Liberdade é a morte?

Liberdade é a morte
Escultura de Tomie Ohtake. Sem título – 1996

Nadar livre no mar de tubarões ou voar alto ao escapar da gaiola é opção. Ou pelo menos, deveria ser. Mas a liberdade é a morte. A liberdade é a morte (frase bem gritada). Pois é. E em nome disso vamos defender a prisão? Não é melhor conseguir aprender a se defender dos tubarões e gaviões?

Veja que eu disse conseguir, ter meios, saídas, estratégias, didáticas, formas de ensino, mestres que ajudem nessa caminhada incerta, que ensinem mais a pensar com a alma, do que a orar aliciadX (esse X para representar o respeito pela luta não binária e ficar reverberando no texto todo) pelo medo e pelo fantasma da insegurança solitária, se espraiando na vida quase morte que vai no caminho de se entregar ao salvador porque só vê no caminho a dor.

Porque só vê sabor na mecha para não ganhar pecha. Só vê calor no verão no balneário e não na amarra salafrária do gás no pasto, do faz com vento para queimar lastro. E empunha mastro de bandeira com discurso de amor odiento. Me leva daqui. Me leva daqui.

Liberdade é a morte

Me abre um buraco bem grande para eu me contorcer em formato de lágrima mágica, fálica. Para o sol entrar de vez, talvez nesse mês. Me voa daqui. Me voa daqui.

Pede maracujá para o sono voar no sonho

Me deixem crescer esse começo das asas que, de coração, vejo em qualquer lugar. Decorar a falta é tão pouco. Quero tentar decorar os meandros do que é o lar com arte que sai das minhas e das nossas gaiolas.

Liberdade é a morte

Arte sem mola para bater no coração sem amortecedor. Para deixar vermelhX. Vai mais um X porque vermelho faz tum, tum e reverbera, gera.  Continuando, ando… Vermelho de raiva do espelho opressor e ditador. Me dá um espelho que me deforme tanto, tanto que eu perca a noção de quem sou. Que eu, que nós, paremos de procurar fora o caminho que está bem dentro. Entro. Entro. Não quero centro nesse desterro a que estamos muitos de nós querendo nos impor.

Obra do artista Paulo Assis que vive em Curitiba.

Vou carregar tudo que não possa. O que posso não vale. Não me embale. Me arranque sem nada. Quero ir como fada verde, com meus galhos voando. E mais ando, ando. Eu juro. Só uso porque ando bastante, e ganhei e tá caro para comprar outro. Mas a deusa grega da vitória não merece ter servido de inspiração. Acho que nem com essa base toda ela aguenta. Ideias para costumizar? 

Vitória de Samotrácia (Foto: creative commons)

Ah! Assiste Uma Mulher Fantástica. Compra e depois dá de presente para algum familiar. Junta todo mundo para assistir.

Fotos e (me des)marca costumizada: Karen Monteiro

Karen Monteiro

Com arte, tá tudo bem. Se as exposições, peças de teatro, shows, filmes, livros servirem de gancho  para falar de questões sociais e ambientais, tanto melhor. Jornalista, tradutora, cronista, fez reportagens para grandes jornais, revistas, TVs. Além do Arte na Roda, mantém seus escritos poéticos, inspirados em música, no PARA DE GRITAR ISSO SEU IRRESPONSÁVEL. Não, não renega sua especialização em Marketing. Resolveu tirar da experiência subsídios para criticar o consumismo desenfreado.

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