Inpe lança primeiro satélite 100% brasileiro, que vai monitorar desmatamento na Amazônia

O Amazônia-1, lançado ao espaço, ontem, 28/2, no Satish Dhawan Space Centre, em Sriharikota, Índia, é o primeiro satélite 100% nacional.

Ele foi projetado, integrado, testado e operado exclusivamente por pesquisadores brasileiros, na sede do Inpe – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São José dos Campos, SP.

Cerca de R$ 400 milhões foram investidos no equipamento que começou a ser idealizado em 2009, pelo Inpe, no governo Lula. O objetivo era reduzir a dependência do país de imagens de satélites estrangeiros.

A primeira data de lançamento foi prevista para 2011, mas sua construção só foi iniciada em 2013, no governo Dilma Roussef.

Poderia ter sido lançado antes, mas levou oito anos para ser concluído porque, em 2016, com o afastamento de Dilma da presidência e a entrada de Michel Temer, foi iniciado o plano de desmonte: os recursos dirigidos para ciência e tecnologia foram reduzidos devido à PEC do Teto, que congelou os investimentos públicos por 20 anos.

Mas, superando tantos obstáculos, finalmente, chegou o grande dia do lançamento do Amazônia-1 ao espaço: 28 de fevereiro de 2021, que vai ficar marcado na história.

Missão Amazônia

O Amazônia-1 integra a Missão Amazônia que, segundo o Inpe, foi criada para fornecer dados que ajudarão a monitorar o desmatamento em qualquer bioma brasileiro, mas principalmente na floresta amazônica.

O satélite tem 4 metros de comprimento e ficará a uma altitude de 752 km da Terra. Vai tirar fotos em órbita, em alta resolução, de todo o território nacional. Tem capacidade para observar uma faixa de aproximadamente 850 km, com 64 metros de resolução.

Os dados colhidos serão enviados para três estações de monitoramento: a base espacial de Alcântara, no Maranhão; em Cuiabá, no Mato Grosso; e em Cachoeira Paulista, São Paulo. A coordenação geral cabe à estação em São José dos Campos (SP), onde está a sede do Inpe.

De acordo com o órgão, o Amazônia-1 tem quatro anos de vida útil e vai se juntar aos satélites de sensoriamento remoto produzidos em parceria com a China: Cbers. Estão previstos outros dois lançamentos de satélites brasileiros – Amazônia-1B e Amazônia-2 -, sem data marcada.

O lançamento do Amazônia-1 foi acompanhado por Marcos Pontes, ministro da Ciência e Tecnologia, pessoalmente, na Índia, e transmitido ao vivo.

Bolsas cortadas, lançamento ameaçado

Como vimos noticiando, aqui no site, desde que assumiu o governo em janeiro de 2019, Bolsonaro e seu ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, têm se empenhado na desestruturação dos órgãos de fiscalização e monitoramento relacionados ao meio ambiente e à preservação, entre eles o Inpe.

Um dos primeiros episódios envolvendo o órgão foram os que antecederam a exoneração do cientista Ricardo Galvao, ex-diretor do órgão. O presidente não queria que o Inpe divulgasse os dados reais sobre o desmatamento na Amazônia, que só aumentava. O pesquisador não se rendeu aos caprichos de Bolsonaro e foi afastado.

Este ano, seguindo à risca a política de desmantelamento, pouco antes do lançamento do satélite Amazônia-1, o Inpe suspendeu bolsas de estudo de 107 pesquisadores por falta de verba.

O corte acertou em cheio o Programa de Capacitação Institucional do instituto, que mantém cientistas em atividades, não só de pesquisa.

Entre eles estão sete pesquisadores envolvidos nas etapas finais de construção do satélite, bem como de seu plano de lançamento. Com o corte, eles foram impedidos de trabalhar e o lançamento ficou ameaçado.

Rapidamente, a Agência Espacial Brasileira (AEB) interviu e “bancou” as bolsas dos pesquisadores da Missão Amazônia e o lançamento não precisou ser adiado.

De acordo com o G1, antes de embarcar para a Índia, o ministro Pontes disse que a verba para manter as bolsas seria remanejada, mas foi só.

Fotos: Divulgação/Inpe

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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