Joe Biden, candidato à presidência dos Estados Unidos, anuncia plano de U$ 2 trilhões contra a crise climática

Joe Biden, candidato à presidência dos Estados Unidos, anuncia plano de U$ 2 trilhões para combater a crise climática

País com o maior número de casos e mortes de coronavírus no mundo – 3,7 milhões de pessoas contaminadas e 140 mil óbitos -, os Estados Unidos passam por uma crise sem precedentes. A taxa de desemprego era de 13% em maio, o país enfrenta protestos contra a morte de negros pela violência policial e o racismo estrutural e talvez, o pior de tudo, o presidente Donald Trump se mostrou completamente incapaz de enfrentar a pandemia e outras tantas questões.

No próximo dia 3 de novembro, os americanos vão às urnas para escolher seu novo presidente. O republicano Trump concorre à reeleição e seu opositor é Joe Biden, o candidato do partido democrata, que foi vice-presidente de Barack Obama.

Desde que assumiu o cargo, Trump – que não acredita em aquecimento global -, assinou uma série de decretos que derrubaram leis de preservação ambiental e de combate às mudanças climáticas criadas por seu antecessor. Tirou, por exemplo, os Estados Unidos do Acordo de Paris, compromisso assinado por quase 200 países, em 2015, para reduzir as emissões de carbono e dessa maneira, tentar frear o aumento da temperatura na Terra (leia mais aqui).

Pois ao contrário do atual presidente, Biden anunciou na semana passada que, se eleito, colocará em ação um plano de U$ 2 trilhões contra a crise climática. Entre as iniciativas delineadas estão investimentos em energias renováveis, transportes públicos e a meta do país se tornar carbono neutro até 2050. Além disso, o candidato pretende criar dentro do Departamento de Justiça uma divisão de Justiça Climática e Ambiental.

“Quando Donald Trump pensa em mudança climática, a única palavra que ele diz é ‘fraude””, afirmou Biden. “Quando penso em mudança climática, a palavra em que penso é ’emprego’ – empregos bem remunerados que colocarão os americanos para trabalhar”.

Pelas pesquisas pré-eleitorais, Biden está na frente. Ele teria 55% dos votos dos eleitores registrados, contra 40% daqueles que pretendem votar em Trump.

Estudos* têm demonstrado também que há uma mudança de comportamento e percepção dos eleitores americanos sobre a questão climática. Atualmente 60% deles afirmam que as condições ambientais são ruins ou apenas satisfatórias, que a situação está ficando pior e que o governo federal está fazendo muito pouco pela proteção do meio ambiente.

Além disso, 70% dos americanos defendem uma regulamentação mais rígida para plantas de energia e a emissão de veículos, assim como maior estímulo a alternativas de produção energética mais limpas e sustentáveis.

Recuperação econômica “verde” no pós-pandemia

Vários governos internacionais já anunciaram que irão investir em uma economia verde pós-pandemia. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, por exemplo, afirmou que os programas de estímulo econômico deverão focar em novas tecnologias e energias renováveis. No mesmo rumo segue a Espanha, que quer uma economia com 100% de energia renovável e fim a novos projetos com combustíveis fósseis.

Já na França, o plano de estímulo de €8 bilhões do presidente Emmanuel Macron inclui subsídios aos franceses que comprarem veículos de baixa emissão, conforme mostramos nesta outra reportagem.

*Com informações do Pew Research Center

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Foto: reprodução Facebook Joe Biden

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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