Mais de 600 animais silvestres morrem em um dos maiores centros de tratamento do Ibama

Este é mais um exemplo do descaso que caracteriza a gestão do antiministro Ricardo Salles, no governo Bolsonaro.

Após denúncia anônima, ontem, 22/2, peritos da Polícia Federal visitaram o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), instalado na Floresta Nacional Mário Xavier (FLONA), em Seropédica, na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro. 

Lá, encontraram um cenário de horror. Animais de variadas espécies – macacos, cobras e, principalmente, aves – abandonados, feridos, em situação de desnutrição e inanição, agonizando ou mortos.

Não há funcionários suficientes – apenas quatro! – para cuidarem dos bichos e da limpeza do local. Eles já não dão mais conta dos corpos dos animais mortos, encontrados pelo chão ou em gaiolas ou jaulas.

Foto: reprodução vídeo
Foto: arquivo pessoal

Desde novembro de 2020, mais de 600 animais morreram neste que é um dos maiores centros de tratamento e recuperação de animais silvestres do país.

Mais de 1,2 mil animais vivem (ou viviam) no local, vítimas de tráfico. Assim que se recuperam dos ferimentos, são reintroduzidos na natureza.

Sem tratamento e sem limpeza

Foto: arquivo pessoal

A administração do CETAS/RJ é terceirizada, mas a empresa que cuidava do espaço – RCA – deixou de prestar o serviço no ano passado.

Em 30 de julho,  por e-mail, ela comunicou à superintendência do centro que não tinha interesse em prorrogar o contrato. De acordo com o G1, no mesmo dia o Núcleo de Compras e Contratos do Ibama/Supes informou sobre o cancelamento do serviço aos responsáveis pelo centro de Seropédica.

A responsabilidade pela contratação é do superintendente do Ibama no Rio de Janeiro, Alexandre Dias da Cruz, contra-almirante da reserva da Marinha, que está no cargo desde março de 2019.

Os funcionários contaram (anonimamente) que os animais ficaram sem tratadores durante 47 dias até que um novo contrato foi feito. Neste período, voluntários se mobilizaram para ajudá-los a cuidar dos animais, o que evitou que a mortalidade fosse ainda pior. No entanto, o novo contrato foi rompido em 17 de janeiro.

Com um detalhe: não param de chegar novos animais ao centro. Ontem, por exemplo, sete cobras foram encontradas em Miguel Pereira e encaminhadas para lá.

Duas corujas, um falcão e três gaviões estão há mais de um mês no Cetas/RJ, sem tratamento e sem limpeza adequada, correndo o risco de contrair infecções e piorar dos ferimentos.

Foto: reprodução vídeo

Sem credenciais

Segundo o G1, o Ibama informou que a Corregedoria, a Secretaria de Biodiversidade e a diretoria da instituição foram acionadas para fazer a apuração do caso e adotar as medidas cabíveis.

Tarde, não? Foi preciso uma denúncia para que o assunto ganhasse o noticiário e alguém se prontificasse a tomar alguma atitude.

Vale ressaltar que, na trajetória do superintendente do CETAS/RJ, Alexandre Cruz, não há registro de experiência ou conhecimento na área que justifique sua indicação. O contra-almirante da reserva é responsável pelo centro, mas não tem credenciais para o cargo.

Em agosto do ano passado, cinco meses após assumir a superintendência do órgão, ele substituiu quase metade dos funcionários do Estado responsáveis pelos cuidados dos animais silvestres resgatados do tráfico.

Em julho do mesmo ano, substituiu quatro dos dez tratadores do CETAS/RJ, sem qualquer justificativa para a mudança ou critérios para essa substituição – já terceirizados.

De acordo com reportagem do G1 daquela época, para servidores do Ibama que atuavam na área, a troca resultaria em aumento do número de mortes dos animais silvestres acolhidos, devido à falta de especialistas para prestar esse tipo de serviço. Veja só!

O órgão recebia cerca de 6 mil animais por ano. A maioria era apreendida pela polícia em feiras clandestinas.

E, assim, desde que este senhor assumiu a superintendência do CETAS/RJ, os animais que tanto precisam de cuidados estão entregues à própria sorte.

Agora, é pra isso que os Centros de Triagem de Animais Silvestres existem, Ibama?

Foto: reprodução vídeo

Foto (destaque): reprodução vídeo

Fonte: G1, Ibama

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Um comentário em “Mais de 600 animais silvestres morrem em um dos maiores centros de tratamento do Ibama

  • 23 de fevereiro de 2021 em 2:39 PM
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    Olá! Boa tarde! Com esse tipo de problema acontecendo, ainda querem reduzir verbas para institutos que fiscalizam o meio ambiente no Brasil!! Muito sério oque está acontecendo! ! Obrigado! Abraços!

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