Jacutingas são reintroduzidas em reserva no Paraná, em área onde há anos não havia registro da espécie em vida livre

Jacutingas são reintroduzidas em reserva de proteção no interior Paraná, onde há anos não havia registro da espécie em vida livre

Com cerca de 70 cm de altura, penas predominantemente negras com tons arroxeados, seu bico azulado, tons de vermelho e azul embaixo do pescoço e quando em estado de alerta, uma crista eriçada e branca, as belas jacutinga(Aburria jacutinga) eram uma das aves encontradas em abundância pela Mata Atlântica brasileira no passado. Podiam ser avistadas desde o sul da Bahia até o Rio Grande do Sul, mas infelizmente, sua população foi ficando cada vez mais reduzida em todo país. Todavia, aos poucos, graças a programas de reintrodução em diversos estados, suas cores voltam a alegrar nossas matas.

Recentemente dez jacutingas foram soltas numa reserva natural de proteção, o Parque Ecológico Klabin, situado no município paranaense de Telêmaco Borba, a pouco mais de 230 km de Curitiba. Há anos essa ave não era avistada em vida livre naquela região. Na área de quase 10 mil hectares, dos quais 91,6% são compostos por floresta nativa, já vivem outros180 animais de 50 espécies diferentes – 13 delas ameaçadas de extinção no estado.

As jacutingas reintroduzidas na reserva do Paraná nasceram em cativeiro e vieram da Associação Científica sem fins lucrativos, CRAX – Sociedade de Pesquisa da Fauna Silvestre. “Trabalhamos para criar ilhas de bancos genéticos viáveis para ser utilizados em projetos de reintrodução da ave em áreas onde já foram extintas ou em locais onde as populações são muito reduzidas, com baixa variabilidade genética”, explica o pesquisador Roberto Azeredo, um dos fundadores do criadouro científico.  

O projeto contará ainda com aves provenientes de dois outros centros de reprodução, o Criadouro Guaratuba, no próprio Paraná, e o Criadouro Trópicos, localizado no Rio de Janeiro.

No total serão reintroduzidas 30 jacutingas no parque ecológico de Telêmaco Borba. Antes de serem soltas na natureza, elas passam por um período de adaptação, num recinto dentro da mata.

Jacutingas são reintroduzidas em reserva de proteção no interior Paraná, onde há anos não havia registro da espécie em vida livre

Desmatamento, degradação de habitat e caça ilegal são as principais ameaças à espécie

Classificada como “em perigo” pela Lista de Espécies Brasileiras Ameaçadas de Extinção, a jacutinga é uma das principais aves dispersoras das sementes do palmito-juçara, também em risco de desaparecer de nossas matas.

A espécie não costuma fazer voos longos. Permanece a maior parte do tempo na copa das árvores. Quando vai ao chão, é sempre por pouco tempo. Sua dieta é muito diversificada. Além da semente do palmito, come vários frutos pequenos e é grande admiradora do fruto da embaúba. Prefere comer o que encontra no alto das árvores e não no chão. Se alimenta também de folhas, flores e insetos.

Após o nascimento, os filhotes permanecem com os pais entre oito a dez meses. Após esse tempo são “expulsos” da convivência familiar para que se inicie um novo período reprodutivo.

Jacutingas são reintroduzidas em reserva de proteção no interior Paraná, onde há anos não havia registro da espécie em vida livre

População de jacutingas é estimada em aproximadamente 2 mil indivíduos
e com tendência de declínio

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Fotos: Edgar Fernandez

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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