
Por Luciano Nascimento*
Após protestos dos indígenas Munduruku, que interditou a entrada da COP30 na sexta-feira (14), o governo federal declarou que vai realizar consulta aos povos do Rio Tapajós sobre o projeto de hidrovia na região. O anúncio foi feito por Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência (foto abaixo), durante o encerramento da Cúpula dos Povos, ontem (16) (contamos sobre a cerimônia aqui).
“Nós temos o compromisso, e o governo federal fará, em relação ao Tapajós, uma consulta livre, prévia e informada a todos os povos da região, antes de implementar qualquer projeto no rio. E nós, da Secretaria-Geral da Presidência da República, criaremos uma mesa de diálogo com esses povos, para recebê-los em Brasília e construir a solução”, declarou.

Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil
O ministro afirmou ter falado ao telefone sobre o tema com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, pouco antes de chegar à cerimônia. Ele contou, ainda, que o governo irá prosseguir com a demarcação de teras indígenas.
“Haverá mais demarcações, e esse é o compromisso do presidente Lula, de que, até o ano que vem, mais demarcações serão feitas, garantindo o compromisso do nosso governo com a Amazônia, com os nossos povos e com os movimentos sociais“, disse.
O protesto dos Munduruku aconteceu na manhã de sexta-feira e bloqueou a entrada da Zona Azul, onde são realizadas as negociações da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), reservada a pessoas credenciadas no evento.

em frente à entrada da área destinada aos negociadores.
Ao fundo, André Corrêa do Lago, presidente da COP30
Foto: Juliana Pesqueira / Amazônia Real
De forma pacífica e apoiados por ativistas e povos indígenas de outros países (como contamos aqui), os Munduruku reivindicavam reunião com o presidente Lula e a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que prevê a privatização de empreendimentos públicos federais do setor hidroviário nos rios Madeira, Tocantins e Tapajós (contamos aqui).
Eles também criticam a construção da Ferrogrão, ferrovia que ligará Mato Grosso ao Pará, para escoamento de produção agrícola, com impactos sobre o modo de vida dos indígenas e pressão sobre suas terras. Após o protesto, os indígenas foram recebidos pelo presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago.
Acompanhado das ministras do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, Boulos lembrou da manifestação e disse que os atos estão fazendo diferença na COP30.
“Você sabe, Marina, que veio gente da imprensa falar que está tendo muita manifestação na COP. Se tem manifestação na COP, é sinal de que o povo está participando da COP. E é isso que a gente quer”.
“Para que ela [a COP] seja efetiva tem que ser com participação social, e quem representou, com excelência, a participação e a voz do povo nessa COP foi a Cúpula dos Povos, os povos indígenas, os povos quilombolas e ribeirinhos da Amazônia”, completou o ministro.
* Texto originalmente publicado no site da Agência Brasil em 16/11/2025
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Foto: reprodução de vídeo





