Mais uma médica brasileira na linha de frente do combate ao coronavírus é homenageada pela Turma da Mônica

Mais uma médica brasileira na linha de frente do combate ao coronavírus é homenageada pela Turma da Mônica

São milhares e milhares de profissionais de saúde no Brasil e no mundo todo que estão se dedicando arduamente – e muitos, colocando a própria vida em risco – para conter a pandemia do novo coronavírus e tratar os pacientes contaminados pela COVID-19.

Em março, conforme escrevi neste outro post, a Mauricio de Sousa Produções já tinha homenageado duas médicas brasileiras: Ester Cerdeira Sabino e Jaqueline Goes de Jesus, que realizaram um feito impressionante, ao decifrar, em apenas 24 horas, o genoma do coronavírus, dois dias após o registro do primeiro caso da doença no país.

Para reconhecer o trabalho de ambas, foram criadas duas novas personagens do Donas da Rua da Ciência*, espaço que resgata a trajetória de pesquisadoras e cientistas que marcaram a humanidade com suas ações.

Agora, mais uma médica do país ganha a mesma homenagem: a infectologista Ho Yeh Li. Foi ela que comandou a operação de repatriação dos brasileiros que estavam em Wuhan, na China, primeiro epicentro da pandemia do coronavírus.

“Demorou um pouco para cair a ficha. No começo, era um trabalho como outro qualquer. Quando vi a dimensão que as coisas tomaram, percebi que fiz algo diferente do que faço todo dia. Poucas pessoas na medicina moderna podem dizer que participaram de um processo de repatriação em plena epidemia de uma doença infectocontagiosa”, diz Ho Yeh.

Mais uma médica brasileira na linha de frente do combate ao coronavírus é homenageada pela Turma da Mônica

A infectologista Ho Yeh Li

Nascida em Taiwan, na China, lá ela foi alfabetizada em taiwanês e mandarim. Veio para o Brasil com a família quando tinha 10 anos. Formada em Medicina e com doutorado em Doenças Infecciosas e Parasitárias pela Universidade de São Paulo, Ho Yeh coordena, desde 2007, a Unidade de Terapia Intensiva da Divisão de Moléstias Infecciosas e Parasitárias do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Atualmente, a profissional é consultora do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde sobre o manejo de pacientes críticos com a COVID-19. No Hospital das Clínicas, é membro do comitê de crise e participa, na linha de frente, da expansão de leitos de UTI, assim como da assistência aos pacientes.

“Vejo o paciente como um todo e acho que todos os médicos precisam entender que seus pacientes não são um cérebro ou um coração ou um rim, que todos os órgãos são interligados”, acredita.

Durante seu trabalho nos últimos meses, a profissional acabou sendo contaminada pelo coronavírus. Sentiu os primeiros sintomas, muito cansaço e dores musculares, no dia 2 de abril, subindo uma escada no hospital. Quando estava em casa, teve febre e no dia seguinte, não sentia mais o cheiro da comida.

Ficou duas semanas afastada do HC, sendo monitorada pela família e pelos colegas à distância, mas não conseguiu se desligar de suas obrigações. Continuou tomando decisões, dando opiniões, fazendo recomendações.

Ho Yeh é uma grande incentivadora de jovens, do sexo feminino, que sonham em seguir a medicina. “Escolha a especialidade que gosta, sem se preocupar se é considerada mais “masculina” ou “feminina”. Isso está diminuindo e espero que um dia acabe. Fazer aquilo que se gosta é fundamental para você se sentir recompensada”, aconselha. “Ainda enfrentamos mais dificuldades para assumir coordenações. Portanto, precisamos mostrar mais conhecimentos, mais expertise, mais firmeza.” 

*O projeto Donas da Rua foi criado em 2016, com o apoio da ONU Mulheres. Estão lá grandes nomes do universo feminino, como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Frida Kahlo, Lygia Clark, Marie Curie, Rachel de Queiroz e Bertha Lutz. E agora, Ho Yeh Li.

*Com informações do site Somos Todas #DonasDaRua e do canal Universa do Portal UOL

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Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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