Justiça proíbe provas de laçada de bezerro em Avaré, no interior de São Paulo

Justiça proíbe provas de laçada de bezerro em Avaré, no interior de São Paulo

Em mais uma vitória do bom senso e daqueles que defendem os direitos e a proteção dos animais, a 1ª Câmara Reservada ao Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a decisão que determinou que a prefeitura de Avaré e a Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha não realizem mais as provas laçada de bezerro e laço em dupla na cidade.

A multa estabelecida para quem desobedecer a decisão é de R$ 10 mil reais por evento.

Tradição trazida dos Estados Unidos, assim como as demais provas de rodeios do Brasil, na laçada de bezerro o peão persegue o filhote em cima do cavalo e após laçá-lo, o derruba no chão e depois amarra três pernas juntas. Já a prova do laço em dupla envolve dois cavaleiros que laçam o novilho no pescoço e nas patas traseiras.

Apesar dos envolvidos nessas práticas afirmarem que elas são uma “expressão artística e esportiva” e uma “manifestação cultural nacional”, o desembargador que julgou a ação proposta pelo Ministério Público mostrou opinião contrária em seu relatório.

“No conflito entre normas de direitos fundamentais – manifestação cultural e proteção aos animais/ao meio ambiente – deve-se interpretar de maneira mais favorável à proteção ao meio ambiente”, afirmou Ruy Alberto Leme Cavalheiro.

Ainda segundo o relator da ação, nem todas as práticas advindas de eventos com animais, como a prova de laço, devem ser preservadas simplesmente por tradição. “O evoluir da humanidade está justamente no aprimoramento de comportamento, ideias, hábitos, partindo para a melhoria da vida e para a preservação do meio ambiente e, consequentemente, dos animais. Deve-se evitar toda ação que possa implicar em lesão, considerando-se que nem toda lesão corporal é externa e imediatamente percebida”, ressaltou.

No Brasil, a organização Proteção Animal Mundial é uma das entidades que defende o fim das provas de rodeios que causam sofrimento e muitas vezes, até a morte de animais. Uma delas é justamente a de laço com bezerros. “Muitos animais saem da arena tetraplégicos ou mortos. Alguns rodeios internacionais e nacionais mais profissionais já aboliram esta prova”, disse  Rosangela Ribeiro, gerente de programas veterinários da ONG, ao Conexão Planeta, em 2019.

“O rodeio não faz parte da nossa tradição. A prática foi importada dos Estados Unidos e não traz nenhum enriquecimento ou aprendizado cultural. Ninguém é contra a cultura do campo, as festas podem continuar com a música e a gastronomia do interior do Brasil, mas não precisamos submeter os animais aos maus tratos para o nosso simples entretenimento”, criticou.

A torcida agora é que a proibição dessas provas seja implementada em mais cidades brasileiras. Chega de crueldade e sofrimento!

*Com informações da ONG Olhar Animal

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Foto: Baker County Tourism/Creative Commons/Flickr

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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