Mais de 15% das espécies de libélulas do mundo estão em risco de extinção devido à degradação de rios e pântanos

Mais de 15% das espécies de libélulas do mundo estão em risco de extinção devido à degradação de rios e pântanos

Um novo levantamento divulgado há poucos dias pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), organização que avalia as condições de sobrevivência de milhares de animais e plantas no planeta, alerta que 16% das 6.016 espécies de libélulas do mundo estão ameaçadas de extinção. O declínio em suas populações se deve à degradação de seus habitats: criadouros de água doce, como pântanos e rios.

Segundo o relatório da IUCN, a situação mais crítica é no sul e sudeste da Ásia, onde mais de 25% das espécies desses insetos correm risco de desaparecer. Naqueles países, cresce o desmatamento de áreas úmidas e de floresta tropical para abrir espaço para plantações como o óleo de palma.

Já nas Américas do Sul e Central, a principal causa para a diminuição nos números de libélulas é a expansão urbana, que avança sobre florestas e matas com a finalidade de construir novos condomínios residenciais e empresariais. Os especialistas da organização ressaltam que esses animais sofrem ainda um grave impacto com o uso excessivo de pesticidas na agricultura. Por último, as mudanças climáticas também têm contribuído para o extermínio de diversas espécies de libélulas.

“As libélulas são indicadoras altamente sensíveis do estado dos ecossistemas de água doce, e esta primeira avaliação global finalmente revela a escala de seu declínio. Ela também fornece uma linha de base essencial que podemos usar para medir o impacto dos esforços de conservação ”, diz Viola Clausnitzer, co-presidente do Grupo de Especialistas em Libélula da IUCN. “Para conservar esses belos insetos, é fundamental que os governos, a agricultura e a indústria considerem a proteção dos ecossistemas das zonas úmidas em projetos de desenvolvimento, por exemplo, protegendo habitats importantes e dedicando espaço às zonas úmidas urbanas”.

“Ao revelar a perda global de libélulas, a Lista Vermelha de hoje ressalta a necessidade urgente de proteger os pântanos do mundo e a rica tapeçaria de vida que eles abrigam. Globalmente, esses ecossistemas estão desaparecendo três vezes mais rápido do que as florestas”, alerta Bruno Oberle, diretor geral da IUCN. “Pântanos e outras áreas úmidas podem parecer improdutivos e inóspitos para os humanos, mas na verdade eles nos fornecem serviços essenciais. Eles armazenam carbono, fornecem água potável e alimentos, protegem-nos de inundações e também oferecem habitats para uma em cada dez espécies conhecidas no mundo”.

Com esta atualização na Lista Vermelha da IUCN, pela primeira vez, passa de 40 mil o número de espécies ameaçadas de extinção.

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Foto: divulgação IUCN/Jens Kipping

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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