Juíza italiana solta jovem ativista alemã que invadiu porto de Lampedusa com barco de refugiados

Detida em prisão domiciliar desde sábado, 29 de junho, a jovem capitã, Carola Rackete, da organização Sea-Watch, foi levada hoje para depor em tribunal da Sicília. Ela estava sendo acusada de ter desrespeitado a polícia e agido com violência. Ela invadiu o porto de Lampedusa com um barco de regate humanitário cheio de refugiados (eram 42), além de bater em uma lancha que tentava impedir sua passagem. Tomou essa decisão num rompante de desespero, depois de passar 17 dias aguardando resposta do governo italiano a respeito dos países europeus que poderiam acolher os imigrantes, com gente doente a bordo e ameaças de integrantes da tripulação que queriam se jogar ao mar.

Quem quiser saber a história em detalhes, pode ler o texto que escrevi ontem.

As leis para imigrantes na Itália são extremamente rígidas e estão resguardadas pelo ministro do interior, Matteo Salvini, um político truculento de ultra-direita. Ele proibiu que embarcações com imigrantes atraquem em qualquer porto do país. A Itália destoa do resto da Europa nesse quesito. Por isso, muita gente temia o destino de Carola, que poderia ser condenada e presa por três a dez anos.

Mas o bom senso venceu e a juíza Alessandra Villa, designada para julgar o caso, entendeu que Carola estava cumprindo seu dever de salvar vidas e, portanto, não cometeu nenhum ato de violência. Para ela, Carola não violou a lei ao forcar a entrada da embarcação em águas italianas já que, a bordo, estavam imigrantes em condições frágeis de sobrevivência, que permaneceram à deriva por 17 dias, aguardando que algum país europeu autorizasse seu desembarque.

A magistrada destacou ainda que a jovem capitã estava acuada, não tinha outra alternativa na região para levar os refugiados, a não ser o porto de Lampedusa. Tanto a Líbia como a Tunísia não têm portos seguros para imigrantes e refugiados. Por tudo isso, a Justiça italiana determinou a liberação de Carola.

E, assim, a jovem de 31 anos, deixa sua marca na história não só como a primeira mulher comandante de um barco de resgate humanitário, mas também como símbolo de luta contra as políticas ultraconservadoras de Salvini.

Quem é Carola Rackete

Apear de muito jovem, ela é uma comandante experiente. Carola já navegou pelas águas do Ártico e da Antártida e, em dado momento, decidiu que queria ajudar a resgatar imigrantes na costa da África.

Em entrevista ao jornal La Repubblica, contou: “Minha vida tem sido fácil, pude cursar três universidades e me formei com 23 anos. Sou branca, alemã, nascida em um país rico e com o passaporte garantido. Senti a obrigação moral de ajudar aqueles que não tiveram as mesmas oportunidades que eu”.

Que bonito!

Quem é Matteo Salvini

Agressivo, o primeiro-ministro e ministro do Interior é do partido de ultradireita Liga. Chegou a acusar Carola de “um ato de guerra” por querer afundar um barco da polícia. Veja a forma como ele conta a história… Como pode afirmar que ela tinha tais intenções?

Assim que soube da sentença da juíza, comentou que o decreto de expulsão de Carola já está pronto e assinado Ele chegou a acusá-la de ter cometido um “ato de guerra” por querer afundar um barco da polícia.

Criticado por uns e adorado por outros, Salvini faz parte da onda conservadora que tem invadido o mundo e causado muitos retrocessos, além de contribuir efetivamente para a desigualdade.

Claro que ele não é o único ultra-conservador da Europa, mas alguém precisa peitar esse sujeito para começar uma transformação nessa área, ainda mais em local que é passagem inevitável de refugiados. Os países ricos precisam falar sobre esse assunto e encontrar soluções juntos. Não há como evitar a fuga das pessoas de seus países de origem. E em algum lugar do planeta elas precisam morar. Então, é urgente criar políticas públicas comuns para lidar com essa realidade.

Viva Carola Rackete!

Foto: Divulgação/Sea Watch

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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