Jovens reivindicam educação climática no Ensino Básico: assine o manifesto e apoie a iniciativa

O Manifesto Jovens pela Educação Climática – Por uma Educação Climática no Ensino Básico Brasileiro foi lançado em 12 de agosto, Dia Internacional da Juventude. Devido à importância do tema é imprescindível que todos que acreditam que vivemos uma crise climática sem precedentes e que ainda podemos alterar este processo, participem, assinem e compartilhem esta reivindicação.

Ele foi elaborado por 12 jovens de 16 a 24 anos, de oito estados brasileiros – Ceará, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Paraíba, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul – e é resultado da parceria entre dois movimentos mundiais que atuam por aqui: o Fridays for Future Brasil, ligado à mobilização que nasceu com a “greve escolar” de Greta Thunberg e o Climate Reality Project Brasil, do especialista e ativista climático americano, Al Gore.

Foto: Fridays For Future/Diivulgação

O objetivo é mobilizar os jovens brasileiros – com o incentivo dos adultos também – a reivindicar a inclusão da educação climática e socioambiental no currículo das escolas de todo o país, de forma a transformar alunos em agentes de mudança para combater o maior desafio comprovado pela ciência: a crise climática.

“Estudei a vida inteira em um colégio onde fui ensinada sobre as organelas de uma célula, sobre trigonometria e todos os outros assuntos necessários para participar de um vestibular. Porém, nunca ouvi falar sobre mudanças climáticas“, conta Clara Barros Bueno, jovem líder climática do Climate Reality Project e integrante do manifesto.

“Não é justo que jovens saiam da escola alheios à crise climática, não é justo com os alunos e também com a sociedade. Por esse motivo, precisamos mais do que nunca do Manifesto Jovens pela Educação Climática!”, completa.

Você pode acessar o Manifesto aqui e aqui. Abaixo, reproduzo o texto do documento na íntegra.

Por uma educação climática no Ensino Básico Brasileiro

O DESAFIO: A CRISE CLIMÁTICA

É inequívoco que os seres humanos esquentaram o planeta e intensificaram os impactos das mudanças climáticas em todo o globo. Esta é a afirmação de mais de 800 cientistas do mundo inteiro, 21 deles do Brasil, que integram o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU), em seu Sexto Relatório de Avaliação (AR6).

Esse aumento tem desencadeado uma série de eventos climáticos extremos, que causam consequências irreversíveis ao planeta e seus ecossistemas, como aumento do nível do mar, acidificação de oceanos e intensificação de fenômenos como secas e desertificação de áreas atualmente vegetadas.

Dos 17 anos mais quentes já registrados na história, 16 ocorreram neste século. Tais efeitos negativos causam impactos ainda mais significativos para populações vulneráveis e intensificam desigualdades territoriais, étnicas, de gênero e geracionais.

Falta pouco para chegarmos ao ponto de não retorno, levando os ecossistemas ao colapso e à irreversibilidade de mudanças já presenciadas. Sendo assim, é urgente a ação para mitigar essa problemática. De acordo com o IPCC, o único nível tolerável de emissão de gases de efeito estufa é zero, e se continuarmos emitindo da mesma maneira que hoje, teremos apenas 6 anos para impedir essa tragédia global.

NOSSAS EXPERIÊNCIAS NA ESCOLA

Como estudantes, valorizamos a importância da escola, dos professores, e da educação na formação do ser humano e no desenvolvimento do mundo que queremos. A escola reflete a sociedade e, da mesma forma em que discussões sobre a crise climática não estão presentes no nosso cotidiano, ela tem muito o que evoluir dentro do sistema educacional básico Brasileiro.

Mesmo com alunos e professores vivendo consequências das mudanças climáticas no dia a dia – enchentes, deslizamentos, falta de água e de luz, ondas de calor – o tema ainda é abordado de maneira superficial e desatualizada. Não somos ensinados a nos tornarmos agentes de mudança desde já, sendo que nossas ações e nossas vozes impactam a realidade e podem transformar positivamente o mundo.

PROPOSTAS DOS JOVENS

Recomendamos e demandamos que educação climática e socioambiental sejam implantadas em todas as escolas e institutos de Educação Básica do Brasil, de forma que os estudantes não sejam somente preparados para o vestibular e o mercado de trabalho tradicionais, mas que se formem como cidadãos globais, informados sobre as questões mais urgentes já enfrentadas pela humanidade. No mundo atual, todo profissional tem relação com o clima, a diferença é se ele está trabalhando contra ou a favor.

Mesmo com alunos e professores vivendo consequências das mudanças climáticas no dia a dia – enchentes, deslizamentos, falta de água e de luz, ondas de calor – o tema ainda é abordado de maneira superficial e desatualizada. Não somos ensinados a nos tornarmos agentes de mudança desde já, sendo que nossas ações e nossas vozes impactam a realidade e podem transformar positivamente o mundo.

Eis, então, nossas propostas:

  1. Implementar educação climática em todas as escolas do Ensino Básico do Brasil, sejam elas públicas ou privadas;
  2. Garantir que os planos didáticos incluam conteúdo científico atualizado, desenvolvendo habilidades para além do foco no vestibular;
  3. Incentivar os alunos a se tornarem protagonistas de suas vidas, através de engajamento com atividades extracurriculares conectadas a suas localidades e integradas aos movimentos mundiais;
  4. Promover formação aos professores e à comunidade escolar nos temas relacionados à crise climática e sustentabilidade e incentivá- los a incluir as pautas em diversas disciplinas, já que este é um assunto complexo e multidisciplinar;
  5. Aproximar os alunos com o meio ambiente, através de vivências escolares que os conectem com outros espaços em sua comunidade, buscando desenvolver esse contato e preocupação com a natureza;
  6. Preparar os ambientes físicos das escolas para se adaptarem às novas realidades climáticas como alagamentos, calor, falta de luz, insegurança alimentar e tantas outras.

O PODER TRANSFORMADOR DA EDUCAÇÃO

Temos esperança no poder transformador da educação. Ela é capaz de engajar, mudar, conectar e transformar jovens agentes do presente, que irão garantir um futuro saudável para a humanidade e todos os outros seres que convivem conosco neste planeta.

Chamamos, então, toda a sociedade, a juventude, escolas, professores e coordenadores, a ocuparem papéis ativos contra as mudanças climáticas e lutarem por uma educação que revolucione.

Se você se propõe a ser um agente de mudança para ver a educação climática em prática no Brasil, junte-se a nós neste manifesto. Assine e compartilhe!

Foto (destaque): montagem com os retratos dos jovens que elaboraram o manifesto

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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