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Mais de 1.300 pessoas morrem com calor extremo em peregrinação à Meca

Mais de 1.300 pessoas morrem com calor extremo em peregrinação à Meca

A Arábia Saudita registrou nos últimos dias temperaturas que ultrapassaram os 50oC. A forte onda de calor coincidiu justamente com o Hajj, a peregrinação anual dos muçulmanos à cidade sagrada de Meca, onde nasceu e está enterrado o profeta Maomé. Este ano, as autoridades estimaram em quase 2 milhões as pessoas presentes. E por causa das condições extremas climáticas, 1.300 acabaram morrendo.

O número foi confirmado pelo governo saudita, que afirmou, no entanto, que os mortos são peregrinos não autorizados, que não tinham o registro oficial para participar do evento. Anualmente é concedida uma quantidade limite desses “passaportes”. Todavia, há uma indústria ilegal que opera um comércio fraudulento de passes.

Acontece é que, aqueles que detêm a permissão legal, podem usar ônibus refrigerados e descansar em tendas com ar-condicionado para chegar até Meca e os demais precisam caminhar horas e horas embaixo do sol excruciante.

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2024 não é o primeiro ano em que peregrinos morrem por causa do calor na Arábia Saudita. No ano passado, pelo menos 774 pessoas da Indonésia perderam a vida durante a jornada, que, segundo os preceitos da religião islâmica, se tiverem condições, seus seguidores devem ir à Meca pelo menos uma vez na vida. Além da importância por causa do nascimento de Maomé, a cidade abriga ainda a Mesquita de Ka’bah, que no centro possui um cubo que guarda a pedra negra que Deus teria enviado a Adão para a remissão dos pecados.

Mais de 1.300 pessoas morrem com calor extremo em peregrinação à Meca

Aglomeração em Ka’bah: temperatura na Arábia Saudita passou dos 50oC nos últimos dias
Foto: Fadi El Binni / Creative Commons / Flickr

Temperaturas recordes e mortes no Hemisfério Norte

E não é só a Arábia Saudita que enfrenta temperaturais letais. De acordo com informações do Ministério da Saúde da Índia, entre março e junho deste ano, há 40 mil casos suspeitos de mortes associadas com o calor.

O governo indiano só considera que há uma onda de calor extremo quando os termômetros marcam mais de 40oC. Contudo, nas últimas semanas, na capital Nova Delhi, a temperatura chegou a 51oC. Num país em que grande parte da população vive na extrema pobreza, com muitos dormindo e passando o dia na rua, as pessoas ficam muito mais vulneráveis aos extremos climáticos.

Nos Estados Unidos, também foi emitido um alerta nos últimos dias para os moradores da costa leste, que amargaram temperaturas recordes. E o verão está apenas começando.

Em 2023, um meteorologista batizou as ondas de calor nos EUA com nomes de companhias de petróleo para deixar bem claro quem são os principais responsáveis por essas anomalias climáticas. Guy Walton foi apresentador do tempo durante 30 anos no Weather Channel, em Atlanta, e possui um blog. “Minha intenção é envergonhá-las e e identificar os culpados que estão exacerbando esses sistemas mortais”, diz ele.

Especialistas em clima afirmam de que não há dúvida nenhuma que essas temperaturas completamente surreais são um efeito direto das mudanças climáticas, causadas pelas emissões de gases de efeito estufa na atmosfera terrestre.

Documentos já revelaram que desde a década de 70 empresas petrolíferas sabiam que a exploração dos combustíveis fósseis faria com que a temperatura global aumentasse. Mas decidiram se manter quietas e continuar a obter lucros bilionários com seus negócios, enquanto a concentração de gases no planeta aumentava mais a cada dia.

“Trinta anos atrás, as nações do mundo concordaram em evitar a perigosa interferência humana no sistema climático. Mas o que são “mudanças climáticas perigosas”? Basta ligar a televisão, ler as manchetes do jornal matinal ou visualizar seus feeds de mídia social. Pois estamos assistindo em tempo real neste verão, mais profundamente do que nunca, na forma de inundações, ondas de calor e incêndios florestais sem precedentes. Agora sabemos como são as mudanças climáticas perigosas. Como já foi dito sobre a obscenidade, nós a conhecemos quando a vemos. Estamos vendo isso – e é obsceno”, alertam os especialistas em clima Michael Mann e Susan Joy Hassol em um artigo publicado no jornal The Guardian no ano passado.

*Com informações do The New York Times, Deutsche Welle, Associated Press e The Guardian

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Foto de abertura: Adli Wahid, CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons

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