Leonardo DiCaprio se compromete a apoiar instituto da jovem cacica Juma Xipaia, que denunciou Belo Monte na COP26

Leonardo DiCaprio se compromete a apoiar instituto da jovem cacica Juma Xipaia, que denunciou Belo Monte na COP26

O artista, diretor e ativista Leonardo DiCaprio é sempre uma personalidade aguardada em eventos mundiais da magnitude dos fóruns econômicos de Davos – realizados no inicio do ano – e das conferências climáticas promovidas anualmente pela ONU, como a COP26, em Glasgow, Escócia, até 12 de novembro.

No segundo dia do evento, o Mensageiro da Paz da ONU se reuniu com Antonio Gutérres, secretário-geral da instituição, e participou de um encontro com participantes da conferência, como o Ministro do Clima e Meio Ambiente dos EUA, John Kerry, o Principe de Mônaco e líderes indígenas, integrantes da delegação brasileira, entre outros.

DiCaprio conversou animadamente com as mulheres indígenas – que têm se destacado por sua participação em diversos debates -, ouvindo-as sobre as ameaças do governo brasileiro e a missão do grupo na COP26. Entre elas, estavam Sonia Guajajara, coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indigenas do Brasil (APIB), Célia Xakriabá, da Articulação das Mulheres Indígenas e Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA), Anna Pate, Puyr Tembé e a deputada federal Joenia Wapichana.

Mas foi a conversa com uma outra liderança Juma Xipaia, jovem cacica da aldeia Kaarimá, do povo Xipaia, localizada no Médio Xingu, no Pará, – que mexeu com ele, levando-o a contá-la em suas redes sociais.

“No meu último dia na COP26, tive a honra de me encontrar com o incrível Juma Xipaia, um jovem líder indígena, que desde criança lutou contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, na Amazônia. Sua luta contínua pela sobrevivência dos povos indígenas, a floresta tropical, o empoderamento das mulheres, seus sonhos e esperanças nascidos de suas lutas e de ameaças, tocaram meu coração profundamente. As palavras de Juma ficarão comigo para sempre”.

A trajetória de Juma é marcada pela luta em defesa dos direitos dos indigenas impactados pela construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. E seu protagonismo foi sempre tão combativo que lhe rendeu a nomeação como cacica, em 2015, quando ela tinha apenas 24 anos.

Segundo o jornalista Lauro Jardim, o ator se sensibilizou de tal forma com o que ouviu de Juma, que se comprometeu a apoiar seu instituto – Instituto Juma – para ajudar a combater os impactos causados sobre a biodiversidade e o modo de vida dos habitantes na região.

“Os povos indígenas estão na linha de frente dessa emergência climática. Devemos ouvir suas vozes e nos juntarmos à sua luta para proteger o planeta, pois eles são os verdadeiros guardiões da natureza. É hora de ouvir e permanecer juntos como um só povo”, finalizou em seu post no Facebook e no Instagram.

“O rio é vida, então, Belo Monte é morte, sim!

Como contei aqui, em painel na COP26, na última quinta-feira, 4/11, Juma chamou a atenção e responsabilizou os financiadores estrangeiros pelos impactos das hidrelétricas em qualquer lugar do mundo:

“O rio é vida. Então, Belo Monte é morte, sim, não é desenvolvimento. Quem financia projetos como hidrelétricas e mineradoras, é assassino tanto quanto o governo brasileiro, e precisa saber disso. Você que financia hidrelétricas na Amazônia ou em qualquer outro lugar do mundo, você não está financiando desenvolvimento, você está financiando assassinato!”.

“Você precisa ser responsável por isso e não somente o governo brasileiro porque o dinheiro que construiu a hidrelétrica de Belo Monte, por exemplo, também veio de fora. Não é somente do Brasil. E essas pessoas precisam ser responsabilizadas por isso, tanto quanto o governo genocida!”.

Agora, veja o post de DiCaprio, com Juma, em seu Instagram, que a jovem cacica repostou:

Foto: Montagem com a reprodução do Instagram de Leonardo DiCaprio

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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