Mães e pais do mundo inteiro clamam por ação climática urgente

222 grupos de mães e pais de 27 países se uniram e assinaram declaração, que foi entregue (foto abaixo) esta semana na Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU, que termina hoje, 13/12, em Madri. Seu objetivo é pressionar os negociadores dos países presentes, para que cheguem a uma ação climática efetiva, de forma que ainda possamos proteger a saúde, a vida e o futuro de crianças e jovens do mundo todo, antes que nada mais possa ser feito.

A declaração é uma iniciativa de dois movimentos – o Our Kids’ Climate e o Parents For Futuree um apelo para que os delegados da COP25, que também são pais e mães, tios, avós etc, não se esqueçam de seu duplo papel como cuidadores e negociadores ao tomar decisões sobre a emergência climática, que afetará todas as gerações: presentes e futuras.

A declaração argumenta que os atuais compromissos políticos nos estão levando a um aumento catastrófico da temperatura global, entre 3 e 4ºC. E que cada tonelada de carbono emitida nos coloca numa trajetória em que será impossível reverter esse aumento, levando à destruição da civilização humana.

O documento reforça, ainda, que a cúpula do clima da ONU é uma oportunidade crucial, especialmente para pais e mães presentes nas negociações, de defenderem as crianças e agirem com ousadia no sentido de determinar uma ação climática ambiciosa, que permita manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C.

A declaração foi traduzida em 19 línguas e continua aberta para que mais grupos de pais e mães pelo clima possam assiná-la. Ela pode ser consultada no site Parents for Future, assim como a lista de signatários.

Esses grupos fazem parte de um movimento mundial de famílias, que começou a crescer e a se organizar inspirado por Greta Thunberg.

O Our Kids’ Climate é uma coligação de 56 grupos de mães e pais pelo clima de 18 países, que se uniram pela ação climática em 2015 e relançaram sua colaboração na ONU em abril deste ano. Para saber mais, siga a coligação nas redes sociais: Twitter, Instagram e Facebook.

Já o Parents for Future e o ramo do movimento For Future, criado por mães e pais inspirados por Greta Thunberg, que iniciou as greves escolares climáticas pelo mundo inteiro com o Fridays For Future. Este movimento cresceu rapidamente durante 2018 e inspirou centenas de grupos e milhares de mães e pais a agirem com grupos espontâneos em, pelo menos, 23 países. Para saber mais siga o movimento em suas redes sociais: Twitter e Facebook.

O coletivo Parents for Future Brasil ou Famílias pelo Clima Brasil se inspirou no Parents for Future, como o nome revela, e surgiu em maio de 2019. Reúne pais, mães, tios, tias e outros familiares que trabalham como voluntários e de forma propositiva pela causa climática, como explicam em seu site. Para saber mais, siga o coletivo nas redes sociais: Twitter, Instagram e Facebook.

“Não vamos ficar de braços cruzados vendo o futuro das nossas crianças ser roubado

Esta é a ideia que conduz o movimento lindo de famílias pelo clima em todo o mundo. Agora, veja o que dizem alguns dos participantes a respeito do clima e da declaração:

“Esta declaração conjunta é o resultado da união de mães e pais que se juntaram para exigir ação climática, à medida que a mobilização dos cidadãos vai aumentando em todo o mundo. Estamos num momento histórico e precisamos que os tomadores de decisão – especialmente os que são pais ou mães – ajam em nome das nossas crianças”, salienta Frida Berry Eklund, mãe de duas crianças do grupo sueco de pais pelo clima Föräldravrålet.

“Se a crise climática não for revertida, os seus efeitos mais graves atingirão as suas crianças numa altura em que já não terá possibilidade de as ajudar. Agora pode”, salienta Ana Matos, representante do movimento Parents For Future Portugal.

“As catástrofes relacionadas com o clima tornaram-se a nova normalidade, e a saúde, a vida e o futuro das crianças estão em risco devido ao caos climático“, destaca Jesus Garcia, representante do grupo climático Madres Por El Clima de Espanha. “Não podemos aceitar que este seja o mundo que vamos entregar aos nossos filhos”.

“Milhões de crianças, especialmente em áreas do mundo onde os meios de subsistência já são afetados pela pobreza, escassez de água e seca, serão as mais atingidas. É uma injustiça moral e, como mães e pais, não vamos ficar de braços cruzados vendo o futuro das nossas crianças ser roubado”, diz Cherise Udell, mãe de dois filhos, do grupo Utah Moms for Clean Air, nos EUA.

“Todas as pessoas presentes nas negociações têm a responsabilidade de agir para garantir a salvaguarda dos direitos dos nossos filhos e de não se subjugarem aos interesses das empresas e de eleitoralismo político. Precisamos de uma liderança global corajosa em vez de ficarmos à espera que os países ajam individualmente”, sublinha Isabella Prata, mãe de dois jovens, do grupo Parents For Future Brasil/Famílias pelo Clima. Para ela, Greta Thunberg é uma imagem de toda essa geração”.

Foto: Our Kids’ Climate/Reprodução (destaque) e Divulgação (COP25)

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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