
Catarina L. tem 17 anos e nasceu em Salvador, na Bahia, e Taíssa Kambeba tem 14 anos e é indígena do povo Ómagua Kambeba, que vive no Amazonas. Na companhia de dois outros ativistas climáticos – o colombiano Francisco Vera, de 15 anos, e o mexicano, Davi A., de 13 anos –, elas integram a delegação do Instituto Alana (organização que há 30 anos atua pelos direitos de crianças e adolescentes) na COP29, em Baku, no Azerbaijão, com o movimento Children For Nature Fellowship (Crianças pela Natureza, em tradução livre).
A iniciativa visa apoiar o desenvolvimento e a participação de crianças e adolescentes dosul global na defesa de seus direitos em plataformas regionais e internacionais e por isso, hoje (21), os jovens tiveram uma agenda cheia.
O primeiro encontro foi com Mary Robinson, Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos e ex-presidente da Irlanda, Catarina, Taíssa e Davi (Francisco tinha outro compromisso) entregaram manifesto sobre a crise climática e as preocupações e soluções listadas por crianças e adolescentes.

Foto: Alana/divulgação
Entre as reivindicações desses jovens está sua participação nos espaços de negociação e de decisão nas conferências do clima da ONU, além da criação da primeira ‘COP das Crianças’ na COP30, que será realizada no Brasil, em Belém (PA), em novembro de 2025.
“Os negociadores precisam incluir a juventude em suas pautas, precisam nos escutar, entender a gente e ver o quanto nós nos preocupamos com as mudanças climáticas, entender nossas preocupações – como as queimadas, as secas e todas as tragédias que têm acontecido”, destaca Taíssa.
“Para isso, queremos que a COP30 também seja das crianças, que coloquem a gente junto com os
negociadores, cara a cara, pra que possam ver o quanto a gente leva a sério essa questão tão complicada”, finaliza.

Foto: Alana/divulgação
Catarina reitera o depoimento da amiga de ativismo. “Nosso principal objetivo é lutar para que os jovens estejam nos espaços das tomadas de decisão porque não se pode tomar decisões pelas crianças sem a presença delas [ou se seus representantes]. Elas têm que ter 2% de financiamento que as beneficie diretamente. A gente tá falando de 1/3 da população mundial!”
E ela completa: “Queremos que os negociadores nos escutem e, também, que as NDCs nos considerem. E que a COP30 seja a primeira ‘COP das Crianças’. Afinal, quando se fala de futuro – e de presente também porque as crianças são o presente -, é preciso incluir a nossa voz!”.
Canto das Crianças
Outra atividade que deu visibilidade para os jovens na COP29 foi o Kids’ Corner (Canto das Crianças, em tradução livre), inspirado no icônico Speaker’s Corner, realizado no Hyde Park, em Londres, onde qualquer cidadão pode falar para ampliar sua voz.
A iniciativa do Alana convida crianças ativistas a subirem num caixote para reivindicar suas causas. Os ativistas selecionados pelo Alana aproveitaram a oportunidade para compartilhar ideias e soluções, exigir ações imediatas das autoridades mundiais e reforçar a necessidade de estarem no centro das negociações.
“O que estamos propondo com o ‘Kids’ Corner’ é que as crianças e adolescentes possam se pronunciar pela preservação de suas vidas e de outras vidas no planeta, e exigir um futuro no presente já que, historicamente, esse público não é priorizado nas negociações climáticas”, explica Laís Fleury, líder de parcerias do Instituto Alana.
“É fundamental que as crianças e adolescentes tenham voz ativa e sejam respeitados em todas as instâncias em que são tomadas decisões que lhes afetam, pois elas não são apenas vítimas da emergência climática e das múltiplas crises que vivemos, mas, também, são sujeitos de direitos, que podem e devem ser protagonistas nessas discussões mundiais”, completa.
Encontro com outras delegações de jovens
Além do Kids’ Corner, os jovens da delegação do Alana participaram do evento Road to the First COP for Children: Mainstreaming children’s rights into climate action(Caminho para a Primeira COP para Crianças: Integração dos direitos das crianças na ação climática), um grande encontro das delegações de crianças e adolescentes na COP.

Esta foi mais uma oportunidade para apresentarem sua visão de mundo e recomendações, destacando a importância de que seus direitos de participação sejam garantidos, além de enfatizar a urgência de serem priorizados de forma transversal nas negociações e decisões relacionadas à agenda climática.
Conheça (um pouco mais) os quatro ativistas
Nascida e criada na Bahia, Catarina L. é estudante, ativista climática e socioambiental. Tem grande interesse em aprender mais sobre os desafios e problemas contemporâneos, frequentemente lendo livros que abordam questões atuais para refletir sobre possíveis soluções.

Indígena do povo Ómagua Kambeba, Taíssa Kambeba é apaixonada por movimentos indígenas e ambientais e, desde muito cedo, se envolveu em iniciativas sociais. Participa de projetos promovidos pela organização Visão Mundial Brasil no Amazonas, como o Movimento Jovem de Políticas Públicas (MJPOP), que tem como objetivo fortalecer os jovens em escolas, bairros e comunidades, com foco na proteção da infância e da juventude.

Davi A. está na 9ª série e é ativista digital e empreendedor social. Em 2021, a notícia de que restavam apenas oito botos-vaquita no mundo o inspirou a criar projeto inovador para ajudar a salvar essa espécie marinha ameaçada de extinção. O projeto Vaquitas NFT não só gerou recursos para organizações de conservação, como também engajou uma rede global de jovens ativistas.
Reconhecido por seu trabalho em defesa dos direitos humanos e da justiça climática, o colombiano Francisco Vera – que, aos 11 anos, foi ameaçado de morte e homenageado pela ONU (como contamos aqui) – lidera a iniciativa infantil Guardianes por La Vida (Guardiões da Vida), que promove e protege os direitos das crianças.

poucos encontros com Davi, Catarina e Taíssa
Foto: Guardianes por La Vida
Francisco já tem um currículo extenso: é defensor climático da UNICEF para a América Latina e o Caribe e atua como Embaixador da Boa Vontade da Delegação da União Europeia na Colômbia. Também é conselheiro das crianças no Comitê das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança para o Comentário Geral nº 26 (Crianças e Clima) e embaixador da campanha Nossa Voz, Nosso Futuro do Serviço Diplomático da União Europeia.
____________
Acompanhe o Conexão Planeta também pelo WhatsApp. Acesse este link, inscreva-se, ative o sininho e receba as novidades direto no celular.
Foto (destaque): Alana/divulgação




