Encontrada jiboia de blogueira e “snake influencer” de São Paulo, que havia desaparecido, causando estresse entre moradores do bairro

Jiboia de blogueira e "snake influencer" foge na zona oeste de São Paulo e causa estresse em moradores do bairro

Sylas é o nome da jiboia arco-íris da Caatinga (Epicrates cenchria assisi). O animal de estimação da blogueira e “snake influencer” Bruna Magalhães estava desaparecido desde o começo da semana passada. Segundo a moradora do bairro de Perdizes, na zona oeste da capital paulista, a cobra é legalizada. Teria sido adotada em 2018 e haveria autorização dos órgãos competentes para sua criação como “pet”.

O sumiço de Sylas foi percebido na terça-feira, 21/06. Em suas redes sociais, a blogueira relatou que viu a jiboia em seu terrário na noite de segunda e quando acordou, no dia seguinte, ela havia desaparecido.

“É com muita dor no coração que venho informar que o Sylas está desaparecido desde ontem. Na segunda-feira a noite, o vi antes de dormir e ontem pela manhã quando fui olhar novamente ele não estava em seu terrário e notei que a “portinha” onde se passa o fio da placa aquecida estava erguida e provavelmente saiu por lá. Revirei a casa toda e não acredito que continue dentro do apartamento, já avisei a todos vizinhos sobre para que não façam mal caso o encontrem e me acionem. Não quero opiniões, nem críticas, só decidi avisar, porque sei que tem gente que o ama por aqui e é o mínimo que posso fazer”, escreveu Bruna.

Apesar de não ser venenosa, o desaparecimento da cobra provocou estresse entre os moradores de Perdizes. A blogueira ressaltou que o animal é inofensivo e convivia com seu cachorro e seu gato. Pediu que se fosse encontrada, não fosse morta.

A orientação do Corpo de Bombeiros era que caso alguém se deparasse com a jiboia, deveria evitar tocá-la e ligar imediatamente para o telefone 193 ou a Polícia Militar Ambiental, pelo telefone (11) 5085-2100.

Mas na noite do domingo, 26/06, Bruna finalmente encontrou a jiboia. Ela estava dentro do forno, na cozinha.

“Eu havia olhado anteriormente no fogão, mas acredito que o Sylas estava numa posição que não dava para ver. Ontem ainda estava inconformada e conversei com muitos biólogos, pessoas da área e até mesmo com amigas que também possuem esses animaizinhos e todos tinham certeza que ele ainda estaria no apartamento..Peço desculpas pelo “caos” gerado pelos arredores, mas como disse, eu revirei aqui de ponta cabeça e como a janela do quarto estava aberta, decidi alertar a VIZINHANÇA que ele poderia ter ido a algum lugar fora daqui, eu estava desesperada e preocupada com o que poderiam fazer com ele a solta por aí sem saberem que é um pet… A espécie do Sylas possui hábitos noturnos, como ele trocou de pele no sábado, estava com fome e se aproveitou de uma pequena brecha na fiação para fugir e encontrar alimento, mas são animais que não percorrem grandes distâncias, ainda mais no inverno, já que são animais ectodérmicos (precisam se aquecer com o ambiente) e seu metabolismo estava bem baixo pelo frio, isso só mostra que quando um animal desses escapa, ele irá encontrar o primeiro local quentinho e escuro para ficar, não sairá perturbando ou indo pra cima de alguém”.

Criação de cobras em casa

De acordo com a legislação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recurso Naturais Renováveis (Ibama), cobras podem ser criadas em casa desde que não sejam venenosas. “Para manter cobras em residência, estas deverão ser adquiridas em locais autorizados pelo órgão ambiental estadual e oriundas de criadouros legais. É preciso também apresentar um protocolo que garanta a segurança no manuseio dos animais e adoção de medidas para manter um ambiente adaptado”, determina o órgão.

O Ibama também ressalta que criadouros devidamente autorizados podem receber animais silvestres, “vítimas de maus-tratos e que não podem voltar à natureza por sequelas em acidentes, como atropelamento em uma rodovia”.

Sylas, a cobra desaparecida

Venda de animais pela internet

Pertencentes à família Boidae, a mesma família das sucuris, as jiboias arco-íris são conhecidas por esse nome pela característica de refletir as cores do arco-íris (furta cor) quando expostas a raios solares ou uma iluminação mais intensa, graças ao fenômeno óptico da iridescência. Medem cerca de 1,6 metros de comprimento.

De hábitos noturnos, na vida selvagem esses animais têm como presas aves e pequenos anfíbios e mamíferos, mas em cativeiro, costuma-se alimentá-lo com roedores.

No Brasil, existem quatro espécies de jiboias arco-íris: da Amazônia (Epicrates cenchria), do Cerrado (Epicrates crassus), do Norte (Epicrates maurus) e a da Caatinga.

Numa rápida busca pela internet é possível encontrar sites que vendem essas jiboias para interessados que queiram tê-las em casa. No site Jiboias do Brasil, por exemplo, na área “Encontre seu pet”, uma jiboia da Amazônia é comercializada por R$ 6 mil. Já a da Caatinga custa R$ 3 mil.

Por serem muito procuradas por criadores, especialistas alertam que deve existir uma maior preocupação das autoridades com a conservação dessas espécies na natureza.

*Texto atualizado em 27/06, às 11h

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Foto: reprodução Instagram sylas_snake

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.