‘Liquidação Solidária’ oferece produtos únicos e gera renda para participantes das oficinas de inclusão social

Objetos para decoração da casa, acessórios para escritório, tábuas, bandejas e itens para cozinha, móveis, ladrilhos e presentes estão entre os itens com até 50% de desconto produzidos pelo Armazém das Oficinas, e que podem ser adquiridos pelo site da organização.

A Liquidação Solidária garante produtos únicos com bons preços e gera recursos e renda para os participantes das oficinas de inclusão social pelo trabalho.

O projeto foi criado pelo Núcleo das Oficinas e Trabalho (NOT) para atender a demanda de portadores de transtornos mentais que não conseguem espaço no mercado formal, oferecendo atividades em oficinas específicas como formas alternativas de trabalho.  

Foto: Armazém das Oficinas/Divulgação

A iniciativa, baseada em Campinas, São Paulo, funciona como uma espécie de cooperativa, e todos os participantes das oficinas recebem uma bolsa, resultado da produção e da venda dos produtos.

O valor das vendas é dividido entre os participantes de acordo com a avaliação de desempenho, feita mensalmente de forma coletiva pelo coordenador, monitores e os grupos que participam das oficinas.

As oficinas incluem atividades de marcenaria, ladrilho, mosaico, ladrilho hidráulico, serralheria, vitral, papelaria, costura, além de cultivo agrícola, gastronomia e eventos.

O resultado, além do impacto social e do exercício da economia solidária, são produtos originais e bonitos, com design arrojado e que reaproveitam materiais que seriam descartados.

Política Nacional de Saúde Mental segue em risco

O Armazém das Oficinas é um espaço criado para comercializar produtos e serviços desenvolvidos em oficinas que atendem a necessidade de trabalho da população de baixa renda que apresenta quadros de doença mental, vulnerabilidade e com dificuldade de inserção no mercado.

O trabalho é desenvolvido em parceria com a Associação Cornélia Vlieg e o Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira, e segue as diretrizes da Política Nacional de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas: inclusão social, acesso ao trabalho e renda, incremento da autonomia e da emancipação do usuário.

escrevi, aqui no Conexão Planeta. sobre retrocessos na política de saúde mental, que vêm acontecendo nos últimos anos. A política pública brasileira é reconhecida internacionalmente pela ONU como modelo a ser seguido por outros países, e é resultado de ampla mobilização da sociedade civil, realizada a partir da Reforma Psiquiátrica.

A Reforma substituiu a internação de pessoas em manicômios pelo atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), Serviços Residenciais Terapêuticos, Centros de Convivência e Cultura, Unidades de Acolhimento e leitos em hospitais gerais.

Espaços como o Armazém das Oficinas, o Ponto Benedito, o Ponto Butantã, o Projeto Tear e tantos outros são a prova de que o modelo brasileiro funciona e deve ser mantido. Por isso, devemos nos manter atentos aos retrocessos.

Para acompanhar o que acontece em relação à Política Nacional de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, acompanhe as redes da Abrasme (Associação Brasileira de Saúde Mental).

Foto (destaque): James Recalde, artesão da oficina de marcenaria do Armazém das Oficinas, mostra peça produzida por ele (reprodução de vídeo)

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colabora com a revista Página 22, da FGV-SP e com a Plataforma Parceiros Pela Amazônia, e atua nas áreas de meio ambiente, investimento social privado, economia solidária e negócios de impacto, linkando projetos e pessoas na comunicação para um mundo melhor

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