Leopardo-das-neves é mais novo caso de animal contaminado pela covid no San Diego Zoo, nos Estados Unidos

Em janeiro, gorilas do San Diego Zoo, nos Estados Unidos, testaram positivo para o novo coronavírus. Na época, os cuidadores notaram que dois primatas estavam tossindo e apresentavam outros sintomas leves associados com a covid-19. Decidiu-se então pela análise das fezes dos animais, que confirmou a presença do SARS-CoV-2.

No total, oito gorilas contraíram o vírus. Felizmente, todos ficaram bem. Mas na semana passada, mais um animal testou positivo para a doença, um leopardo-das-neves (Panthera uncia). O macho estava tossindo e com o nariz escorrendo. Logo então decidiu-se por enviar amostras das fezes para análise em laboratório, que asseguraram o diagnóstico.

Segundo seus cuidadores, o leopardo passa bem. Todavia, ele compartilha um recinto com mais uma fêmea da espécie e outros dois leopardos-de-Amur. Suspeita-se que todos devem ter sido expostos ao vírus. Eles agora passarão por um período de quarentena e serão monitorados de perto por veterinários.

Em março, o zoológico da Califórnia informou que começou a imunizar os primatas do local. Os animais receberam duas doses de uma vacina experimental, desenvolvida pelo laboratório veterinário Zoetis. Em breve, será a vez dos felinos.

Em dezembro, outro zoológico dos Estados Unidos, em Louisville, já tinha registrado a infecção de três leopardos-das-neves pelo coronavírus. Todos tiveram apenas sintomas leves e se recuperaram bem da doença.

Contaminação de animais

Logo no começo da pandemia, cientistas tinham alertado sobre a necessidade de proteger os grandes primatas do coronavírus. Para reduzir ao máximo o risco de contágio de gorilas, chimpanzés e macacos da covid-19, biólogos recomendaram que fosse suspenso o turismo em reservas e parques onde vivem esses animais, os parentes biológicos mais próximos do ser humano, já que compartilham de 98% do nosso DNA.

Até o início de 2021, ainda não se tinha conhecimento da infecção de animais. Todavia, em abril de 2019, um tigre do zoológico de Nova York testou positivo. Também já há casos de animais de estimação contaminados, assim como visons (15 milhões deles foram sacrificados na Dinamarca por causa do coronavírus).

O alerta de especialistas é que quando uma pessoa é contaminada pela covid, ela deve se manter afastada não apenas de outros indivíduos, mas também, de animais.

Os leopardos-das-neves: em risco de extinção

Originário das regiões central e sul da Ásia, no passado os leopardos-das-neves era observados em montanhas, em terrenos acidentados de penhascos, enseadas rochosas e ravinas de países como China, Butão, Nepal, Índia, Paquistão, Afeganistão, Rússia e Mongólia.

Infelizmente, esses felinos foram levados praticamente à extinção. Segundo a Lista Vermelha, da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), que avalia as condições de sobrevivência de milhares de espécies de animais e plantas no planeta, restam apenas entre 2.700 e 3.386 indivíduos da espécie na vida selvagem.

Em seu habitat natural, esse animal está bem preparado para enfrentar o frio. Os leopardos-da-neve possuem um pelo grossíssimo, com mais de 10 centímetros de comprimento, e que cobre tudo, exceto o nariz. Sua cauda tem todo o comprimento do corpo e lhe confere equilíbrio e agilidade. Com sua patas traseiras conseguem pular de um penhasco para outro.

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Fotos: divulgação San Diego Zoo

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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