
A linda família do Santuário de Elefantes Brasil (SEB), na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso – que abriga seis elefantas e também gatos, cachorros, galinhas, uma cabra, uma ovelha e cavalos (veja aqui) – vai aumentar mais uma vez! Ontem (4), finalmente, a elefanta africana Kenya, de 44 anos, deixou o Ecoparque Mendoza, na Argentina.
Agora, o país não tem mais elefantes em cativeiro! Scott Blais, diretor do SEB celebrou em vídeo, mostrando o recinto que Kenya habitava e dizendo: “Nunca mais elefantes neste espaço! Para sempre, para sempre, livre!”.
Mas, infelizmente, esse cenário se deve também à morte de Tamy, elefante asiático de 55 anos. Ele vivia no mesmo ecoparque de Kenya e estava sendo preparado para “voltar para casa” – como costuma dizer Scott Blais, diretor do SEB –, mas seu treinamento exigia um pouco mais de tempo; ele não resistiu e se foi no final de junho (contamos aqui).
Kenya será a segunda elefanta africana a viver no santuário. A primeira é Pupy, que chegou em abril (contamos aqui) e se adaptou muito bem (assista, no final deste post, vídeo publicado esta semana que registra a velocidade com que Pupy caminha pelo SEB.
Falei sobre as duas quando o SEB anunciou que havia obtido autorização para suas transferências. Elas viviam no antigo zoológico de Mendoza, transformado em ecoparque: Pupy junto com Kuky, que morreu dias antes da chegada das autorizações, e Kenya, sozinha.
Natureza e cura esperam Kenya
Foram cerca de três meses de adaptação à caixa de transporte e a práticas de dessensibilização, como sons e movimentações ao redor. Como Pupy, no início do treinamento Kenya revelou insegurança quando a porta da caixa de transporte era fechada.
“Por ser muito sensível, parte do trabalho dos tratadores” – que envolveu profissionais do ecoparque – “tem sido conquistar sua confiança para que se sinta segura. Com dedicação e muita paciência, finalmente Kenya demonstrou tranquilidade”, conta Scott. E a viagem – que deve durar quatro dias (são 2,6 mil km de distância) – foi marcada.
A caixa que transporta Kenya tem uma câmera, que permite monitoramento 24 horas, e serão feitas paradas frequentes para garantir-lhe água, comida e conforto (frequentemente é necessária a higienização do ambiente).
Scott e a equipe do santuário acompanharam pessoalmente a preparação de Kenya nos últimos dias. A equipe do ecoparque também integra a caravana até o santuário e poderá acompanhar seus primeiros passos no novo lar (como foi feito com Pupy).

Abaixo, a caixa sendo transportada para o caminhão.
Fotos: reproduções de vídeo

Assim como tem acontecido com a maioria das elefantas que vivem no santuário (quatro chegaram muito idosas e/ou doentes e faleceram meses depois), o contato com a natureza será essencial para a cura física e emocional de Kenya, que, depois da fase de adaptação, deve compartilhar recinto e área livre com Pupy já que são elefantas da mesma espécie.
Como acompanhar a viagem
Se você quiser saber notícias fresquinhas da viagem até o santuário, é só acompanhar suas redes sociais: Facebook, Instagram, X, TikTok e YouTube. O perfil do santuário, em inglês, no Instagram, também é uma boa opção.
Scott e equipe têm gravado diversos momentos desde a entrada de Kenya na caixa, seu recinto no Ecoparque vazio, o encaixe da caixa no caminhão, a partida da caravana e as paradas. Vale muito acompanhar. É sempre emocionante e, por vezes, divertido.
Como ajudar
O Santuário de Elefantes Brasil (SEB) iniciou suas atividades práticas, na Chapada dos Guimarães, em setembro de 2015, recebendo as primeiras elefantas, Maia e Guida (vindos de Minas Gerais) em outubro de 2016.
Seu objetivo é resgatar cerca elefantes que ainda vivem em cativeiro na América do Sul – portanto, em situação de risco – e contribuir para que se recuperem física e emocionalmente, oferecendo-lhes espaço, condições e cuidados (em 2016, eram 50).
Mantido pela Associação Santuário de Elefantes Brasil e duas renomadas organizações internacionais de defesa e estudo dos elefantes – ElephantVoices e Global Sanctuary for Elephants -, o SEB também conta com a colaboração de filantropos e pequenos doadores, não só do Brasil, como da Europa, Austrália, América e Estados Unidos.
Qualquer quantia é bem-vinda e faz a diferença. Pode ser R$ 10 por ano, ou o mesmo valor mensal. O SEB também costuma fazer campanhas em prol de sua manutenção como Adote um Elefante, por meio da qual qualquer pessoa pode enviar recursos para a moradora escolhida.
Além disso, o Santuário mantém uma loja online, onde é possível adquirir produtos como camisetas, canecas, bolsas e muito mais. E mais: oferece a Wishlist, com a qual você pode ajudar comprando itens utilizados nos cuidados diários dos elefantes, como alimentação, suplementos para articulações, guloseimas, ferramentas e equipamentos.
Santuário não é zoológico, por isso o SEB não é aberto à visitação. Os elefantes vivem soltos, passeiam e se escondem nas matas e o objetivo é justamente livrá-los de serem atração e divertimento, como foram durante suas vidas em cativeiro.
Mas você pode acompanhar o trabalho realizado lá pelas redes sociais, que já indiquei, e pelo site.
A seguir, assista aos vídeos que mostram Kenya na caixa de transporte, tranquila; uma das paradas (em dois vídeos) em que a elefanta seleciona o que quer comer – é divertido – e, por último, Pupy, a primeira elefanta africana do santuário, num dia desta semana, caminhando toda faceira a caminho do café da manhã. Ela é uma prova do bem que esse lugar pode fazer aos elefantes mau-tratados por anos em cativeiro.
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Foto (destaque): reprodução de vídeo no recinto que Kenya habitavam em Mendoza




