Mancha de óleo chega a região de corais e algumas das praias mais famosas dos litorais da Bahia e de Alagoas

Mancha de óleo chega a região de corais e algumas das praias mais famosas dos litorais da Bahia e de Alagoas

Fica cada vez maior a lista de praias atingidas pela mancha de óleo, que desde o começo de setembro, polui o litoral nordestino. E ainda não se tem uma ideia qualquer de quem tenha sido responsável por esse grave crime ambiental e quanto óleo ainda existe em alto mar – a única coisa que as autoridades brasileiras afirmam é que a substância, petróleo cru, não foi produzida no Brasil e tem origem na Venezuela.

Nos últimos dias, o óleo chegou a algumas das praias mais famosas e visitadas por turistas: como Barra de São Miguel, Maragogi (inclusive suas piscinas naturais), Ponta Verde e do Gunga, em Alagoas; Canoa Quebrada, Jericoacoara e Morro Branco, no Ceará; e Pipa, Ponta Negra e São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte. A limpeza já foi realizada na maioria desses lugares, mas o impacto sobre o turismo é enorme e também, sobre a vida marinha.

Mancha de óleo chega a região de corais e algumas das praias mais famosas dos litorais da Bahia e de Alagoas

Óleo na areia da praia alagoana de Maragogi

Ontem (17/10), diversas manchas foram avistadas, em alto mar, entre o litoral de Sergipe e Alagoas. A maior delas tinha mais de 3 metros de largura. Antes que chegassem à praia, equipes de órgãos ambientais conseguiram recolher o petróleo. Foram recolhidas mais de 1 tonelada da substância. O local atingido faz parte da área de preservação ambiental Costa dos Corais.

O óleo chegou ainda às praias de Jaburu, Tairu e Cacha Pregos, na Baía de Todos os Santos, na Bahia, outra importante área de recife de corais e utilizada por pescadores e marisqueiras das comunidades locais.

Mancha de óleo chega a região de corais e algumas das praias mais famosas dos litorais da Bahia e de Alagoas

Pescadores olham, consternados, a poluição

No meio da semana, relatos de internautas também deram conta de que a poluição havia atingido Porto de Pedras, em Alagoas, onde há um projeto de proteção de algumas espécies de peixe-boi.

Os números oficiais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) informam que são 187 localidades (praias) afetadas, em 77 municípios, nos nove estados do Nordeste.

De acordo com o órgão, 15 tartarugas marinhas e duas aves foram encontradas sem vida. Outras onze tartarugas foram resgatadas, sujas com óleo e 486 filhotes capturados preventivamente.

Apesar dos dados acima, números não oficiais, de organizações de proteção ambiental, indicam que já são dezenas de tartarugas e filhotes mortos. Há dois, o Projeto Tamar informou o óbito de, ao menos, dez filhotes, nas praias baianas. Já balanço do Instituto Verdeluz aponta que só no Ceará, desde o início do aparecimento das manchas de óleo, foram encontradas 21 tartarugas mortas.

Segundo um estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o vazamento de óleo pode ter ocorrido em uma área entre 600 km e 700 km da costa, na altura dos estados de Sergipe e Alagoas. A Marinha continua investigando que navios teriam passado pela região na época em que se acredita que o desastre ocorreu e que tipo de carga estariam transportando.

*Com informações da Folha de S. Paulo, Veja e El País

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Fotos: reprodução TV Globo e Felipe Brasil/Fotos Públicas

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em “Mancha de óleo chega a região de corais e algumas das praias mais famosas dos litorais da Bahia e de Alagoas

  • 19 de outubro de 2019 em 12:41 AM
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    Não é verdade o que afirmam. A universidade de Sergipe e os barris com logo da Shell confirmam que o petróleo não é da Venezuela.

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