Mais de 45 toneladas de resíduos, incluindo lixo hospitalar, já foram recolhidos em praias do Rio Grande do Norte

Mais de 45 toneladas de resíduos, incluindo lixo hospitalar, já foram recolhidos em praias do Rio Grande do Norte

Menos de dois anos após um dos maiores crimes ambientais do país, quando toneladas de óleo contaminaram centenas de praias da costa nordestina, a região enfrenta um novo e misterioso, até agora, desastre. Desde meados da semana passada, uma quantidade assustadora de lixo tem aparecido no litoral sul do Rio Grande do Norte, e também, da Paraíba.

Até este momento, já foram recolhidas cerca de 45 toneladas de resíduos. As praias mais afetadas são as dos municípios de Baía Formosa, Canguaretama, Tibau do Sul e Nísia Floresta.

O mais preocupante é que entre o material retirado da areia – principalmente plástico (garrafas, embalagens) -, foi encontrado lixo hospitalar, como seringas, máscaras e frascos de exames, e com eles, algumas etiquetas de um banco de sangue de Pernambuco. Também já havia sido achada uma mochila com o logo de uma escola pernambucana.

O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) do Rio Grande do Norte informou que entrou em contato com os governos da Paraíba e de Pernambuco para verificar a ocorrência de algum incidente ambiental que possa ter ocasionado o aparecimento do lixo, mas não houve nenhum relato até agora.

Mais de 45 toneladas de resíduos, incluindo lixo hospitalar, já foram recolhidos em praias do Rio Grande do Norte

Material será todo analisado como parte de uma investigação
para descobrir a origem dos resíduos

A Marinha do Brasil também afirmou que não tem conhecimento de nenhum acidente marítimo que possa ter provocado o descarte dos resíduos.

A coleta do lixo está sendo realizada nas praias pelas prefeituras locais e também, por voluntários de organizações não-governamentais, e todo o material ficará guardado para ser analisado e fazer parte de uma investigação.

Tibau do Sul, uma das praias onde a maré trouxe enorme quantidade de lixo, é um importante ponto de desova de tartarugas marinhas.

No mundo inteiro, especialistas alertam que um dos inúmeros efeitos colaterais da pandemia da Covid-19 é o aumento da geração de lixo doméstico e hospitalar. Em vários lugares já foi detectado este problema. Em junho do ano passado, mostramos quando mergulhadores encontraram máscaras e luvas de proteção nas águas da Riviera Francesa.

Mais de 45 toneladas de resíduos, incluindo lixo hospitalar, já foram recolhidos em praias do Rio Grande do Norte

Já foram recolhidas 46 toneladas de lixo

Animais mortos x lixo plástico

No final de semana também foram encontrados animais mortos nas praias do litoral potiguar: três tartarugas e um golfinho. Todavia, uma avaliação inicial feita por pesquisadores do Projeto Cetáceos da Costa Branca, da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, aponta que não há associação entre os óbitos e o lixo.

Apesar de os animais não apresentarem esses detritos em seus estômagos, os pesquisadores alertam que se os resíduos não forem retirados logo da areia, podem voltar ao mar e com o tempo, irão se quebrar em minúsculas partículas plásticas na água e aumentará a chance de que sejam ingeridos por animais marinhos.

Mais de 45 toneladas de resíduos, incluindo lixo hospitalar, já foram recolhidos em praias do Rio Grande do Norte

Quantidade enorme de resíduos na praia de Tibau do Sul

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Fotos: reprodução Facebook Prefeitura Municipal de Nísia Floresta e ONG Oceânica (última imagem)/Marielle Guiso/Raiza Garcia

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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