Investigação revela sofrimento e deformação em frangos criados em fazendas para suprir demanda de supermercados

Investigação revela sofrimento e deformação em frangos criados em fazendas para suprir demanda de supermercados

Uma investigação secreta realizada pela organização britânica Open Cages, que advoga pelo fim do sofrimento de animais criados em fazendas, trouxe à tona imagens chocantes. As filmagens feitas em duas empresas que criam frangos para atender a demanda de três cadeias de supermercados europeus, Aldi, Morrisons e Tesco, esta última uma das maiores do mundo, revela deformações e mortes prematuras.

Em ambientes lotadíssimos, onde mal conseguem se mexer – são cerca de 20 frangos por metro quadrado, os animais, superalimentados para acelerar o ganho de peso, não conseguem suportar seu próprio corpo e assim, acabam com pernas quebradas e outros problemas graves, como falência do coração.

Segundo os ativistas, a maneira como esses frangos são alimentados faz com que pareçam como crianças de 5 anos pesando 150 quilos.

Nessas fazendas, os frangos são abatidos com apenas cinco ou seis semanas de vida. No passado, indústrias do setor costumavam matar esses animais quando eles tinham cerca de 16 semanas, ou seja, quatro meses.

Doenças de pele e queimaduras também são comuns, causadas por vapores de amônia, pois as galinhas são forçadas a viver em sua própria sujeira.

A equipe de investigação encontrou lixeiras com uma
quantidade enorme de animais mortos.

“Os animais estão claramente sofrendo muito”, denuncia Conor Jackson, CEO da Open Cages.

Uma petição faz parte da campanha da ONG britânica, que chama esses animais de Frankenchickens, e exige que esses supermercados, principalmente, o Tesco, se comprometa a rever a prática de seus fornecedores. Cientistas do país também se engajaram no movimento para pressionar a cadeia a ser mais ética.

Questionados a dar uma resposta sobre a denúncia, os supermercados citados na investigação declararam que vão rever seus procedimentos.

Outras redes, como Waitrose, M&S, Greggs, KFC, Nando’s e Pizza Express já assinaram um documento – The Better Chicken Commitment (BCC) -, em que concordam que é preciso que o processo de criação de animais seja mais longo e eles tenham mais espaço.

Imagem mostra a superlotação nas fazendas

O vídeo abaixo tem imagens fortes. Se você for uma pessoa muito sensível, não recomendamos a visualização.

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Fotos: reprodução Open Cages

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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