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Mais de 550 mamíferos marinhos já morreram de gripe aviária no litoral do Rio Grande do Sul

Mais de 370 mamíferos marinhos já morreram de gripe aviária no litoral do Rio Grande do Sul

No começo de outubro autoridades do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmaram o registro dos primeiros casos no Brasil de gripe aviária em mamíferos marinhos. Leões-marinhos tinham sido encontrados mortos no Rio Grande do Sul.

Semanas depois o número de animais mortos no estado, vítimas da influenza aviária de alta patogenicidade, aumentou muito. Em apenas três dias, mais de 140 deles foram enterrados em Santa Vitória do Palmar, no sul gaúcho. Todavia, a prefeitura da cidade acredita que a quantidade de mamíferos marinhos contaminados com o vírus H5N1 deva ser muito maior.

Segundo a plataforma online de consulta do Mapa sobre os casos de gripe aviária no Brasil, as espécies de mamíferos marinhos achadas mortas até agora no litoral do Rio Grande do Sul são o leão-marinho-da-patagônia e o lobo-marinho-sul-americano.

No total, já são mais de 550 mamíferos marinhos mortos em todo o estado. Além de Santa Vitória do Palmar também foram confirmados casos em Torres e Rio Grande.

Casos de contaminação pelo H5N1 também já foram reportados com as mesmas espécies em outros países da América do Sul, entre eles, Peru, Argentina, Uruguai e Chile, onde foram contabilizadas milhares de mortes.

Mamíferos marinhos são infectados com a gripe aviária ao se alimentar de aves doentes.

O Mapa esclarece que apesar das infecções humanas pelo vírus da influenza aviária serem raras, a população deve evitar se aproximar do local onde os focos foram registrados e não se deve tocar em animais doentes ou mortos para prevenir o contágio e a disseminação da doença.

Atualmente já são 132 focos de gripe aviária no Brasil. Cada foco é uma unidade epidemiológica na qual foi diagnosticado pelo menos um caso de H5N1. Foram feitos exames em botos mortos, em Tefé, no Amazonas, mas os resultados deram negativo para a doença.

Até este momento, a grande maioria das ocorrências na costa brasileira foram em aves silvestres, sobretudo da espécie trinta-réis-de-bando. Houve apenas três ocorrências da doença em aves de subsistência, no Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e na Bahia. Mas nenhum criação comercial foi contaminada.

De acordo com nota divulgada pelo governo do Rio Grande do Sul, conforme orientação do Mapa, não haverá mais coletas de material para exames em laboratórios em leões-marinhos, lobos-marinhos e trinta-réis-real encontrados, apenas se uma nova espécie de animal apresentar sintomas de influenza.

Todos os animais mortos são enterrados por recomendação de especialistas. Valas são abertas com retroescavadeiras e tem cerca de 2 metros de profundidade.

No Rio Grande do Sul, casos suspeitos de gripe aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em animais, devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura por meio da Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou pelo Whatsapp (51) 98445-2033.

Mais de 370 mamíferos marinhos já morreram de gripe aviária no litoral do Rio Grande do Sul

Animal sendo recolhido para ser enterrado
(Foto: Ascom Prefeitura de Santa Vitória do Palmar)

A gripe aviária

O vírus H5N1, que provoca a gripe aviária, é altamente contagioso. Poucos dias após a contaminação, os sintomas já ficam visíveis, como paralisia e inchaço de partes do corpo, e vários órgãos param de funcionar. O sistema neurológico é comprometido e os animais começam a apresentar tremores. A taxa de mortalidade chega a 90%.

As aves migratórias, principalmente as aquáticas, são apontadas como as principais responsáveis pela transmissão da gripe aviária.

Em maio o governo federal declarou emergência zoossanitária no país e criou um Centro de Operações de Emergência para coordenar ações nacionais, envolvendo os ministérios da Agricultura e Pecuária, do Meio Ambiente e da Saúde. 

Recomendações à população

– Apesar de rara, pode haver a transmissão da influenza aviária para o homem, por meio do contato direto com aves doentes ou mortas ou ainda por água e objetos contaminados; 

– Não toque ou recolha aves suspeitas, doentes ou mortas;

– Apesar de rara, pode haver a transmissão da influenza aviária para o homem, por meio do contato direto com aves doentes ou mortas ou ainda por água e objetos contaminados; 

– O Brasil continua livre de influenza aviária na criação comercial e mantém seu status de livre de influenza aviária, exportando seus produtos para consumo de forma segura. O consumo de carne e ovos se mantém seguro no país;

– Se notar uma ave com sintomas como tremor, andar cambaleante ou dificuldade respiratória, comunique às autoridades ambientais de sua cidade ou o Serviço Veterinário Oficial, por meio dos contatos disponíveis aqui e/ou pelo e-Sisbravet.

Orientações a produtores

  1. Intensificar as medidas de biosseguridade
  2. Proibir terminantemente qualquer tipo de visita às unidades de produção
  3. Conferir cercamento de núcleo e telamento de galpão
  4. Manter o portão de acesso da propriedade fechado
  5. Desinfecção de veículos em pleno funcionamento
  6. Desinfecção de materiais que acessem a granja
  7. Uso de roupas e calçados exclusivos no acesso à granja
  8. Pedilúvio no acesso aos núcleos e aos galpões
  9. Realização de vazio sanitário
  10. Cuidados com a ração
  11. Cuidados com a água (fonte de qualidade, tratamento, reservatórios íntegros e cobertos)
  12. Controle de pragas
  13. Treinamento de equipe
  14. Restringir criação de aves pelos funcionários
  15. Evitar visitas em locais com aves silvestres
  16. Ausência de outras aves na propriedade
  17. Se participou de evento relacionado ao setor, cumprir vazio sanitário de 72 horas
  18. Se participou de outro tipo troca de roupas e cumprir os protocolos de biosseguridade
  19. Entre outras ações, reforçando todas as medidas adotadas, conforme aInstrução Normativa do MAPA nº 56/2007.

*Texto atualizado em 25/10/23 para informar sobre o resultado do exame negativo para a gripe aviária em botos amazônicos e alterar o número de mamíferos marinhos mortos no Rio Grande do Sul

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Foto de abertura: Ascom Prefeitura de Santa Vitória do Palmar

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