Jabuticaba é a segunda fruta mais bem avaliada do mundo em ranking de enciclopédia gastronômica internacional

pé de jabuticaba

Unanimidade entre os brasileiros, a pequena jabuticabade casca roxo-escura e polpa branca, extremamente doce e deliciosa, -, acaba de ser eleita a segunda mais bem avaliada fruta do mundo (portanto, seria a primeira do Brasil) no ranking elaborado pela Taste Atlas, enciclopédia gastronômica internacional, que destaca 100 tipos.

As avaliações foram feitas pelos usuários do site, que são de diversas partes do planeta e levaram em conta não só o sabor (nem todas são gostosas e ideais para comer in natura), mas também propriedades e diversidade de utilização.

A jabuticaba conquistou os estrangeiros e, em alguns países, é conhecida como brazilian berry. Ela perdeu o primeiro lugar para o Mangostão, da Indonésia, mas tem a companhia de outras frutas brasileiras neste ranking de 100: açaí (7ª posição), pequi (35ª), guaraná (41ª) e uvaia (76ª).

Agora veja quais são as 10 primeiras classificadas:

  1. Mangostão
  2. Jabuticaba
  3. Deglet Nour (Tâmara)
  4. Rodakina Naoussas (Pêssego)
  5. Truskawka kaszubska (Morango)
  6. Wiśnia nadwiślanka
  7. Açaí
  8. Lúcuma
  9. Limão de Sorrento e
  10. Manduri Chiou.

Preferência internacional

A Taste Atlas cataloga e ranqueia comidas e restaurantes ao redor do mundo com o intuito de “promover a excelente comida local, inspirar orgulho dos pratos tradicionais e despertar a curiosidade por pratos que ainda não se experimentou”.

Sem ambição de determinar o que deve ser incluído na alimentação, a publicação aponta as preferências de seu público (que acompanham seu site de diversas partes do mundo), com um detalhe: o voto de especialistas em cada assunto tem valor adicional nas classificações.

Para chegar às 100 frutas mais saborosas do mundo, até 16 de novembro o site recebeu 4.378 avaliações, das quais 2.848 foram reconhecidas como legítimas pelo sistema.

A seguir, conheça peculiaridades da jabuticaba e de suas companheiras brasileiras neste ranking.

A jabuticaba

Nativa da Mata Atlântica, é encontrada numa região extensa que vai de Minas Gerais ao Rio Grande do Sulcom registros também na Argentina, Bolívia e Peru -, e é amada de norte a sul do Brasil, tanto por seu sabor – que, com casca, resulta de uma combinação perfeita de doce e ácido -, como por suas propriedades.

Foto: Liana John

Apesar da polpa ser a parte mais doce da jabuticaba, sua riqueza nutricional está na casca, que é rica em antixoxidantes, que ajudam a proteger o organismo dos radicais livres (responsáveis por diversas doenças) e reforçam o sistema imunológico, diminuem o risco do diabetes tipo 2 e reduzem o colesterol.

A polpa oferece vitaminas C e do complexo B, além de minerais como ferro, magnésio, fósforo, zinco e potássio, sendo muito eficiente no combate a infecções. E ainda é fonte de pectina, fibra que auxilia as “bactérias do bem” do intestino.

Para obter benefícios para a saúde, o ideal é consumir dez jabuticabas com casca, por dia.

No Brasil, há três tipos de jabuticaba:
jabuticaba-gaúcha (jabuticaba-tuba ou jabuticaba-açu: grande, de casca fina, roxa-escura;
jabuticaba-de-cabinho, reconhecida pelos cabinhos compridos; e 
jabuticaba-sabará ou miúda, que é pequena e de casca grossa, a mais conhecida e consumida.

Sua árvore é frondosa, mas de crescimento lento, podendo levar até dez anos para começar a frutificar. Os frutos crescem nos troncos grossos, demoram cerca de dois meses para amadurecer e passam por vários estágios de coloração: verde, vermelho, roxo e negro.

A floração ocorre geralmente duas vezes ao ano: a primeira no início de junho (até agosto) e a segunda entre novembro e dezembro.

