Maior rede de TV britânica, BBC terá programação educativa especial para crianças durante novo lockdown no Reino Unido

Maior rede de TV britânica, BBC anuncia programação especial de educação para crianças durante novo lockdown no Reino Unido

Com os números de casos de COVID-19 e consequentes, mortes, atingindo novos recordes diariamente, o governo do primeiro-ministro Boris Johnson impôs mais um lockdown à população. E diferente das vezes anteriores, agora as escolas, com exceção de creches, foram fechadas na Inglaterra e na Escócia até pelo menos meados de fevereiro, mas há temor que a situação possa se estender até abril.

Apesar de o Reino Unido ter sido um dos primeiros países do mundo a começar a vacinação contra o novo coronavírus, recentemente foram registrados mais de 50 mil casos diários da doença por sete dias seguidos. Já são quase 80 mil mortes e mais de 2,8 milhões de infectados. Especialistas suspeitam que o salto nos casos se deve a uma nova variação do vírus, mais contagiosa, e detectada entre os britânicos.

Para ajudar as famílias que estarão com seus filhos pequenos em casa, a maior rede de comunicação, a estatal BBC, anunciou que incluirá em sua programação o maior volume de conteúdo educativo já feito em sua história.

O objetivo é assegurar que, a partir do próximo dia 11 de janeiro, todas as crianças possam acessar o ensino curricular das escolas públicas, mesmo aquelas que não tenham internet.

Para tal, a rede usará vários de seus canais, entre eles, o BBC Two, CBBC, BBC Red Button e BBC iPlayer.

Na CBBC, que já é o canal para o público infantil, cada dia da semana terá um bloco de três horas de programação da escola primária a partir das 9h. A BBC Two atenderá alunos do ensino médio, com pelo menos duas horas diárias, que incluirá conteúdo suplementar com obras de Shakespeare e adaptações dramáticas clássicas, ao lado de títulos de ciência, história e notícias factuais.

“A BBC ajudou a nação em alguns dos momentos mais difíceis do século passado e, nas próximas semanas, ajudará nossos filhos a aprender enquanto ficamos em casa, protegemos o NHS (sistema de saúde britânico) e salvamos vidas”, afirmou Oliver Dowden, secretário de Estado para Cultura, Esportes, Mídia e Meios Digitais.

Maior rede de TV britânica, BBC terá programação educativa especial para crianças durante novo lockdown no Reino Unido

Programação para os pequenos inclui aulas de música, educação física e culinária, além de matemática, alfabetização e ciência

Tecnologia e educação

O Reino Unido não é o primeiro país a inovar nesse período tão difícil, especialmente para as crianças que estão sendo obrigadas a ficar longe das salas de aula e ter aulas remotas.

Em junho do ano passado escrevi aqui sobre o exemplo de Portugal. Em abril, logo após o começo da pandemia na Europa, o Ministério da Educação lançou um programa de aulas de apoio, ao ar pela RTP, o canal de televisão estatal do país. A ‘Telescola’ começou a operar pouco mais de um mês após o fechamento das salas de aula físicas, em 16 de março.

Chamado de #EstudoEmCasa, 112 professores de escolas públicas e privadas se revezam em aulas gravadas, que são transmitidas entre às 9h da manhã e às 5h30 da tarde.

O conteúdo é para estudantes do 1º até o 9º Ano, aproximadamente 850 mil crianças e adolescentes. São aulas de Português, Matemática, Ciências, Leitura, Inglês, Cidadania, Ciências, História, Geografia, Física, Química, Espanhol, Alemão, Francês e até, Educação Física.

O objetivo do governo de Portugal com o #EstudoEmCasa foi ajudar aqueles jovens com dificuldade em ter acesso à internet. Estimativas apontam que só no ensino básico, esse é o caso de 500 mil estudantes.

No Brasil, no passado, já existiu uma iniciativa semelhante, o Telecurso 2000, da Fundação Roberto Marinho, com aulas pela televisão, para ajudar alunos de baixa renda com dificuldade em completar os ensinos fundamental e médio.

Mas atualmene, milhões de estudantes brasileiros de escolas públicas nos últimos meses estão sem aula ou tentando acompanhar de casa as lições online, com os poucos recursos tecnológicos que possuem, uma situação que só irá aumentar ainda mais a desigualdade social e econômica no Brasil.

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Imagens: reprodução BBC

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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