Jovem de Maceió está entre dez finalistas do Global Student Prize, premiação que reconhece estudantes excepcionais, com impacto sobre colegas e sociedade

Jovem de Maceió está entre dez finalistas do Global Student Prize, premiação que reconhece estudantes excepcionais, com impacto sobre colegas e sociedade

Desde 2015, a Varkey Foundation reconhece anualmente o trabalho de professores ao redor do mundo através da premiação Global Teacher Prize, considerado um Nobel da Educação. Agora em 2021, pela primeira vez, a fundação decidiu lançar também um prêmio para jovens estudantes, o Global Student Prize. E logo nesta edição, uma brasileira já está entre as dez finalistas: Ana Júlia Monteiro de Carvalho, de 17 anos, aluna da Escola Sesi Cambona, de Maceió.

A brasileira foi selecionada entre 3.500 estudantes, de 94 países. O objetivo da nova iniciativa é celebrar a dedicação de estudantes excepcionais, que com seus projetos já provocam um impacto real na aprendizagem, na vida de seus colegas e na sociedade em geral. O prêmio para o grande vencedor será 100 mil dólares.

Única estudante da América Latina entre os finalistas, Ana Júlia cursa atualmente o 3o ano do Ensino Médio. Em sua candidatura ao Global Student Prize, ela incluiu dois de seus muitos projetos: o Aerador Sustentável e a Telha Ecosururu.

Este último, utiliza a casca do sururu, um molusco muito consumido em Alagoas e em outros estados da região Nordeste. “Geralmente após a pesca do sururu, a casca é jogada fora. Resolvemos recolhê-las e triturá-las para fabricar as telhas, e assim, promover o empreendedorismo nessas comunidades”, diz a estudante.

“Já o aerador sustentável é um mecanismo eólico desenvolvido por mim e pela minha equipe para melhorar a qualidade da água dos animais de rebanho, principalmente de caprinos e ovinos, e também a qualidade do leite. Com a força do vento, hélices movimentam um aerador, que ajuda a evitar a proliferação de bactérias e micro-organismos na água, garantindo consequentemente, uma melhor saúde para os animais e impactando no leite que produzem”, explica Ana Júlia.

Ela conta que a inspiração para o projeto vem das atividades dos avós e outros familiares que moram numa área rural de Alagoas. Em Maceió, ela vive com os pais, que não tem profissões ligadas à ciência: o pai é bombeiro e a mãe trabalha na área administrativa da secretaria de saúde. Todavia, desde muito cedo Ana Júlia sempre mostrou interesse pela pesquisa e projetos na área de sustentabilidade. “Quando eu estava no 6o ano criei meu primeiro projeto científico que tentava impedir as tartarugas marinhas a não serem atraídas pelas luzes das cidades”.

Caso seja a ganhadora do Global Student Prize, Ana Júlia diz que pretende usar o dinheiro para pagar seus estudos no exterior. Ela sonha em cursar uma universidade nos Estados Unidos, como as renomadas Stanford University, na Califórnia, ou Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em Cambridge. “Na minha opinião, para se mudar uma realidade é preciso ter a visão de outras realidades. Por isso eu quero estudar no exterior para aprender sobre o que é feito em outros locais antes de voltar ao Brasil e poder fazer uma mudança aqui. Também sonho em criar uma organização para desenvolver os jovens na área educacional porque tenho muita paixão nessa área”.

A estudante de Maceió concorre ao prêmio com outros jovens dos seguintes países: Quênia, Canadá, Estados Unidos, Itália, Nigéria, Sierra Leone, Índia, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos. O anúncio com o nome do grande vencedor será feito em novembro, numa cerimônia em Paris, na França.

Leia também:
Estudante brasileira desenvolve absorvente interno com fibra de banana para mulheres em situação de rua e ganha prêmio de design
Estudante brasileiro conquista prêmio internacional com sistema que filtra microplásticos na água
Estudantes do Pará são finalistas em competição mundial com projeto de ecobarreiras que impedem plástico de chegar aos oceanos
Jovem brasileira vence competição internacional de ciências com projeto que transforma cascas de macadâmia em curativos para peles queimadas

Foto: arquivo pessoal

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta