Ítalo Ferreira é ouro no surfe em Tóquio e esperança para o futuro de novos surfistas em sua cidade natal

Ítalo Ferreira é ouro no surfe em Tóquio e esperança para o futuro de novos surfistas em sua cidade natal

Hoje o brasileiro Ítalo Ferreira, de 27 anos, se tornou o primeiro campeão olímpico do surfe nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão. Natural do município de Baía Formosa, no Rio Grande do Norte, ele subiu ao pódio para receber a medalha de ouro, logo quando a modalidade estreia nas Olimpíadas.

A prova final envolveu momentos de tensão. Logo no começo, a prancha de Ítalo quebrou, mas foi rapidamente trocada por uma outra. O incidente não abalou a determinação do atleta, que ainda menino, com oito anos, surfava em tampas de isopor e pranchas emprestadas dos primos. Filho de um vendedor de peixes, ele nunca desistiu de seu sonho.

Logo após a vitória na praia de Tsurigasaki, o brasileiro mostrou toda sua emoção com a conquista. Lembrou da família, principalmente da avó, já falecida, e chorou.

Ítalo Ferreira é ouro no surfe em Tóquio e esperança para o futuro de novos surfistas em sua cidade natal

Ítalo venceu o japonês Kanoa Igarashi na final

A trajetória no surfe e o Instituto Ítalo Ferreira

Aos dez anos, Ítalo ganhou dos vizinhos a sua primeira prancha, e com ela, venceu a sua primeira competição local. De lá para cá, foram muitos troféus nacionais e internacionais. Em 2019, conquistou o 1o lugar do maior circuito do surf mundial. Na final, no Havaí, enfrentou o também brasileiro Gabriel Medina, bicampeão da prova.

“O surfista agora ganha bem, ele ajuda a família, ele ajuda o próximo. Realmente o surfe mudou minha vida, como muda a vida de muitas pessoas… Você está na praia, você está pegando onda, você está conectado ali com a natureza”, disse Ítalo hoje em entrevista ao portal de notícias UOL.

No começo deste ano, Ítalo anunciou a criação de um instituto, que leva seu nome, em sua cidade natal, que terá como pilares a formação de crianças e jovens, a sustentabilidade e o esporte.

O potiguar acredita que o mar trouxe tudo para ele. E Baía Formosa, por sua vez, foi o principal palco e cenário para que tudo fosse possível. Sendo assim, o agora campeão olímpico, sempre sonhou em retribuir à comunidade e ao local onde nasceu por tudo aquilo que conquistou.

“Acredito que eu vou poder contribuir um pouco mais na formação dessa nova geração”, afirma ele. “Ter esses meninos dentro do instituto e mostrar para eles que é possível e que podem atingir os objetivos deles também”.

Ítalo conta ainda que sempre viu de perto como os problemas ambientais impactavam diretamente o sustento de sua família: a poluição dos oceanos, a pesca predatória, assim como o desmatamento da Caatinga.

“Um mundo futuro sem o oceano? Seria terrível! Acho que o oceano é um presente de Deus para as pessoas”, disse o surfista em fevereiro, quando se engajou na campanha pela proteção dos oceanos ‘We Are One Ocean’.

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Fotos: Rodolfo Vilela/rededoesporte.gov.br/Fotos Públicas

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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