Marielle Franco é homenageada pelo músico britânico Roger Waters, em nova turnê nos EUA

Roger Waters, ex-baixista do Pink Floyd, é conhecido no mundo por seu ativismo político. Quando esteve no Brasil, em 2018, durante os shows que fez em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Salvador, alertou para o risco do avanço do conservadorismo no mundo. Quem lembra? Contamos aqui.

Projetou no telão os nomes de lideranças da extrema-direita global, como o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Bolsonaro, que havia passado para o segundo turno das eleições, com Haddad, e, no último show do artista, já havia sido eleito.

Muitos fãs não gostaram, mas este não é um privilégio dos brasileiros. O músico britânico continuou denunciando Bolsonaro e outros fascínoras pelo mundo e homenagem ativistas.

Agora, nos shows da nova turnê – This is Not a Drill –, nos Estados Unidos, antes de começar a cantar, avisa: 

“Se você é uma daquelas pessoas do tipo ‘eu amo o Pink Floyd, mas não suporto a política do Roger’, você pode ir para o bar agora. Obrigado!” (veja, no vídeo em inglês, gravado em Pittsburgh, na Pensilvânia, no final deste post).

Os shows de Waters também têm sido marcados por uma homenagem potente a Marielle Franco que, para o artista, é uma das principais figuras entre os defensores dos direitos humanos no mundo.

No telão que compõe o cenário, é exibido o nome da vereadora assassinada em 2018, no Rio de Janeiro, como mostra a foto de destaque deste post. E o músico conta que, por ‘criticar policiais’ (certamente, as milícias, já que ela se preocupava com a situação dos policiais na cidade), Marielle foi ‘punida com a morte’.

A imagem viralizou nas redes sociais, nos perfis de admiradores, colegas e do partido que representava na Câmara de Vereadores, o PSoL

Ainda há suspeitas sobre o envolvimento da família Bolsonaro em sua morte, mas as investigações estão paralisadas e a pergunta ‘Quem mandou matar Marielle Franco? E por quê?’, repetida há 1.605 dias pela jornalista Eliane Brum, em seu Twitter, continua ecoando.

Lute como ela, como ele…

Esta não é a primeira vez que Waters homenageia Marielle num show. No Rio de Janeiro, no Maracanã, sete meses depois do assassinato, em outubro de 2018, ele recebeu no palco a companheira, a irmã e a filha da vereadora.

Ele vestia uma camiseta com a frase ‘Lute como Marielle Franco’, igual a de suas convidadas. Todos falaram e ele salientou que, como Marielle, também defendia os direitos humanos. Foi emocionante. 

Tomara que, se o músico britânico vier ao Brasil com esta turnê, já tenhamos escolhido um novo presidente e possamos celebrar. Um presidente que, a partir de 1º de janeiro de 2023, tornará possível o resgate da democracia, a reconstrução do país e a esperança no futuro.

Uma estátua para Marielle

Em 27 de julho, Marielle Franco completaria 43 anos. Para a família e os amigos, essa data, este ano, ganhou uma dimensão ainda maior para celebração de sua memória – “e de todos e de todas que ela defendia” , para sempre.

Foi inaugurada no Buraco do Leme, no centro do Rio, uma estátua em sua homenagem. E cada detalhe que envolve a obra foi pensada de maneira muito especial, como o local, por exemplo: Marielle ia nessa praça, todas às sextas-feiras, para prestar contas de sua atuação como vereadora ao público.

A obra, em tamanho natural (1,75m), foi esculpida por Edgar Duvivier (pai do humorista Gregório Duvivier) com base numa criação coletiva, que contou com ‘pitacos’ do artista, da família de Marielle e também do público das redes sociais a partir de consulta pública feita pelo Instituto Marielle Franco.

“Que a prática política da celebração da vida e do encontro que Marielle nos ensinou possa fazer com que celebremos as nossas, ainda em vida, e celebremos a nossa memória”, declarou o Instituto Marielle Franco em post no Instagram.

A inauguração da estátua de Marielle no Buraco do Lume – Foto: reprodução vídeo
A estátua em registro de Edgar Duvivier / Arquivo pessoal

Agora, assista ao momento em que Waters, antes de começar o show da nova turnê, dá um aviso especial aos fãs que não gostam de política:

Foto (destaque): reprodução do Twitter/PSoL

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.