ButanVac: Instituto Butantan anuncia desenvolvimento da primeira vacina brasileira contra covid-19

Desde ontem, a notícia de que o Instituto Butantan desenvolveu a primeira vacina brasileira contra a covid-19 começou a se espalhar pelas redes sociais. Uma alegria neste momento de tantas incertezas e de falta de perspectiva tambe2m em relação à pandemia.

Hoje, 26 de março, o instituto e o governo do estado de São Paulo anunciaram a boa nova: a produção do imunizante pra conter o coronavírus, que ganhou o nome de ButanVac.

Dimas Covas, presidente do Butantãacompanhado pelo governador João Dória e pelo secretario de saúde, Jean Gorinchteyn – declarou também que, assim que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizar, os testes em seres humanos serão iniciados.

A instituição fará a solicitação ao órgão ainda hoje. Seu plano é iniciar em abril os testes de fases 1 e 2, envolvendo 1,8 mil voluntários com mais de 18 anos e que ainda não estão sendo contemplados pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Se os resultados forem positivos, a vacinação dos brasileiros deve começar em julho.

A previsão é de que a produção em larga escala ocorra em maio, se os resultados dos testes forem positivos. A meta é produzir 100 milhões de doses/ano e 40 milhões de doses até o fim de 2021.

Tecnologia tradicional, segura e de segunda geração

Covas contou que o imunizante começou a ser desenvolvido há um ano e que os primeiros testes foram realizados na Índia, com resultados positivos.

A tecnologia adotada é a mesma da produção da vacina da gripe (que usa o vetor viral, a proteína spike do novo coronavirus, de forma integral), também produzida pelo Butantan e realizada em ovos de galinha.

“Essa tecnologia tradicional é uma saída em uma situação epidêmica. É muito mais barata do que as vacinas produzidas com tecnologias mais modernas. Com mais um aspecto: é segura! A vacina da gripe, que usa essa tecnologia, é a mais utilizada no mundo. Aqui no Brasil, são 80 milhões de pessoas vacinadas/ano”, ressaltou Covas.

Dose única

A ButanVac será produzida inteiramente no Brasil, utilizando a mesma tecnologia usada na vacina da gripe, que deu grande notoriedade ao instituto. Covas comentou durante a entrevista coletiva (que você pode assistir na íntegra no final deste post) que xxxx

O valor não foi anunciado no encontro de hoje, mas, segundo Doria, a previsão é de que o custo não seja elevado porque não há importação de insumos nem grandes custos de logística, já que a vacina é 100% nacional.

Além disso, Covas afirmou que, após os testes o Butantan ainda poderá anunciar a possibilidade de a ButanVac ter dose única, o que se traduzirá em menos custos.

Parcerias e plano de atender países pobres

A vacina é desenvolvida com tecnologia 100% brasileira, mas Covas ressaltou que a Butanvac está sendo produzida por meio de um consórcio internacional com o Instituto de Vacinas e Biologia Médica do Vietnã e a Organização Governamental Farmacêutica da Tailândia, que também se preparam para fazer testes clínicos e se beneficiarão da Butanvac.

E muito importante: está nos planos do Butantan fornecer o imunizante para países de rendas baixa e média que, em geral, como lembrou Covas, “têm dificuldade para ter a vacina e poderão manter a pandemia no mundo”. Ele acrescentou:

“A pandemia pode ficar sob controle na Europa e na América do Norte, mas continuará na África, nos países da América Latina e nos países pobres da Ásia. Nós temos que produzir vacinas para esses países porque é lá que vamos ter que combater a epidemia para, globalmente, sermos bem sucedidos”.

Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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