguém se comporte assim, de forma irresponsável, mesmo. A gente não tem um presidente que faz isso? Mas não dá pra ficar tutelando as pessoas, levando pela mão, e creio que cada um deve se responsabilizar, neste momento tão grave e especial. Se fizer alguma bobagem, sabe que vai se prejudicar e aos demais – e isso inclui a possibilidade da morte.

E quer saber? Creio que não é preciso estudar muito para entender que qualquer tecido grosso que se coloque na frente do rosto se configura uma barreira para perdigotos. Simples assim.

Melhor do que não usar nada!

Reprodução do filme da campanha #Maks4All

Como mostrou a campanha da República Tcheca #Masks4All sobre a qual escrevi, aqui no site, que ensinou o mundo a lição aprendida pelos cidadãos: na falta da proteção ideal – máscaras potentes como as cirúrgicas -, é melhor usar a caseira do que não usar nada!

Os tchecos se uniram para atender o apelo dos hospitais que estavam ficando sem essa proteção e, em seguida, criaram uma corrente de solidariedade que produziu máscaras para todos. Foi incrível ver mulheres, homens, jovens e velhos comprometidos com um bem comum. E a diversidade de modelos, cores, estamos que criaram? Inspiraram o mundo a fazer o mesmo. Basta ver a infinidade de posts que estão sendo publicados no Instagram com a hashtag #Masks4All. Muito bacana!

É importante entender que, quando usamos máscara, protegemos o outro de um possível contágio por meio de nossos perdigotos, aquelas gotículas de saliva que expelimos ao falar e principalmente ao tossir e espirrar. Todos teremos o coronavírus em nossos corpos, isso é inevitável. Mas a maioria não apresentará sintomas, só que, infectado, se transformará num potencial transmissor.

“Eu protejo você, você me protege e nos estamos seguros”

Just Be Purses, com a hashtag #Maskfs4All. no Instagram: esta senhora
tem 86 anos e sua filha produziu esta máscara pra Lea, para que pudesse caminhar durante a quarentena

Por isso, aderir à mascara caseira – com todo cuidado – é um ato de amor e de empatia. Como bem explica o slogan da campanha tcheca: “eu protejo você, você me protege e nos sentimos seguros”. É isso. O que vem a seguir, é aprendizado.

Listei algumas medidas importantes que assimilei estes dias, inclusive da cartilha lançada pelo Ministério da Saúde, que reproduzo abaixo:

– os tecidos de algodão (com trama bem fechada) são os mais indicados, mas tricoline, TNT e tecidos de malha, também podem ser usados;
– o Ministério da Saude incentiva, inclusive, o reuso de peças como camisetas ou cuecas para fazer a máscara; vi num site chinês, gente que usou sutiã para produzir suas máscaras (na parte final deste post, mostro o vídeo de uma cantora brasileira que fez o mesmo);
– as máscaras devem ter sempre camada dupla ou tripla de tecido, para proteger bem, mas fique atento porque, se forem muito grossas, podem incomodar e, certamente, você vai ficar mexendo;
– ao optar por produzir o modelo instantâneo – que você faz com um pedaço de tecido quadrado e dois elásticos, antes de sair de casa – é preciso que suas mãos estejam muito bem higienizadas, além dos materiais e da superfície onde você vai fazer a máscara;
– ao colocá-la no rosto, pegue nos elásticos, encaixe-os atrás das orelhas e ajuste a máscara sem tocar na parte que cobre o nariz para evitar qualquer contaminação; procure puxar por baixo e pelos lados;
– na rua, não toque na máscara – que exercício de presença! – e leve sempre álcool em gel para manter as mãos limpas;
– a máscara caseira protege apenas por duas horas (no máximo, três horas), depois é preciso trocá-la;
– se for demorar mais do que esse tempo na rua, leve outra máscara na bolsa ou no bolso, mas sempre protegida por um plástico higienizado e, procure um local seguro para trocá-la (lavando as mãos ao tirar uma e lavando as mãos novamente ao colocar a outra;
guarde a máscara usada dentro do plástico, não a coloque na bolsa, nem no bolso, solta;
– ao chegar em casa, lave bem a(s) máscara(s) com água e sabão ou com uma solução de hidriclorito (receita na garrafa do alvejante), como indica o Ministério da Saúde;
– deixe-a(s) secar em lugar ventilado e, se possível, ao sol (que desinfeta tudo);
– máscara de proteção é pessoal e intransferível, portanto, não as compartilhe, mesmo depois de lavadas.

