Lançamento de filme sobre o Rio Negro alavanca empreendedorismo ribeirinho na Amazônia

Lançamento do filme sobre o Rio Negro alavanca empreendedorismo ribeirinho na  Amazônia

Ainda hoje, trago comigo as sensações e despertares de conhecer parte do Rio Negro a partir da capital amazonense, Manaus. As pessoas, os saberes e os produtos que resultam desses saberes. Os sabores e os modos de vida. As humanidades.

Esse gosto pelo contato quase imersivo, de se entregar a modos outros de vida e cosmogonias, sempre fez parte de mim e amplia minhas visões e entendimentos sobre estar no mundo.

E essa é, em parte, a proposta da Academia Amazônia Ensina (AAE): contribuir para transformar o entendimento sobre o imaginário que boa parte das pessoas tem em relação à região.

Para isso, propõe a realização de expedições que revelam dados e toda a potência da bioeconomia da floresta, ao mesmo tempo em que proporcionam vivências envolvendo o Rio Negro e suas populações. Usa a ciência e o contato com a cultura e os saberes dos amazônidas para promover essa aproximação.

Escrevi sobre esse projeto aqui, no Conexão Planeta.

Com a pandemia da covid-19, as expedições tiveram que ser suspensas, assim como outras atividades que envolvem mobilidade e turismo. Isso acertou em cheio as atividades da AAE, mas não só. Também trouxe muitas dificuldades em termos de trabalho e geração de renda para as populações ribeirinhas e indígenas .

Na expectativa para a retomada das atividades quando a situação sanitária permitir, a AAE tem avançado para contribuir com essas populações, que tiveram que interromper ou reduzir drasticamente a comercialização de sua produção artesanal, serviços de guia e alimentação.

O Rio Negro são as pessoas

Foto: Academia Amazônia Ensina/divulgação

Assim, em setembro próximo, a Academia Amazônia Ensina dá início à estruturação e à implementação do projeto Empreendedorismo Jovem Ribeirinho, voltado à capacitação de jovens empreendedores na região do Rio Negro.

O ponto de partida da ação será o lançamento do filme O Rio Negro são as pessoas, dirigido por João Tezza Neto e Juliana Barros.

O documentário, de 2019, busca desvendar o significado de ser e crescer às margens de um rio com a força do Rio Negro, envolto na densa floresta e cercado por elementos globais da atualidade – a necessidade de partir, o desejo de voltar, a escolha por ficar, a imensidão, o tempo do rio.

Histórias locais que possibilitam elementos universais para a reflexão sobre a vida humana.  

O lançamento será realizado no site da Academia e a data será divulgada nessa plataforma e nas redes sociais.

O acesso ao filme será possível por meio do mecanismo ‘pague-o-quanto-acha-justo’. Ele ficará disponível para acesso por duas semanas, período em que também serão realizados webinários temáticos sobre diversos aspectos da Amazônia.

Estímulo ao protagonismo

A renda gerada com a exibição será convertida em ações junto a essas comunidades, buscando auxiliar no desenho e desenvolvimento das atividades comerciais já exercidas de modo mais ou menos informal por meio de formações voltadas ao empreendedorismo, e também no desenvolvimento de novos negócios que possam gerar renda para os ribeirinhos e ribeirinhas.

“O filme deveria ter sido lançado antes, ou vendido para canais de comunicação, mas a pandemia mudou nossos planos e estamos felizes em poder contribuir de forma direta com as comunidades locais. Com essa iniciativa, vamos conectar pessoas no Brasil e exterior com as pessoas do Rio Negro”, avalia Maria Eugenia Tezza, coordenadora executiva da AAE.

O projeto Empreendedorismo Jovem Ribeirinho vai oferecer capacitação e orientação de jovens da região do entorno do Parque Nacional de Anavilhanas, estimular o protagonismo no empreendedorismo inovador sustentável, compartilhar ferramentas para construção de planos de negócios, promover geração de renda e proporcionar acesso a oportunidades de trabalho na região.

A seguir, o teaser do filme, para já estimular nossos imaginários:

Edição: Mônica Nunes

Foto: reprodução do filme

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Atua nas áreas de meio ambiente, investimento social privado, governos locais, políticas públicas, economia solidária e negócios de impacto, linkando projetos e pessoas na comunicação para potencializar modos mais sustentáveis e diversos de estar no mundo.

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