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Mais de 6 mil animais são resgatados em municípios inundados no Rio Grande do Sul 

Atualizado em 7/5/2024

A Brigada Militar, a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul, além da Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros de Santa Catarina e de grupos voluntários resgataram, com vida, mais de 6 mil animais ilhados devido às intensas chuvas que atingiram o estado.

No entanto, esse número deve ser bem maior já que diversos voluntários se uniram de maneira informar para salvar animais abandonados por seus tutores (no desespero, a prioridade é salvar pessoas e deixar os bichos para depois) e, a cada dia, há novos registros de salvamento.

Nesse cenário desesperador, a história de uma moradora de Canoas que se recusou a abandonar seus bichos e ficou com eles no telhado de sua casa, por dois dias, aguardando resgate, vai ficar marcada na história desta tragédia, a maior catástrofe ambiental do RS.  

rio Guaíba atingiu o maior nível em 80 anos e choveu 1/3 do volume esperado para o ano todo; em quatro horas, “desabou” o volume que era previsto para o mês. O governo decretou estado de calamidade pública, com 385 cidades atingidas (do total de 497) pela alta precipitação, que causou transbordamento de rios, rompimento de barragens e deslizamentos de terra.

Mais de 84 pessoas morreram, 111 estão desaparecidas e 276 ficaram feridas. Além disso, 121.957 pessoas tiveram que deixar suas casas e 19.368 estão em abrigos. Cerca de 80% dos municípios do RS estão debaixo d’águano total, quase um milhão de pessoas foram afetadas – e, segundo especialistas, vai demorar dias para o rio Guaíba baixar e ainda há risco com o esvaziamento da Lagoa dos Patos, que pode vazar grande quantidade de água para outros municípios, como Pelotas.

No domingo (5), a Polícia Militar de SC – que está presente no estado desde o início da tragédia – usou helicóptero e barco para resgatar 670 pessoas e 80 animais; na segunda (6), foram mais 92. De quarta a domingo, o Corpo de Bombeiros de SC resgatou outros 200 animais com vida.

Agentes do poder público do RS (citados no início do texto) resgataram mais de 5.400 animais. Voluntários entrevistados pela Agência Brasil disseram que conseguiram salvar, pelo menos, 350.

A maioria dos resgatados é de cães e gatos, mas outras espécies como galinhas (foto de destaque), coelhos, porcos e cavalos também têm sido salvos em situação de risco, ilhados, boa parte em cima dos telhados de casas, em muros e, até, em árvores.

“Quando a água baixar a gente vai ver os que os que morreram”

Carla Ebert, proprietária de um pet shop e de uma creche de animais em Esteio (RS), contou que recepcionou, em um único dia, 50 animais abandonados. Ela relata que pessoas comuns estão resgatando os bichos ilhados e levando-os para um abrigo cedido pela prefeitura.

“É muito animal. É uma coisa absurda. A gente se organizou como pode e as pessoas foram levando os animais”. E lamenta: “A gente vai ver os que morreram quando baixar a água, a gente nem está preparado para isso. É muito triste”.

Nas redes sociais já estão sendo divulgados vídeos produzidos nas zonas rurais, que mostram animais mortos nas estradas e propriedades. São cenas terríveis, que não vamos reproduzir aqui.

Uma das operações mais complexas

GRAD – Grupo de Resposta a Animais em Desastres (ONG que já atuou em grandes tragédias como os incêndios do Pantanal e Brumadinho; e, também, no Rio Grande do Sul, no ano passado) chegou a Porto Alegre em 1º de maio – quatro médicos veterinários e uma bombeira numa caminhonete 4×4 – e está passando por uma das operações mais complexas de sua existência. 

A organização formada por voluntários contou, em seu Instagram, que, em apenas em 2 de maio, realocou cerca de 100 animais nos municípios de Esteio e São Sebastiao do Caí, na região metropolitana de Porto Alegre. 

“É muito animal gente, na pontinha do telhado, preso na janela, é muito animal que está nadando incansavelmente, é muito, muito, não consigo passar um número de tantos animais que são”, contou Carla Sassi, coordenadora do GRAD Brasil (à direita na foto de destaque deste post).

Na ocasião, ela solicitou um barco com motor para ampliar os salvamentos, pois a correnteza estava muito forte. “Os pedidos por resgates não param de chegar, mas muitas áreas continuam inacessíveis. Precisamos aumentar nossa equipe em campo e estamos solicitando apoio de embarcações a motor para salvar o maior número de animais possível”. O GRAD conseguiu o barco. 

O GRAD ainda deve seguir para Taquaras, Caxias do Sul, Lajeado, Arroio do Meio e Muçum. Para manter o trabalho precioso que este grupo de veterinários resgatistas e bombeiros voluntários desenvolve, conta com doações em dinheiro e de materiais, e tem solicitado ajuda em seus posts de atualização no Instagram. 

As doações em dinheiro – não importa a quantia! – devem ser realizadas pelo PIX 54.465.282/0001-21, que é o CGC do GRAD, portanto, confiável (veja aqui outras formas de ajudar).

Entre os materiais solicitados para abastecer o abrigo (trata-se de uma academia de box improvisada) que está recebendo os animais resgatados pela ONG, estão: produtos de limpeza, panos, toalhas, cobertores, potes para alimentação, jornais e paletes. 

Abrigo superlotado

Outra organização que tem atuado no resgate e cuidado de animais ilhados é a Campo Bom pra Cachorro, no município de Campo Bom, na região metropolitana de Porto Alegre, que resgatou 80 animais em um único dia, chegando ao total de 200 animais retirados da água por voluntários.

De acordo com a Agência Brasil, a quantidade de animais resgatados foi tão grande que eles não têm mais espaço para receber novos animais e pedem ajuda de outras pessoas nas redes sociais para que possam acolher, temporariamente, os bichinhos perdidos devido aos alagamentos.  

“Novo Hamburgo está mandando muito cachorro pra cá. A gente não pode mais aceitar animais. Tem gente chegando aqui sendo grosso com a gente, brigando com a gente, querendo a qualquer custo trazer animais de todos os bairros”, desabafou Kayanne Braga, voluntária da organização, em rede social. 

Faltam voluntários que acolham animais, temporariamente

Se você mora no Rio Grande do Sul e pode receber animais resgatados em sua casa, entre em contato com o GRAD ou com a Campo Bom pra Cachorro (pelos perfis no Instagram), e ofereça ajuda.

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Foto: reprodução do Instagram/GRAD 

Fontes: GRAD, Agência Brasil (repórter Lucas Pordeus León), G1

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Carmen Lucia Aguiar
Carmen Lucia Aguiar
12 dias atrás

Que tragédia, anunciada!, infelizmente.
Torcendo muito para que esses animaizinhos sejam resgatados e cuidados!
Espero que haja solidariedade e apoio a quem está lutando pelas vidas deles!
Gratidão a vocês, que estão envolvidos nessa verdadeira catástrofe!
E que os seres humanos possam ter mais consciência, e respeitem mais este maravilhoso planeta!

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