Quem aprecia a jabuticaba prefere a fruta fresca e comida na horamelhor: direto do pé -, mas ela também é bastante consumida na forma de geleias e sucos.

Açaí

É uma palmeira cultivada pelo ‘palmito’ e pelo fruto, o açaí. Nativa da Amazônia, sua fama atravessa o mundo: o fruto – geralmente consumido batido, como um creme – é como “arroz com feijão” do paraense e uma das sobremesas favoritas no sul e sudeste do Brasil. 

Seu sabor é descrito como uma combinação de chocolate e frutas vermelhas

As bagas têm cor roxa escura e lembram grandes mirtilos. São muito procuradas por suas propriedades medicinais – ricas em antioxidantes naturais, vitaminas e ácidos gordos essenciais -, sendo muitas vezes classificadas pelos produtores como uma espécie de superalimento.

Por ser rico em fibras, o açaí estimula o intestino, sendo excelente para quem sofre de constipação ou prisão de ventre.

Quando foi descoberto que o açaí mantém seu valor nutricional mesmo congelado, foi levado para o Rio de Janeiro, onde ampliou sua fama. E tornou-se popular também fora do país – Estados Unidos e Europa – como suplemento dietético.

Sua popularidade desenvolveu a indústria agrícola especializada, que hoje emprega mais de 30 mil pessoas, somente no Pará.

Pequi

Também conhecido como noz souari, o pequi (Caryocar brasiliense) é uma fruta nativa do Brasil, comumente encontrada na região do Cerrado brasileiro. É pequena e redonda, com casca grossa, amarela ou laranja, coberta por pequenos espinhos pontiagudos. 

Foto: Instituto Socioambiental (ISA)

Como se pode ver na foto acima, dentro do fruto há uma grande semente envolvida por polpa amarela brilhante, que tem sabor e aroma distintos, muitas vezes descritos como uma combinação de frutas cítricas, pinho e amêndoas

Por seu sabor forte e único, é utilizado na culinária tradicional brasileira, em pratos salgados – ensopados, sopas e arroz -, principalmente nos estados de Goiás e Minas Gerais onde é ingrediente popular em receitas regionais. Protagoniza pratos como a famosa galinhada com pequi, já conhecida nacionalmente, e o arroz com pequi, considerado pelos leitores da Taste Atlas como uma das piores comidas do mundo. 

Com pequi também são produzidos óleos, licores e conservas.

Para povos indigenas do Xingu, como o Kisêdjê, é alimento essencial, inclusive em momentos de pouco acesso à comida. Perfeito para rechear o beiju, uma espécie de tapioca gigante, “nos períodos de seca, seu caroço é aproveitado” – deixado no sol ou no fogo para ficar bem sequinho – “e os comemos nos períodos mais difíceis, conta Weratxi Kinsêdjê, presidente da associação desse povo (AIK). E acrescenta: “Com seu óleo, nos protegemos de insetos durante a pescaria” e ele ainda é um ótimo hidratante corporal.

Guaraná

Chamada de guaranazeiro e uaraná, além de guaraná (Paullinia cupana), a planta – que tem flores brancas e cheirosas – é um cipó originário da Amazônia, encontrado no Brasil, cultivado principalmente no Amazonas e na Bahia (maior produtor), Peru, Colômbia, Guiana e Venezuela.

Foto: Anita-Fortis/Wikimedia Commons

Pertence à família das Sapindaceae e à espécie Paullinia cupana, que homenageia o botânico alemão C. F. Paullini, que fez a descoberta científica e descrição no século 18.

No Brasil, seu nome popular é guaraná‘, do tupi wara’ná, que significa árvore que sobe apoiada em outra. Mas também é conhecido popularmente como guaraná-da-amazônia, guaranaina, narana, cupana, guanáyuba, varaná, paulínia, narazazeiro, guaraná-uva, naranajeiro, guaraná-cipó, naraná, guaranaúva ou uaraná. No exterior, é chamado de Brazilian Cocoaou Guarana Bread.

Quando maduro, seu fruto de casca vermelha, em cachos, revela a polpa branca e as sementes (de uma a quatro), assemelhando-se a olhos.

