Luan Santana apoia o movimento ‘O Pantanal Chama’ e lança videoclipe e ‘live’ dedicados à causa

Texto atualizado em 12/11/2020 atualizar dados do texto abaixo e contar sobre dois lançamentos de Luan Santana em prol do movimento O Pantanal Chama:

No Dia do Pantanal, o cantor lançou videoclipe da música Um Grito entre as Cinzas, que terá 100% do valor arrecadado nas vendas destinado para o movimento citado. E, em 22/11, o cantor fará uma ‘live’ diretamente do Rio Paraguai, no coração do Pantanal, que será transmitida pelo canal de Luan no YouTube e pelo Instagram do canal NatGeoBrasil. A meta é arrecadar R$ 8 milhões.

Na ocasião, ele ainda vai leiloar a calça listrada da grife Dolce & Gabbana que usou no DVD VIVA. A renda obtida com a venda dessa peça será revertida para o Instituto Arara Azul, “da qual sou embaixador há 6 anos”, destaca.

Ele esteve no Pantanal esta semana, junto com o Coronel Rabelo, do Instituto Homem Pantaneiro, para conhecer o local. “Essa live trará uma força ainda maior para nossas ações de apoio à fauna, às comunidades, restauração do Pantanal e estruturação das brigadas, conta Gustavo Figueiroa, do Instituto SOS Pantanal, em vídeo. 

“A divulgação começa hoje e só termina quando mudarmos as coisas no Pantanal!”, promete o artista. Agora, veja o que ele conta em vídeo publicado no Instagram e leia o texto abaixo para saber mais.
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29% do Pantanal queimou e brigadistas não podem parar

Até agora, 29% do Pantanal foi queimado, o que representa 4,3 milhões de hectares, equivalente a 29 cidades de São Paulo, de acordo com atualizações do LASA – Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais UFRJ, divulgadas pelo SOS Pantanal em 11/11.

Os focos de incêndio que voltaram há cerca de duas semanas à Serra do Amolar já foram controlados. Por outro lado, quase a totalidade do Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense (99%) foi consumida pelas chamas. “Brigadistas do Ibama/PrevFogo e ICMBio continuam na linha de combate por lá com aviões e helicópteros”, conta o SOS Pantanal.

Nesse cenário, o trabalho dos brigadistas continua sendo de extrema importância para identificar focos que surgem em áreas onde há tufas, que concentram raízes e muita matéria orgânica que ficam esturricadas na seca e concentradas no solo e são altamente inflamáveis.

Foto: Frico Guimarães

Isso sem falar na fauna e nas comunidades tradicionais.

Cada pesquisador, fotógrafo ou cinegrafista que por lá circula revela cenas tocantes de animais mortos. O que o cinegrafista Lawrence Wahba chamou, outro dia, em seu Instagram, de Holocausto Animal.

Ousado, Amanaci e outros bichos

No final de outubro, onças pintadas vítimas de incêndios no Pantanal se recuperaram. Ousado (abaixo), que foi tratado com ozônio e outras terapias alternativas e devolvido à natureza. Ele usa colar com GPS para ser monitorado por pesquisadores.

Ontem, 11/11, Ousado foi flagrado pelo fotógrafo João Paulo Falcão (Pantaneiro MT) caçando uma capivara no Parque Estadual Encontro das Águas.

Foto: Cesar Leite/divulgação Ampara Silvestre

E Amanaci (abaixo), que ainda está se recuperando com tratamento feito a base de células tronco, mas não poderá mais viver livre na natureza: as queimaduras feriram suas garras, imprescindíveis na caça e em sua sobrevivência. Por isso, a NEO – No Extinction prepara um local bacana pra ela viver assim que tiver alta.

Foto: Divulgação Nex

Como Amanaci, alguns animais ainda estão sob os cuidados de veterinários, em recuperação. Outros ainda estão sendo encontrados machucados e precisam de apoio emergencial, como o que é realizado por organizações como o GRAD – Grupo de Resgate de Animais em Desastres e a Ampara Silvestre, só para citar dois exemplos.

Integrante da equipe do GRAD / Foto: Divulgação

Os animais que conseguiram fugir dos incêndios e se abrigar em lugares seguros – alguns deles salvos pelos aceiros feitos pelos brigadistas – dependem das ilhas de alimentação espalhadas pelos voluntários e organizações que atuam no Pantanal, com a ajuda de pousadas e moradores locais.

E isso ainda deve continuar por mais seis meses, pelo menos, até que a vida comece a se equilibrar no bioma.

Ilhas de Alimentação em registro de Ailton Lara, pantaneiro voluntário, guia turístico
e dono da pousada Jaguar Camp, que abrigou veterinários e serviu de ponto de apoio
para o resgate de animais / Reprodução Instagram

Comunidades tradicionais e restauração

Você não imagina a logística que envolve essas ações! O Instituto SOS Pantanal conta que, em meados de outubro, “disponibilizou três carros para auxiliar a equipe do Instituto Homem Pantaneiro (IHP) nos deslocamentos, suporte a fauna e outras logísticas necessárias na região da Serra do Amolar. Também começamos a distribuir cestas básicas para comunidades em vulnerabilidade”.

Sim, esta é uma outra questão importante a destacar quando se fala das ações no Pantanal. Aldeias indígenas, comunidades ribeirinhas e de quilombolas que vivem no bioma passam por grandes dificuldades pois ficaram sem suas fontes de alimento e de água.

E ainda é preciso começar a restaurar as áreas degradadas pelo fogo. Não se pode esmorecer.