Se não quiser ter o trabalho de fazer uma máscara rápida toda vez que sair de casa, compre pronta. O que não falta é opção. Inspirada pelos tchecos e pela liberação do Ministério da Saúde, muita gente fez intensivão nos tutoriais da internet e tirou a máquina de costura do armário para produzir suas próprias máscaras, mas também para a família, os amigos, os filhos, os vizinhos. Costureiras que perderam seus trabalhos por causa da quarentena também aderiram. Diversos sites também já estão vendendo modelos: dos simples aos mais elaborados, com corte mais anatômico, com elástico ou com fitas para amarrar na nuca. Quem sabe não estão despontando novos negócios neste cenário de pandemia.

Novo acessório contra a COVID-19

Karolina Sramlova, em seu perfil no Instagram, adere à campanha com a hashtag #Masks4All

Esta semana, brinquei com um amigo quando disse que a máscara veio pra ficar, que “virou tendência” porque parece que não deixará de fazer parte do figurino dos brasileiros tão cedo. Ainda estamos no início da quarentena – na terceira semana -, pra dizer isso, mas é bem provável que não deixemos mais de usá-la.

Foi o que profetizou o biólogo e virologista Átila Iamarino, no programa Roda Viva, do qual participou em 30/3. Ele foi taxativo e disse que, nas cidades em que as pessoas costumam usar máscaras, por causa da poluição, houve menos contágio.

E ressaltou que, mesmo depois de anunciado o fim da pandemia, “todo mundo vai ter que usar máscara por uns bons meses, e a indústria tem que se adequar”. Mal sabia ele que o governo liberaria o uso de máscaras caseiras.

Átila ainda alertou para o fato de que certamente virão outras epidemias graves como a da gripe aviária, por exemplo, que é perigosíssima, parece estar sob controle, mas pode estourar como o corona. Temos que estar preparados para um futuro que exigirá mais cuidados de todos nós.

Fique em casa! Saia somente quando for imprescindível e, quando o fizer, use a máscara caseira, proteja-se e tome cuidado ao usá-la, seguindo as recomendações de higiene. Mascare-se!

E se encontrar alguém que é contra, argumente com tudo que leu aqui e, se não adiantar, faça como a cantora e compositora brasileira Blue Bell fez em seu Instragram esta semana: “dê um Google” e encontre pesquisas, estudos e argumentos bacanas para argumentar sua escolha.

Ela fez exatamente isso e encontrou duas reportagens interessantes, uma do jornal Washington Post e outra do NY Times, que defendem o uso de máscaras caseiras “porque podem achatar a curva de transmissão”. A do WP diz, ainda, que há mais de 30 papers ou estudos publicados que confirmam sua eficácia para conter o contágio, e nenhum estudo dizendo o contrário. É o que salienta a jornalista Lucia Helena Oliveira, em artigo publicado em seu blog: ela entrevistou diversos especialistas e defende o uso de máscaras para conter o vírus.

Em seguida, reproduzo uma animação muito bonitinha, feita pela artista mexicana Gabriela Ayala, que encontrei no Instagram por meio da hashtag #Masks4All. Ela tem feito desenhos lindos sobre o medo nesta quarentena: a personagem está sempre usando máscara.

Foto: montagem com reproduções de perfis no Instagram (destaque) e reproduções do Instagram

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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