Foto: Anita-Fortis/Wikimedia Commons

Ganhou o mundo devido devido aos potenciais benefícios para a saúde e bem-estar. Tanto a polpa como as sementes possuem grande quantidade de guaraína, substância quimicamente idêntica à cafeína, que lhes confere propriedades estimulantes que aumentam a resistência nos esforços mentais e musculares e diminuem a fadiga.

Vale destacar que tais propriedades já eram apreciadas pelos indígenas antes da invasão dos portugueses. Na medicina popular, o guaraná é utilizado também como dietético alimentaranalgésico, antipirético, antifermentativo, diurético, antioxidantetônico vascular.

Da semente – após secagem e trituração – é obtido um , que é consumido diluído em água, sucos, frutas. Com o pó e a polpa se produz xaropes, além de bebidas como refrigerantes. 

No ranking da Taste Atlas, o guaraná ficou em 41ª posição.

Uvaia

Nativa da Mata Atlântica, onde cresce de forma selvagem, a uvaia (Eugenia uvalha), pertencente à família Myrtaceae, é conhecida por um nome diferente em cada estado, veja: em São Paulo (estado) é uvaia e uvalha (como chama a Taste Atlas), no Mato Grosso do Sul, é eucaliptinho; no Paraná, orvalha, pitanga, ubaia, uvaia, uvaieira e uvalha; no Rio Grande do Sul, azedinha, jaboticaba-do- campo, ovaia, uvaia, uvaia-do-mato, uvaieira, uvalha, uvalha-do-campo e uvalheira e, em Santa Catarina, cerejeira, uvaia e uvaieira. Também é encontrada na Argentina, Paraguai e Uruguai.

Seu nome deriva do tupi ubaia ou ybá-ia e significa fruto azedo. Ficou na 76ª posição no ranking.

Foto: Wikimedia Commons/Domínio Público

A uvaia tem formato esférico a achatado, casca fina e a polpa é suculenta, muito aromática, com sabor ácido e, ao mesmo tempo, doce.

É rica em vitamina A, vitamina C (cerca de quatro vezes mais do que a laranja), B1 e B2, cálcio, fósforo, ferro, podendo ajudar na prevenção de doenças cardiovasculares ou derivadas do envelhecimento, auxiliar no tratamento de tumores, malária, processos inflamatórios, controle de colesterol e pressão arterial e diminuir o nível de ácido úrico.

In natura, é pouco apreciada, mas compõe bem com saladas de frutas. É consumida principalmente na forma de sucos, vitaminas, compotas, doces (mousses e flans), geleias, sorvetes e condimentos para recheio de sobremesas e bolos gelados, além e vinagres e licores. Com suas folhas, faz-se chá.

Também é utilizada com fins ornamentais devido às suas folhas brilhantes e flores brancas. Apreciada por diversas espécies de aves, é bastante recomendada para reflorestamento de áreas degradadas, pois atrai variada fauna dispersora de sementes, que inclui pequenos animais.

Além da Uvaia-pera (Eugenia pyriformis), a mais comum no Brasil, existem mais de 20 espécies (algumas raras), entre elas: Uvaia-Rugosa, Uvaia-Rugosa-Azeda, Uvaia-Rugosa-Doce-Tardia, Uvaia-Amarela-Clara-Doce (quase sem acidez)Uvaião (fruta bonita, ácida, com sabor residual que lembra cebola)Uvaia-Rugosa-Precoce, Uvaia-Perinha (Eugenia lutescens, que, junto com a Uvaia-Rugosa, originou a Uvaia-Rugosa-Doce), Uvaia-de-Patos e Uvaia-da-Casca-Dura.

Em março deste ano, foram descobertas duas novas espécies: uvaia-pitanga (Eugenia delicata, na foto abaixo) e uvaia-cereja-amarela-de-niterói (Eugenia superba), como contamos aqui.

Uvaia-pitanga / Foto: Thiago Fernandes

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Foto (destaque): Adriano Makoto Suzuki/Creative Commons/Flickr

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Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.