A essência do movimento

Foto: Angelo Rabelo, do IHP

Para ajudar a mitigar os efeitos desta tragédia no Pantanal é importante que as doações de recursos sejam mantidas, principalmente as doações em dinheiro.

É urgente manter a chama da solidariedade acesa.

Por isso, o Instituto SOS Pantanal e a União BR se uniram para chamar a atenção de todos – brasileiros e estrangeiros, de qualquer lugar do mundo – para essas questões e arrecadar fundos para a prevenção de novos incêndios, para a ajuda emergencial à fauna e às comunidades tradicionais e para a restauração das áreas destruídas pelo fogo.

Criaram, assim, o movimento O Pantanal Chama e contam com um parceiro muito poderoso e essencial para tornar essa missão possível: o cantor Luan Santana, natural de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, que, assim que aderiu ao movimento, há quase dois meses, divulgou vídeo em suas redes sociais.

Foto: Divulgação

Em meados de outubro, ele voltou às redes para enfatizar a importância de todos se engajarem nesse movimento:

“No início era só uma live para ajudar um dos biomas mais importantes do mundo. Mas esse projeto tomou corpo e virou um movimento que vai ser uma importante ferramenta pra chamar a atenção da população e unir forças pra gente arrecadar fundos para a prevenção de novos incêndios, ajudar os animais, as comunidades tradicionais e a restauração de areas degradadas pelo fogo”. E o cantor acrescentou:

“Infelizmente, o Pantanal vai pegar fogo de novo e é preciso prevenir que as chamas ganhem a proporção que deste ano. Que isso nunca mais aconteça! Muito mais do que uma ação de momento, do que um projeto, o movimento O Pantanal Chama é um movimento de defesa permanente da planície pantaneira, que agora sofre com os piores incêndios da sua história devido a uma seca cruel”.

Assista ao vídeo gravado por Luan no final deste post (que você pode compartilhar em suas redes sociais) ou em seu Instagram.

“Nosso propósito é fazer a ponte entre empresas, organizações da sociedade civil, a legião de fãs do Luan e todos aqueles que queiram doar recursos de maneira segura, rápida e eficaz para minimizar os efeitos do grande desastre ocorrido no Pantanal”, explica o movimento em seu site. E acrescenta:

“O Luan decidiu nos apoiar e usar sua voz para dar mais força à nossa luta. Você também pode fazer parte da solução”. Vale ressaltar que, hoje, o artista tem mais de 70 milhões de seguidores nas redes sociais e é recordista no YouTube com 3,3 bilhões de visualizações.

Projetos atendidos

Foto: Ernane Jr / Brigada Alto Pantanal

O Instituto SOS Pantanal é uma organização sem fins lucrativos, que trabalha em defesa do bioma e na divulgação da natureza e da cultura pantaneiras, e é especialista na gestão de recursos voltados à diversas ações realizadas por lá. O instituto dá suporte a voluntários e especialistas que atuam em várias frentes.

União BR é um movimento voluntário que atua em todo o país, sem envolvimento político, como uma liga de uniões estaduais, independentes, mas com o mesmo objetivo: apoiar as comunidades mais vulneráveis em qualquer situação, seja no enfrentamento à covid-19 ou no Pantanal. Conectar participantes da rede e compartilha boas práticas, ferramentas de mobilização e facilita a criação de outras organizações.

Entre os parceiros que o movimento O Pantanal Chama apoia estão:
– o Instituto do Homem Pantaneiro (IHP), criado pelo conhecido e amado Coronel Rabelo e que atua no treinamento de brigadas e na linha de frente do combate aos incêndios,
– o GRAD – Grupo de Resgate de Animais em Desastres, que reúne uma equipe fenomenal de veterinários e voluntários e é coordenado por Carla Sássi;
– o Instituto Centro de Vida,
– o Instituto Arara Azul, liderado pela querida bióloga Neiva Guedes, e
– a Wetlands Mupan (Mulheres em Ação no Pantanal), organização que dá suporte a comunidades.

Quem quiser saber mais, pode consultar no site do movimento.

Manifesto: assine e faça parte deste movimento

Foto: Gustavo Figueiroa/SOS Pantanal

Para ampliar a mensagem do movimento O Pantanal Chama, foi criado um manifesto – o texto é de Vilma Mar Schiante -, que pode ser assinado no site.

Assinei em 27/10 e fui a manifestante 6.083. Até hoje, 12/11, Dia do Pantanal, 10.283 pessoas atenderam ao apelo de Luan. É pouco!! Compartilhe, divulgue, espalhe.

Agora, leia as palavras que definem esta ação linda e, em seguida, ouça Luan:

O Pantanal chama
para apagar esse fogo que alastra ligeiro,
para salvar as árvores, as aves,
todos os animais indefesos.

O Pantanal chama
a atenção para o que realmente importa:
a nossa vida, a nossa natureza
a nossa raiz que também queima.

O Pantanal chama
cada um dos brasileiros
para se inundar de solidariedade,
de amor, de humanidade.
Porque somos essa terra
tão linda, fértil e abençoada
agora em chamas.

Somos as Araras Azuis
que voam CINZAS,
camufladas no meio da fumaça.
Somos as vozes
da fauna, das matas
que chamam por socorro.
Somos água em choro!
Então que seja para apagar
esse incêndio
que destrói nosso bioma.

Somos Pantanal
do Norte ao Sul do país,
de todas as trilhas e tribos.
O Pantanal chama,
o Pantanal chora,
o Pantanal clama!

E aqui estamos nós,
de coração e alma.
Uma grande chuva de esperança
que grita: Salve o Pantanal!

Foto (destaque): Reprodução Instagram /

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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