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Marlim-azul com pneu atravessado no bico é encontrado morto em praia de Santa Catarina

Marlim-azul com pneu atravessado no bico é encontrado morto em praia de Santa Catarina

Esta é mais uma daquelas imagens chocantes, consequência da poluição nos oceanos do planeta. O marlim-azul (Makaira nigricans), com mais de 3 metros de comprimento e cerca de 400 kg, foi encontrado há poucos dias em Balneário Piçarras, em Santa Catarina. O peixe tinha um pneu atravessado em seu longo bico.

O fotógrafo Mauricio Guartelá, que fez imagens do animal morto – a cabeça já estava separada do corpo -, usou suas redes sociais para chamar a atenção sobre o caso.

“É de partir o coração ver o impacto que nós, seres humanos, causamos na natureza. Nossos resíduos estão matando vidas que nem têm culpa da nossa falta de cuidado”, escreveu ele. “E por mais que doa, essa imagem precisa existir.
Porque ela escancara o que muitos insistem em não ver. O problema não é o lixo.
O problema é o descarte. É a falta de gestão. É o descuido disfarçado de rotina.
Já estive em muitos lugares do mundo, e sim existem países com níveis de poluição muito piores que o Brasil.
Mas isso não pode ser desculpa.
Pelo contrário, deveria ser o combustível pra gente mudar, repensar e agir.”

Marlim-azul com pneu atravessado no bico é encontrado morto em praia de Santa Catarina
Tragédia provocada pela poluição marinha
Foto: Maurício Guartelá

Guartelá também revelou que entrou imediatamente em contato com a equipe do Museu Oceanográfico da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), localizado na região, que se prontificou a coletar o marlim para deixá-lo exposto como um alerta sobre a poluição marinha. “Que essa triste cena sirva como alerta e ferramenta de educação ambiental”, ressaltou o fotógrafo.

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Casos similares já foram registrados

Depois que o vídeo e as fotos foram divulgados nas redes sociais, muitos internautas duvidaram do registro. Alguns acusaram Guartelá de ter “montado a cena”, já que ela parecia improvável. Mas o pesquisador e curador do Museu Oceanográfico da Univali, Jules Soto, confirmou que, infelizmente, mortes assim não são tão incomuns.

“O que aconteceu é fato. Todo o material foi recolhido pelo museu. O bico foi transpassado de tal forma, com a pressão da estrutura e da lona do pneu, que tem malha de aço, inclusive, que a gente achou melhor nem remover o bico dali”, disse Soto. “Sei que estamos vivendo tempos difíceis em relação à veracidade de alguns fatos, mas é verdade. O marlim transpassou o pneu, acabou morrendo e como ele é muito grande, a cabeça rasgou do próprio corpo.”

Marlim-azul com pneu atravessado no bico é encontrado morto em praia de Santa Catarina
Improvável, mas real: morte foi provocada pelo pneu
Foto: Maurício Guartelá

O curador do museu confirmou ainda que já existem outros relatos semelhantes na literatura científica, de marlins que transpassaram estruturas e morreram por causa disso (veja outros casos, envolvendo pneus e outras espécies de animais, no Leia também, mais abaixo).

“Em tempos de COP30, será que a gente tá realmente disposto a fazer diferente?
Ou seguimos apenas discutindo, apontando culpados e lavando as mãos? Eu ainda tenho esperança.
E acredito que, de alguma forma, a fotografia pode ser essa ponte entre o impacto e a mudança.
Que ela continue sendo o meu instrumento pra provocar, pra tocar e pra transformar. Porque no fim das contas, é isso:
a natureza tá gritando, e talvez o clique seja o primeiro passo pra gente escutar”, destacou Guartelá.

O marlim-azul é o maior dentre todas as espécies de marlins que existem. Ele pode atingir até 5 metros de comprimento. Muito veloz, é observado em alto mar, em águas mornas, de regiões tropicais, do Oceano Atlântico. Uma de suas principais ameaças é a pescaria esportiva.

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Foto de abertura: Mauricio Guartelá

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