Mais de 300 empresas conclamam Biden a dobrar meta de redução de carbono dos Estados Unidos

Mais de 300 empresas conclamam Biden a dobrar meta de redução de carbono dos Estados Unidos

Apesar de parecer estar comprometido com a questão climática, o novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, tem um desafio e tanto pela frente. Atualmente o país é o segundo maior emissor de gases de efeito estufa (GEE) do mundo, atrás apenas da China, e tem sua economia bastante atrelada aos combustíveis fósseis e ao estímulo ao consumo desenfreado.

Hoje, em uma carta aberta endereçada a Biden, 310 empresas e investidores, que representam juntos U$ 3 trilhões em receita anual e mais de U$ 1 trilhão em ativos, conclamaram o atual governo a diminuir mais sua meta para a redução de emissões de carbono.

“Para restaurar a posição dos Estados Unidos como líder global, precisamos enfrentar a crise climática no ritmo e na escala que ela exige. Especificamente, os Estados Unidos devem adotar uma meta de redução de emissões que colocará o país em um caminho confiável para alcançar emissões líquidas zero até 2050. Portanto, pedimos a adoção de uma meta ambiciosa e viável de reduzir as emissões de GEE em pelo menos 50% abaixo dos níveis de 2005 até 2030″, escrevem os signatários da carta.

Atualmente a meta dos Estados Unidos, apresentada às Nações Unidas, como parte do Acordo do Clima de Paris, ainda sob o governo de Barack Obama, era de cortar as emissões entre 26% e 28% até 2025, em relação aos índices de 2005.

Assinam a carta aberta gigantes multinacionais como Apple, Google, McDonalds, Walmart, IKEA, Johnson & Johnson, Siemens, Bayer, eBay, Target, Coca-Cola, Starbucks, Nestlé, Patagonia, Nike, Facebook, Microsoft, dentre outras. A brasileira Natura também aderiu ao documento.

“Uma meta ousada para 2030 é necessária para catalisar um futuro de zero emissões, estimular uma recuperação econômica robusta, criar milhões de empregos bem remunerados e permitir que os Estados Unidos “reconstruam melhor” da pandemia. Novos investimentos em energia limpa, eficiência energética e transporte limpo podem construir uma economia americana forte, mais equitativa e inclusiva”, afirmam as companhias.

Elas ressaltam ainda que uma nova meta fará com que o país tenha uma infraestrutura mais sustentável e resiliente e melhores práticas agrícolas. “Por fim, o compromisso inspiraria outras nações industrializadas a definir suas próprias metas ousadas”, diz o texto.

As empresas destacam que estão levando em conta a ciência no planejamento de seus negócios e assim, definindo metas próprias de redução de gases de efeito estufa. “O setor privado comprou energia renovável a taxas recordes e, junto com inúmeras cidades em todo o país, muitos se comprometeram com um futuro de zero emissões líquidas. Se você (Biden) elevar o nível de nossa ambição nacional, aumentaremos nossas próprias ambições… Sr. Presidente, pedimos que invista em um futuro resiliente, economicamente sólido e com zero emissões líquidas para todos. Você pode contar com nosso apoio”, se comprometem os signatários da carta.

Uma das primeiras medidas tomadas por Biden logo após sua posse foi colocar os Estados Unidos de volta ao Acordo do Clima. Seu antecessor, Donald Trump, havia retirado os americanos do tratado, assinado por quase 200 países, em 2015, para reduzir as emissões de carbono e dessa maneira, tentar frear o aumento da temperatura na Terra (leia mais aqui).

Nos próximos dias 22 e 23 de abril, a Casa Branca sediará um encontro virtual sobre o clima. Biden convidou representantes de 40 países para participarem do “Leaders Summit on Climate”, entre eles, o Brasil (leia mais aqui).

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Foto: reprodução Facebook President Joe Biden/@POTUS

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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