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Marcel Gomes recebe um dos mais importantes prêmios de meio ambiente por investigação jornalística sobre desmatamento

Marcel Gomes recebe um dos mais importantes prêmios de meio ambiente por investigação jornalística sobre desmatamento

Em 2021, a Repórter Brasil publicou uma longa investigação jornalística que denunciava os elos que conectavam a pecuária ao desmatamento na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal, e com supermercados na Europa e nos Estados Unidos. A reportagem, que era fruto de um longo e detalhado trabalho de vários meses e contou com o apoio da organização Mighty Earth, mostrava como a carne produzida pela multinacional brasileira JBS, proveniente de áreas desmatadas, iria parar nas prateleiras das principais redes de varejo internacionais.

Graças à repercussão em vários países da investigação, que conseguiu rastrear toda essa cadeia, seis grandes redes varejistas da França, Holanda e Reino Unido suspenderam a venda de produtos de proteína animal comercializados por companhias brasileiras.

Todo o trabalho de investigação foi coordenado pelo jornalista Marcel Gomes, secretário-executivo da Repórter Brasil, uma organização sem fins-lucrativos. Por causa da relevância e importância da denúncia e de seu impacto, o brasileiro está entre os seis escolhidos para receber o Goldman Environmental Prize 2024, prêmio considerado um “Nobel do ambientalismo”.

“Marcel Gomes coordenou uma campanha internacional complexa que ligava diretamente a carne bovina da JBS, o maior frigorífico do mundo, ao desmatamento ilegal nos ecossistemas mais ameaçados do Brasil. Munidos de evidências detalhadas de seu relatório investigativo inovador, Marcel e a Repórter Brasil trabalharam com parceiros para pressionar os varejistas globais a pararem de vender carne de origem ilegal em dezembro de 2021”, diz o Prêmio Goldman de Meio Ambiente em seu site.

A entrega da premiação acontece na noite desta segunda-feira (29/04), durante uma cerimônia em São Francisco, na Califórnia (EUA).

“É um prêmio que reconheceu o impacto que o jornalismo pode ter para proteger o meio ambiente e melhorar a vida das pessoas. A Repórter Brasil foi capaz de fazer o rastreamento da cadeia da carne brasileira da fazenda até os supermercados no exterior, o que empresas diziam não ser possível fazer”, afirmou Marcel ao Conexão Planeta por mensagem.

Denúncias contra a JBS

Maior produtora de carne do mundo, a JBS foi fundada pelo empresário José Batista Sobrinho e é comandada por seus filhos, os irmãos Joesley e Wesley Batista. Os dois estão envolvidos em uma série de escândalos, já foram investigados e o primeiro deles preso em duas ocasiões. A companhia fez um acordo de leniência com a justiça por práticas ilegais que ultrapassou o valor de 10 bilhões de reais.

Não bastasse esse histórico, a JBS sofre com denúncias e processos em outros países por sua suposta associação com o desmatamento no Brasil. Entre sua rede de fornecedores estão empresas que destroem o bioma para expandir o cultivo da soja e da pecuária.

Em março deste ano, o Estado de Nova York entrou com uma ação contra a JBS. No processo, a Procuradora-Geral Letitia James acusa a multinacional de “alegações enganosas” sobre suas metas de redução de emissões de gases de efeito estufa em campanhas divulgadas nos Estados Unidos com o único intuito de aumentar suas vendas e com isso, enganar consumidores preocupados com a questão ambiental.

“O governo federal [Brasil] precisa desenvolver um sistema de rastreamento público, transparente e mandatório para todas as empresas do setor. É nessa linha que a sociedade civil tem dialogado com o atual governo, mas com avanços muito lentos”, diz Marcel.

Marcel Gomes recebe um dos mais importantes prêmios de meio ambiente por investigação jornalística sobre desmatamento

Área desmatada para criação de gado
Foto: Fernando Martinho para a Repórter Brasil

Goldman Environmental Prize, o “Nobel” do Ambientalismo

Na edição 2023 do Goldman Environmental Prize, Alessandra Korap foi premiada por sua luta contra a mineração. Antes dela, outros três brasileiros também foram homenageados: Carlos Alberto Ricardo, mais conhecido como Beto Ricardo (1992), Marina Silva (1996) e Tarcísio Feitosa da Silva (2006).

Lançado por Richard e Rhoda Goldman em 1989, o prêmio foi entregue pela primeira vez em 1990 e, desde então, é concedido anualmente a seis ativistas de diferentes regiões da África, Ásia, Europa, Ilhas e Nações-Ilhas, e Américas do Norte, do Sul e Central.

Seu objetivo é reconhecer indivíduos comuns como líderes por suas “realizações notáveis na proteção do meio ambiente e dos recursos naturais, promovendo a participação cidadã ou da comunidade, de forma que chame a atenção do público inspirando-o a participar de ações urgentes”.

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Foto de abertura: divulgação Goldman Environmental Prize

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